icons.title signature.placeholder Jonas Moura
03/06/2014
07:06

Houve momentos na carreira de Andréia Laurence em que vestir a camisa do Brasil e ser titular de uma grande equipe eram sonhos distantes. Aos 31 anos, tudo virou realidade. Convocada pela primeira vez para a Seleção Brasileira, em maio, a oposto será anunciada nesta terça-feira como um dos principais reforços da Unilever, atual campeã nacional. 

Andréia foi procurada pelo time carioca depois de duas temporadas de destaque no Pinheiros, clube com o qual tinha forte identificação. Na última Superliga, foi eleita a melhor atacante, à frente de nomes como a bicampeã olímpica Sheilla. Mesmo com sondagens tentadoras da Rússia e da China, ela diz que não pensou duas vezes.

– Encaro como a melhor oportunidade que tive. Perseguir títulos é o que todas buscam. Quero aproveitar essa chance e sugar tudo o que puder na Unilever. Jogar com o Bernardinho? Não tem coisa mais gratificante para uma atleta – disse a jogadora, que assinou contrato de uma temporada com a equipe carioca.

Todo o sucesso, porém, demandou paciência, maturidade e escolhas. Antes de se tornar a oposto cobiçada por times de alto investimento como é hoje, Andréia era uma central mediana no cenário e sem ambições pela Seleção Brasileira. Em 2011, propôs ao técnico Wagão, do Pinheiros, uma mudança. Jogaria como ponteira.

Andréia recebe o prêmio de melhor atacante da Superliga 13/14 pelo Pinheiros (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

O comandante aceitou, mas o resultado não foi dos melhores. A responsabilidade de recepcionar os saques com frequência inibiam uma atacante de potencial ainda pouco conhecida pelo público. No ano seguinte, veio a chance de atuar como oposto e, portanto, ser a maior responsável por cravar a bola na quadra rival. Deu resultado.

– Tudo vem no momento certo. Talvez, se eu tivesse mudado de posição antes, não teria sucesso. Não me arrependo de nada – afirma a atleta, que estreou na Seleção Brasileira no Montreux Volley Masters, na Suíça, na última semana.

Bate-Bola

Andréia Laurence
Oposto da Unilever e da Seleção Brasileira, em entrevista exclusiva ao LANCE!Net

Depois de se destacar em um time menor, o Pinheiros, o que espera no atual campeão nacional?

No Pinheiros, as atenções se concentravam muito na Andréia. Na Unilever, sei que não serão todos os olhos focados em mim. Tem outras atletas de destaque. É uma responsabilidade dividida. Encaro como a melhor oportunidade que eu podia ter agora.

Se sente uma veterana de clubes ou uma novata de Seleção?

Um pouquinho dos dois. Conheço todas na Seleção, cresci com várias delas e temos amizade. Sou novata por todo o rítmo de treinos, os horários e as pessoas. Mas, ao mesmo tempo, experiente, pois não passo os perrengues que passaria com 20 anos. As mais novas vão ter dificuldades de falar com uma Sheilla. Já eu, não tenho esse problema.

Como foi a mudança de central para se tornar ponteira e oposto?

Havia centrais mais altas e fortes tecnicamente do que eu no país. Não era justo eu achar que poderia chegar à Seleção. Como ponteira, não enxergava tão bem o jogo e não podia ficar livre do passe. Agora, consigo ver a tática do adversário, quem está melhor no outro lado. Isso ajuda o time.

O físico preocupa pela idade?

Tem 95% de importância quando se tem 31 anos. Tenho de estar bem o tempo todo. Comigo, não adianta segurar. Não quero abaixar o peso. Preciso estar 100%.