icons.title signature.placeholder Pedro Barboza, Pedro Leanza e Thiago Bokel
29/11/2013
08:00

A relação entre Amaral e Flamengo é tão especial quanto a medalha de campeão da Copa do Brasil que o jogador deixava brilhar em seu peito, ao entrar na redação do LANCE!Net, na tarde de quinta-feira. Aos poucos, a vermelhidão nos olhos do volante, reflexo de uma noite não dormida, misturava-se às lagrimas, que quase chegaram a pingar na faixa da conquista, durante a entrevista exclusiva.

Esse momento sincero, explicado pela pureza e simplicidade nas respostas do camisa 40 do Fla, ocorreu depois de uma pergunta sobre qual seria a imagem que o jogador guardaria na memória do título conquistado no Maracanã.

– A imagem que me vem à cabeça é a felicidade da torcida com a conquista. O sorriso no rosto dos torcedores. Nunca havia imaginado presenciar um momento tão lindo como foi aquele. Eu fui campeão nacional, cara. Fiz história no clube – relatou Amaral.

Confira a entrevista completa:

Qual a importância da torcida do Flamengo na conquista da Copa do Brasil?
Essa torcida é de arrepiar. Ela faz o adversário tremer em campo, ainda mais quando jogamos no Maracanã. É só ver o retrospecto do time no estádio. Até nós, jogadores do clube, ficamos um pouco nervosos no início do jogo. A torcida foi muito importante na caminhada para o título, sem dúvidas. Temos de agradecer a todos pelo apoio incondicional vindo das arquibancadas.

Como foram os dias que antecederam o tão esperado jogo contra o Atlético-PR?
Estávamos todos muito focados. Quando chegamos à concentração, na terça-feira, as horas não passavam. Foi tudo muito intenso, mas também muito prazeroso.

Em relação ao primeiro jogo da final, qual foi a sensação de ter feito o gol de empate em 1 a 1?
A ficha do gol foi cair agora, quando tive a noção da importância dele. Seria muito mais complicado se tivéssemos perdido o primeiro jogo por 1 a 0. Pudemos controlar a partida no Maracanã, justamente por causa do meu primeiro gol pelo Flamengo.

Você é considerado um dos principais responsáveis pelo título da Copa do Brasil. Porém, quais seriam os outros jogadores que se destacaram no elenco?
Acho que todos foram importantes. Mas o Wallace foi fundamental nessa conquista, passou muita experiência para os mais jovens. Além dele, o Léo Moura também ajudou muito, assim como Chicão e André Santos.

Todo o elenco sofreu muitas críticas durante 2013. Qual foi o fator principal para o Flamengo chegar a um título antes inesperado?
A união foi o principal ponto para essa volta por cima da equipe. Cada um jogou pela sua família e pelo grupo. Trabalhamos demais para sair daquela situação, pois estávamos tomando pancada durante o ano todo. Era a hora de darmos a volta por cima. Por isso, nos unimos e não deixamos com que as críticas atrapalhassem o nosso rendimento.


Amaral segura taça da Copa do Brasil (Foto:Paulo Sergio/LANCE!Press)

Ao pensar nessa reviravolta do time, você guarda rancor de Mano Menezes, por não ter sido aproveitado por ele quando era o técnico?
De maneira alguma. Jamais ficaria com mágoa dele ou de qualquer outro treinador que tenha passado pelo Flamengo. Eu sabia que em algum momento a oportunidade iria aparecer e isso ocorreu quando o Jayme de Almeida assumiu a equipe. Felizmente consegui agarrar a chance que tive.

Como você analisa todos os treinadores que passaram pelo Flamengo neste período em que você está no clube?
Todos os treinadores foram importantes. Mas, infelizmente, quando os resultados não aparecem, a culpa acaba sendo deles. No futebol é assim. A torcida cobra e a equipe precisa vencer. Se isso não acontece, o técnico acaba sendo demitido.

Você teve mais oportunidades com o Jayme, além de ter conquistado o título com ele no comando. Mas, desde que chegou ao Flamengo, por qual técnico você guarda mais gratidão?
Primeiramente, eu agradeço a Deus. Depois, ao Joel Santana. Foi ele quem me trouxe para o Flamengo. Confiou em mim e pediu a minha contratação para a diretoria. Ele conseguiu enxergar em mim um lado sério e profissional. Serei eternamente grato a ele por isso.

Falando da sua chegada no clube. Como foi sair do Nova Iguaçu e logo vestir a camisa do Flamengo?
Esse foi o meu momento mais complicado, a chegada. Fiquei um pouco tímido e inseguro. Mas, aos poucos, os jogadores já começaram a me aceitar. O Renato (hoje no Santos) e o Vagner Love logo me abraçaram, me deixando mais à vontade. Havia jogadores de Seleção Brasileira, como o Ronaldinho Gaúcho. Não sabia se todos iriam me aceitar bem. Felizmente, fui bem recebido. Depois da dificuldade inicial, consegui me entrosar rapidamente.


Amaral festeja gol marcado no primeiro jogo da final da Copa BR (Foto: Geraldo Bubniak/Fotoarena)

Depois de ter se firmado como titular no time de Dorival Júnior, você terminou a temporada de 2012 em alta. Com isso, recebeu até propostas de outros grandes clubes. Qual a razão para você ter preferido ficar no Flamengo?
Quando eu cheguei, logo na minha primeira entrevista, disse que não queria simplesmente passar pelo Flamengo. Queria ser campeão, marcar o meu nome na história do clube. No fim de 2012, conversei com o meu empresário (Jorge Moraes) e disse que preferia ficar aqui. Hoje eu vejo que fiz a escolha certa. Hoje sou campeão da Copa do Brasil e quero, com certeza, conquistar muitos outros títulos para essa torcida.

Agora que você já conquistou a Copa do Brasil, houve algo que o incomodou neste período de decisão da competição?
Sim. O Atlético-PR estava achando que seria fácil, como havia sido naquele jogo em que eles nos venceram por 4 a 2 no Maracanã. Só que, naquela vez, foi no Brasileiro. A Copa do Brasil é totalmente diferente. Eles entraram de salto alto, fizeram algumas provocações. Mas o jogo só começa e termina quando o juiz apita. Hoje, nós somos os campeões e provamos que futebol se ganha dentro de campo.