icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
11/06/2014
08:15

Na frente do campo de futebol ainda em construção, bancada pelos alemães para a comunidade de Santo André, um homem e duas mulheres não viam graça em nada do que ocorria. Depois da visita à Escola de Santo André na tarde desta quarta-feira, os membros da delegação da seleção da Alemanha prometem bater uma bola com moradores neste futuro espaço de lazer, que fica quase colado com a BR-367, estrada que liga a região à cidade de Canavieiras.

As bolas de um campinho ao lado das obras, que depois ficará esquecido, batem quase todo dia na parede da casa de Marta dos Santos Guerra. Nada que seja problema para quem foi vítima de desabamento com os filhos há alguns anos - não houve acidente fatal. O problema hoje é a falta de água. Na região, há períodos de 15 a 20 dias sem água tratada. A que chega na bomba que vem da rua tem sujeira e excesso de ferro.

- Não existe prefeito aqui. Ele nunca vem para cá. Tem dias que faço arroz com uma água amarelada. Lavar roupa é uma raridade, olha como estamos. Guardo a água aqui (mostra uma leiteira de alumínio) para fazer comida, mas como tomar banho? - disse a moradora da região, que não poupa críticas a Jorge Pontes, prefeito de Santa Cruz Cabralia, município da região.

Juracy, Selma e Marta: moradores contestadores na Vila de Santo André (Foto: Felipe Bolguese)

Ao seu lado, a amiga Selma Marques Monteiro também relatou problema com água. No caso dela, excesso. Um temporal dois meses atrás alagou sua casa e destruiu tudo. Diversos vizinhos passaram pelo mesmo problema, pois a canalização da região é inexistente. Aqui, se chove, alaga. Quinze anos atrás, sua cunhada tentava mexer na bomba de água após uma enchente e morreu afogada. As esperanças quase não existem mais.

- Eu posso falar o que quero? - questionou.

- Nada aqui está certo. Quem faz tudo na região é a comunidade. A prefeitura esquece da gente, nunca veio aqui - reclamou.

Especialista em eletricidade, Juracy Estevão da Luz Filho dizia que esperava que a presença da Alemanha na região trouxesse benefícios, mas relatou a insatisfação. Moradores e trabalhadores da rua do hotel dos alemães precisam de identificação para ultrapassarem a barreira policial.

- Tem pais atrasando a chegada dos filhos à escola porque não conseguem passar pela rua. Tem trabalhador que precisa voltar andando às 3h pela estrada, numa escuridão completa, porque as ruas estão bloqueadas - disse.

Casa de Marta sofre com alagamentos e já chegou a desabar (Foto: Felipe Bolguese)