icons.title signature.placeholder Luiz Gustavo Moreira
19/06/2014
10:40

O tempo de moradia no Brasil - cerca de um ano e seis meses - é pequeno, mas suficiente para fazer a Seleção Brasileira ocupar um espaço no coração do uruguaio Jorge Diaz, proprietário do restaurante Gonzalo, no Leblon. Torcedor fanático da Celeste, Jorge garantiu que torcerá para o Brasil em caso de um reencontro dos rivais na final da Copa do Mundo de 2014.

- Quando vejo a seleção jogar, não consigo não me emocionar. Temos uma união muito forte. Claro que adoraria que o Uruguai ganhasse uma final contra o Brasil, mas não acharia justo pela história. Seria a revanche para o Brasil tentar se redimir. O Maracanazo significou muito mais para o Brasil do que para o Uruguai. Para nós foi um titulo mundial, mas para o Brasil a derrota significou mais do que isso. Perder em casa era algo que ninguém pensava que poderia acontecer. Nem os uruguaios - afirmou Jorge, que assumiu o comando da casa após a saída do tio, que inaugurou o local em agosto de 2012.

Torcedor do Peñarol e simpatizante do Botafogo no Brasil, pela amizade com Nicolás Lodeiro e pelo sucesso que os conterrâneos fazem no Alvinegro, Jorge também é amigo daquele que pode ser considerado o maior carrasco da história da Seleção Brasileira: Alcides Ghiggia. Jorge contou como essa relação se iniciou e revelou o que o ex-atacante acha do Maracanazo:

- Ele me deu uma camisa em 2012, mas não sabia onde ficava o restaurante. Depois, passou por aqui e parou. O restaurante estava fechado, mas como era o Ghiggia, abri. Não podia falar que estava fechado. Então, começamos a ter uma relação mais pessoal. Eu já conhecia um amigo muito próximo dele, Atilio Garrido - um dos melhores jornalistas esportivos do Uruguai. O Ghiggia é um cara muito legal, humilde e sempre fala que nenhum dos jogadores da seleção imaginava o que aconteceria em 1950. Eles menos que ninguém.

Jorge posa com a camisa autografada pelo amigo Ghiggia (Crédito: Bruno de Lima)

Voltando para os tempos atuais, Jorge mostrou um semblante de decepção ao comentar a surpreendente derrota para a Costa Rica, por 3 a 1, na estreia das seleções na Copa de 2014. Mas, como bom uruguaio, mostrou confiança numa reviravolta, a começar nesta quinta-feira, contra a Inglaterra, às 16h, em São Paulo.

Para o "uruguaio-brasileiro", a Celeste gosta de sofrer antes de alcançar os objetivos. E o fato do país ser pequeno e ter somente três milhões de habitantes, aproximadamente, valoriza os feitos da seleção bicampeã mundial.

- Achei muito estranho. Ninguém esperava essa derrota. Mas nunca nos classificamos com facilidade. Sempre pegamos a calculadora e fazemos contas. Sempre foi assim. Sempre ressurgimos. Agora temos que ganhar ou ganhar. Somos masoquistas e gostamos de sofrer. Temos muito coração. Esse pensamento de que nada é impossível começou justamente com o Maracanazo. Somos como cachorros. Quando pegamos uma presa, mordemos forte (risos).

E Jorge já sabe como assistirá a decisiva partida contra o English Team: vestindo a camisa que ganhou de Ghiggia.

- Vou colocar a camisa que Ghiggia me deu de presente. Ficarei muito nervoso, ansioso, mas tenho muita fé. Não vou assistir aqui no restaurante, pois não coloco televisões. Colocamos na Copa das Confederações e não deu certo. Tinha gente que vinha jantar e estava numa sintonia diferente de quem vinha ver os jogos. Quando o Brasil joga, coloco uma televisão para os funcionários e torço para o Brasil com eles. O Uruguai é minha terra e o Brasil é minha casa. Tenho duas possibilidades de títulos, mais do que ninguém - finalizou Jorge, esperançoso em comemorar o título no dia 13 de julho, com qualquer uma das duas seleções.