icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena
18/11/2013
07:30

A diretoria do Palmeiras estava enganada se achou que seria fácil renovar com Gilson Kleina. O treinador estava decidido a ficar para o ano do centenário até ser ignorado enquanto seus superiores negociavam com Marcelo Bielsa. Procurado quase três semanas após o presidente Paulo Nobre anunciar publicamente que iniciaria as conversas sobre 2014, o atual comandante do Verdão tem sido duro nas tratativas e cobra mudanças na relação com os dirigentes, além de um bom reajuste salarial.

O técnico sentiu-se exposto ao ser colocado para dar entrevista coletiva minutos após o jogo contra o Paysandu, terça-feira passada, imediatamente após o diretor-executivo José Carlos Brunoro confirmar aos jornalistas que Bielsa era a prioridade. No dia seguinte, o dirigente procurou o treinador disposto a negociar o novo vínculo, mas o L!Net apurou que o comandante utilizou a reunião para expor sua insatisfação com a postura da cúpula, avisando que só conversaria sobre valores em São Paulo, na presença de seu agente.

O Palmeiras não quis pagar R$ 1 milhão por mês a Bielsa, mas Kleina sabe que a diretoria não imaginava ser possível fechar com o argentino por R$ 300 mil, seu atual salário. Por isso, ele vai pedir vencimentos no "padrão Série A", podendo se beneficiar do interesse do Coritiba, que já fez sondagem.

Ele também quer um elenco que justifique a cobrança por títulos. Para isso, pretende ser mais ouvido na indicação de reforços. Neste ano, precisou lidar com atletas que não solicitou, como Eguren.

O QUE KLEINA QUER PARA CONTINUAR:

Aumento salarial
O Palmeiras conseguiu tirar Gilson Kleina da Ponte Preta, em setembro de 2012, ao oferecer R$ 300 mil mensais. O valor é tido no clube como elevado, mas o técnico vai querer um reajuste para o padrão Série A.

Multa rescisória
Kleina sabe que não era a primeira opção da diretoria e quer se resguardar para o caso de uma demissão com o ano em andamento.

Autonomia
Comandante teve de "engolir" alguns jogadores que não havia pedido, mas que tinham aval da diretoria, como Felipe Menezes, Eguren e Rondinelly. Ele quer ter voz mais ativa.

Respeito
Kleina sentiu-se exposto ao dar entrevista após a divulgação da busca por Bielsa e deseja ser mais blindado.

VEJA UM BATE-BOLA COM KLEINA, APÓS O JOGO DE SÁBADO:

LANCE!Net: Até quando você pretende definir sua situação no Palmeiras?
Gilson Kleina: Não coloco prazo, o foco era o título. Tive uma conversa com o Brunoro em Belém e pude colocar algumas coisas. Agora é entender.

Você ficou chateado ao saber da procura pelo Bielsa?
Em momento algum me senti desencorajado ou desanimado. Me apeguei à família e ao trabalho, sei que a desconfiança com que me receberam quando cheguei no Palmeiras virou confiança por causa do trabalho. Mágoa eu não tenho, sei entender as coisas e faço meu melhor para os jogadores entenderem que têm um comandante que acredita neles. Não sou unanimidade, mas tenho de dar continuidade.

Se ficar, o que espera de 2014?
Não quero virar o ano só para dizer que continuei no Palmeiras. Quero virar em condição de ganhar as competições. Neste ano não nos preparamos pra ser campeões de Paulista e Libertadores, só da Série B. Quando você se planeja, a chance é maior.

Ficou surpreso com os gritos de "Fica, Kleina" no vestiário?
Sabia que tinha o carinho do grupo, que tinha construído uma família aqui, mas não sabia que era tanto. Falam que o Kleina é bonzinho, mas de bonzinho não tenho nada. As conversas que tenho com eles não são de grito, mas doem.

O título é importante?
É um título de menor expressão, mas que precisava ser conquistado. Agradeço a Tirone e Frizzo, pessoas que não queriam que acontecesse isso com o Palmeiras. A diretoria acreditou em mim naquele momento, não posso esquecer dessas pessoas. Depois veio a nova gestão, uma outra filosofia, passou a dificuldade conosco. Serviu como um amadurecimento e isso ninguém tira mais da gente.