icons.title signature.placeholder Bruno Andrade e Rodrigo Vessoni
27/12/2013
08:04

Andrés Sanchez concedeu entrevista ao LANCE!Net alguns minutos antes do acidente que matou dois operários na Arena Corinthians, na tarde do último dia 27 de novembro. Nesta sexta-feira, exatamente um mês após a tragédia que adiará a entrega do palco de abertura da Copa 2014, o L!Net traz a primeira parte da conversa com o ex-presidente alvinegro, concedida a cerca de cem metros do local onde cairia o guindaste.

Por cerca de 40 minutos, Andrés falou sobre bastidores da arena e disse que precisou brigar para evitar que parte das obras fossem superfaturadas. "Teve produtos nacionais que caíram mais de 100%. Eu fico fico triste como brasileiro", revelou o dirigente.

Acompanhe a primeira parte da entrevista:

O jogo de abertura terá Corinthians x Corinthians?
Essa é minha ideia, mas quem definirá isso é a diretoria.

O torcedor está assustado com o preço de ingresso que está sendo cobrado pelo país...
(Interrompendo) Isso é hipocrisia. Qual preço de ingresso? O preço médio não passa de R$ 50. Tem quem paga 2 mil, mas tem 50, com meia-entrada a 25 e sócio-torcedor tem 40% de desconto. Aqui, 40% ou 45% do estádio terá preço popular, R$ 40 para baixo...

E MAIS:
> Segunda parte da entrevista
> Terceira parte da entrevista

Palmeiras e WTorre têm prolemas de relação, como Grêmio e OAS. Existe alguma chance de ter alguma surpresa ou algum erro no contrato com a Odebrecht?
Não. Não existe possibilidade. Erro pode haver, mas nada judicial. Corinthians e Odebrecht é um case, uma parceria para se estudar e repetir na vida pública.

O estádio não ficará “na mão” da Odebrecht?
O estádio é 100% do clube. Tem o fundo imobiliário, que a Odebrecht é detentora, mas conforme as prestações forem pagas, as ações vão para o Corinthians. Quem vai administrar é o clube.

Enquanto o fundo for administrado pela Odebrecht, a arena será administrada pela Odebrecht, não?
É óbvio que até o Corinthians pagar, esse fundo que é específico para o estádio, só para ele, mais nada, é o detentor. Mas quem administra e quem contrata, é o clube. Fora isso, vai ter um Conselho, com duas pessoas do Corinthians, uma pessoa da Caixa e outra da Odebrecht, até o pagamento do financiamento.

Arena poderá receber eventos?
Eu não quero que use o gramado para show. O estádio tem o espaço no prédio Oeste que é para show, casamento, enterro. Gramado é futebol.

Mesmo com toda tecnologia para evitar problemas no gramado?
Não tem tecnologia suficiente.

Ter ficado fora da Libertadores muda os planos do estádio?
Pergunta para o presidente.

Mas você é o responsável pelo estádio. A pergunta é pela renda...
Você vai deixar de arrecadar com Libertadores, que é chamariz maior, mas para o estádio não tem diferença alguma. Temos que buscar essa falta de receita de outras maneiras.

E os preços dos camarotes?
Está definido o mínimo, que será de R$ 400 mil/ano. E temos três mil cadeiras cativas para alugar.

Vips terão estacionamento?
Depende. É que nem comprar carro: com ABS, ar, etc. Há camarotes crus e tem opcionais. Tem mais de três mil empresas cadastradas e mais de quatro mil para cadeiras.

Você teve problemas para negociar alguns produtos e serviços para o estádio, não? Dizem que o valor para compra de privadas, por exemplo, começou com 50x, mas caiu para 10x. Para a retirada dos dutos da Petrobras (que passavam pelo terreno do estádio), falava-se em R$ 30 milhões, mas saiu por bem menos...
8 milhões e 900 mil.

Essas negociações...
(Interrompendo) Eu fico até emocionado porque isso é triste como brasileiro.

Como assim?
Por um lado eu fico triste, porque eu imagino como é o resto... Ao mesmo tempo, contente porque conseguimos fazer aqui um case, um casamento tão perfeito entre o clube e a Odebrecht, que poderes públicos e empresas privadas vão estudar o que foi feito.

Onde mais se evitou perdas?
Teve produtos nacionais que caíram mais de 100%.

Com conversa?
Conversa não. Com briga.

Quanto você imagina ter economizado com essas brigas?
É difícil fazer esse cálculo porque a gente nunca foi... Mas foram mais de 100 milhões (de reais). Com certeza. Na briga, nas parcerias, mais de cem (milhões).

O que se ouve e se fala nessas conversas? Qual o argumento para baixar valores?
É um estádio privado. Se quiser ladrilho azul, ponho azul. Se quiser branco, ponho. Quem decide é o Corinthians e a Odebrecht. Então, os dois brigaram ao máximo para colocar o melhor possível por um valor menor possível.

O Governo injetará dinheiro para finalizar os estádios?
Olha... Se o estádio é privado, quem tem de injetar dinheiro é o privado. Se o estádio é público, quem tem de injetar dinheiro é o poder público. Ignorante é aquele que pensou que ia se fazer um estádio, sei lá, em Minas Gerais, que não fosse com dinheiro público. O estádio é público. No Mundo é assim, na Alemanha é assim...