icons.title signature.placeholder Marcello Vieira
05/11/2013
16:24

Foi no sábado, dia 13 de março de 2011, que Alcides Antunes foi demitido do cargo de vice presidente de futebol do Fluminense. Era véspera do Fla-Flu, válido pelo Campeonato Carioca, que também seria o último jogo de Muricy Ramalho no comando técnico da equipe. Após ser campeão brasileiro, o Tricolor fazia um primeiro semestre ruim, ia mal na Copa Libertadores e tropeçava no Campeonato Carioca. Pressionado em seu primeiro ano de mandato, o presidente Peter Siemsen antecipou o retorno da viagem de Búzios para o Rio de Janeiro e convocou uma coletiva de imprensa no Salão Nobre para comunicar a exoneração de Alcides.

Pouco mais de dois anos depois, Alcides Antunes reapareceu, na última segunda-feira, para apoiar Deley no lançamento da candidatura, ocorrida no Clube Militar, localizado no Centro do Rio de Janeiro. Questionado pela reportagem do LANCE!Net durante o evento se o apoio ao candidato de oposição também era motivado por uma certa mágoa com a atual gestão, Alcides primeiramente disse que não, uma vez que julga Deley ser o melhor candidato, mas deixou evidente a enorme decepção com Peter Siemsen.

- Peço a Deus todo dia para nunca mais vê-lo. Tudo que ele combinou comigo ele não quis cumprir, mas aí é problema dele. Tenho a consciência tranquila. Não sei se o Peter tem consciência, mas se ele tiver não deve dormir com ela tranquila. Ele fez várias promessas para mim, veio conversar no meu ouvido, falou que iria cumprir e não cumpriu nenhuma delas. Seria fácil ele chegar para mim e dizer que não ia cumprir, que não podia, acabou, mas fizeram uma palhaçada para me exonerar do clube em um sábado a tarde, foi a segunda vez que o Fluminense teve um circo. Fizeram um circo para me exonerar - desabafou.

As fortes afirmações de Alcides Antunes não se restringem apenas a Peter Siemsen, mas também ao principal grupo de apoio do mandatário, a Flusócio, que na visão dele, teria tomado o clube:

- Acabou a alegria. Nunca mais voltei para aquele clube e tem centenas de pessoas que não voltam porque não são bem recebidos lá. Parece até que o Fluminense foi tomado, aquelas guerras antigas quando o cara chegava lá e tomava a cidade. Parece que o Flu foi tomado, aquele clube que a gente chegava com alegria, tinha os desencontros de ideias, mas depois estava todo mundo sentado, conversando alguma coisa, todo mundo no Maracanã torcendo, mas hoje não tem mais isso. Hoje as pessoas não vão no clube porque não têm mais o prazer, não têm como conviver com eles, fizeram do Fluminense uma coisa que não estamos acostumados. Eu fui acostumado com o Fluminense de uma maneira, mas não funciona mais.

O ex-dirigente garantiu que não tem nenhum compromisso para voltar à gestão do Fluminense com Deley, pelo contrário, disse que apoia o candidato na condição de associado do clube. Contudo, caso o próprio Deley faça um convite, o panorama poderá mudar completamente.

- O Deley é uma esperança em termos de candidato. O Fluminense precisa de mudança já. Tem de resgatar a tradição do Fluminense, que era o objetivo da gestão passada. Eles esqueceram que o Fluminense tem 111 anos, acham que o Fluminense tem um ano só. Querem que todos esqueçam disso. Não aceitam as tradições e a força do Fluminense e acham que o clube vai ser grande agora. O Fluminense sempre foi grande e sempre será grande. Os homens passam. O nosso valor é cordial, a gente passa, o que fica é o Fluminense. Tenho certeza de que o melhor é o Deley. Com ele, teremos transparência. Ele respeitará os ideais, o estatuto do Fluminense. Voltaria com o Deley. Gosto do Fluminense, do futebol, vivo do futebol por meio da federação, mas quero deixar bem claro que não desejo nada de mal para esse rapaz (Peter Siemsen). Quero que tenha muita saúde, viva bem a vida dele, mas não quero ter o desprazer de vê-lo, só isso. Se o Deley convidar, estarei à disposição para somar. Seja em qualquer função, não precisa ser vice de futebol - disse o ex-dirigente.