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22/07/2014
13:40

A apresentação do novo (novo?) técnico da Seleção, na manhã desta terça-feira, foi cercada de expectativa. Após a experiência na Copa de 2010, Dunga parece ter voltado mais calmo. Ainda assim, de vez em quando ele deixou escapar uma certa reação aos jornalistas durante a coletiva.

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Confira abaixo a opinião de nossos analistas sobre esse "novo Dunga".

    

João Carlos Assumpção, colunista
"Não me incomodam os problemas de relacionamento que ele tem ou teve com a imprensa brasileira. Prefiro que seja o mais autêntico possível a ter que representar e fazer média com veículo A ou B, embora infelizmente uma dose de hipocrisia seja necessária não só futebol como na vida em sociedade. O que me incomoda é seu estilo "militar", como o de Alexandre Gallo, Gilmar Rinaldi e José Maria Marin, diga-se de passagem. Com Dunga vai predominar o estilo "ordem e progresso", ou melhor, ordem, porque em determinados campos devemos vivenciar um retrocesso, isso sim, com bonés, brinquinhos e outros adereços dos jogadores voltando a ficar em primeiro plano, como já aconteceu na ridícula entrevista de apresentação do coordenador da Selecão".

     
André Kfouri, colunista
Não acredito em "novo" Dunga. A Seleção Brasileira será comandada pelo mesmo profissional que a deixou há quatro anos e, mais importante, pela mesma pessoa. A entrevista coletiva desta terça-feira evidenciou os mesmos conceitos mal formados, a mesma coerência equivocada, os mesmos argumentos e a mesma visão turva do que a Seleção deve ser. Se tudo der certo para Dunga, seu time será um clone da equipe que disputou a Copa de 2010. Era melhor do que o time de Scolari que a Alemanha humilhou, mas era - e será, se for - muito menos do que a Seleção Brasileira deve ser. Mesmo que ganhe a Copa de 2018.
       Eduardo Tironi, colunista
"O melhor da entrevista coletiva foi a presença de um Dunga desarmado, admitindo erros, aparentemente disposto a aprender com erros e ouvir mais pessoas. A parte ruim é a demonstração de que ele não mudou seus conceitos sobre o futebol que admira, o da vitória a qualquer custo, deixando a plasticidade de lado".
       Mauro Beting, colunista
"Dunga começou bem ao assumir que errou com a imprensa no trato duro na primeira passagem– embora jornalista não ganhe e nem perca jogo. Analisou bem o exemplo alemão – embora tenha enxergado apenas no Chile qualidades ofensivas que a Alemanha apresentou durante toda a Copa. Não falou muito do que fará – também por não ter sido perguntado. Não se defendeu atacando. Não prometeu sonhos. Sabe a realidade dura. E promete não ser tão duro quanto ela. Um avanço".
      
Carlos Alberto Vieira, editor
"Vamos esperar para ver se esse Dunga  é mesmo diferente... O novo Dunga vai até o capitulo 2. Ele disse que precisa melhorar no dia a dia com a imprensa. Mas deu uma alfinetada num antigo desafeto. E foi claro ao lembrar duas vezes que não muda na essência, além de manter a conhecida risada ironica. O que vemos de novo é que ele irá trabalhar com o treinador da base, coisa que ele nunca havia feito. Vamos dar tempo ao tempo".

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     Roberto Assaf, colunista
Dunga ganhou fama no Inter, jogou no Rio, em São Paulo, na Itália, na Alemanha e no Japão, representou o Brasil em quase 100 partidas, disputou três Mundiais, e conquistou muitos títulos, mas continua sendo, na sua mais completa essência, o mesmo menino que deixou Ijuí, lá se vão mais de três décadas. Conhece futebol, é claro, mas não se afastará de seus conceitos, como já frisou na apresentação, e com o tempo voltará a ter problemas de relacionamento com a imprensa, e pior, provavelmente acabará incorporando o mesmo sentimento de absolutismo que levou seu antecessor, o senhor Scolari, à bancarrota. Tudo isso torna complicada a sua sobrevivência como técnico da Seleção. Quanto à questão política, essa já é uma outra história, que não depende só dele, mas também da cúpula envelhecida e superada da CBF. Logo, não houve qualquer revolução no futebol brasileiro, mas apenas a tentativa de fabricar uma solução de emergência para que o 7 a 1 seja sepultado, o que não ocorrerá em um quadro como esse.
     Valdomiro Neto, editor
Não acredito em "Dunguinha paz e amor", mesmo que (o que não acredito) ele tenha contratado um staff marqueteiro desses que inundam as campanhas eleitorais. Ou passe pelos tais Midia Trainings bem comuns no futebol moderno. Mas acho possível que tenhamos um sujeito um pouco mais maleável depois de tanto apanhar. Certamente deve estar salivando nesta segunda chance e pensando: "Aquela derrota para a Holanda pode ser redimida". A sua primeira coletiva mostrou, em alguns momentos, sua velha ferocidade. E em outros uma docilidade que pode ser forçada ou não. Se o que interessa é o campo, pode ter resultados, como teve na primeira passagem, quando montou um grupo "fechado" e bastante eficiente. A pergunta é: Queremos somente isso da Seleção? Apenas resultados?