icons.title signature.placeholder Paulo Giannini
18/02/2015
21:45

Vistos pelos brasileiros como zebras do Grupo 2 da Libertadores da América, Danubio (URU) e San Lorenzo (ARG) começam a caminhada em busca de um sonho improvável nesta quinta, às 20h45, no Estadio Centenario, em Montevideo.

Para os argentinos, que entram em campo pela primeira vez na história defendendo o título de atuais campeões, repetir a tarefa do ano passado parece bem mais difícil.

O time não é mais o mesmo e além de forças sobrenaturais (garantidas enquanto Francisco ainda for o Papa), será preciso jogar um bom futebol, já que quando atuar em casa a pressão da torcida está descartada (jogo contra o Corinthians já está confirmado com portões fechados ao público e a punição pode aumentar, já que a violência da torcida voltou a aparecer na Recopa).

Pelo lado do Danubio o otimismo é ainda menor. A própria imprensa local afirma que o sorteio não foi nada bom para o atual campeão uruguaio, que desmanchou praticamente todo o elenco vencedor da temporada passada e tem um time mais inexperiente, formado com a maioria dos jogadores da base.

No fim de semana, as duas equipes venceram pelos campeonatos nacionais. O San Lorenzo bateu o Ciclón por 2 a 0, já o Danúbio venceu o Racing fora de casa por 1 a 0. Times chegam embalados e ânimo não vai faltar.

Na lógica, dificilmente os dois brasileiros ficarão com os últimos lugares do grupo, então o confronto ganha ainda mais importância e não existe bom resultado a não ser a vitória para beliscar vaga nas oitavas.

Mas no futebol a lógica não costuma reinar. Principalmente com um time cheio de jovens jogadores com vontade e que sonham com um futuro promissor, e outro que tem na torcida a principal figura do Vaticano.

COM A PALAVRA:
Amaya, jornalista do El Observador (URU)

O sorteio da Libertadores foi duríssimo para o Danubio. O atual campeão uruguaio irá enfrentar três gigantes da América: San Lorenzo (ARG), São Paulo e Corinthians, o que faz dos “franjeados”, como são conhecidos os jogadores do Danubio, os mais fracos no “grupo da morte” da principal taça do ano.

De qualquer maneira, a equipe dirigida pelo técnico Leo Ramos tem fé de que pode brigar por uma vaga e está animada para passar de fase.

O elenco perdeu várias figuras que estavam presentes na conquista do Campeonato Uruguaio do ano passado. Entre elas, o artilheiro Jonathan Alvez, o goleiro Ichazo e o volante Camilo Mayada, este último eleito o melhor jogador do futebol uruguaio. Agora, para a competição continental, Ramos armou um novo time, onde predominam jogadores jovens formados nas categorias de base do próprio Danubio, clube que é considerado um dos maiores reveladores do futebol uruguaio.

“Podem ganhar muito mais e terem muito mais nome que nós, mas estamos confiantes de que os nossos jogadores vão se doar ao máximo em campo para conseguir as vitórias. Vai depender do que podemos fazer com os jovens que temos, sei que eles estão com muita gana”, disse Ramos ao “El Observador”.

(Foto: Arte LANCE!)


COM A PALAVRA:
Diego Paulich, jornalista do Diario Olé (ARG)

Apesar de não sofrer mais com a pressão de nunca ter vencido a competição,o San Lorenzo não chega para esta Libertadores da melhor maneira possível. O time comandado por Edgardo Bauza perdeu três de seus principais jogadores: Angel (que bilhou recentemente no Sul-Americano Sub-20), Piatti e Gentiletti, atletas que nunca conseguiu substituir à altura.

No entanto, para encarar esta temporada, chegaram jogadores com trajetória de destaque. Blanco, vindo do West Bromwich (ING), Franco Mussis, do Genoa (ITA) e Caruzzo (zagueiro que jogou a final continental em 2012 pelo Boca Juniors (ARG), contra o Corinthians). Além deles, o meia Alan Ruiz retornou de sua passagem pelo Grêmio.

Com estes e mais alguns jogadores importantes como Torrico, Emmanuel Mas, Mercier, Ortigoza, Romagnoli, Barrientos, Cauteruccio e Mauro Matos, e a vasta experiência de um técnico que já venceu duas Libertadores (a última com o San Lorenzo e a edição de 2008, com a LDU), a equipe aposta novamente em uma boa campanha.

“El Patón”, como é conhecido o treinador, opta pelo 4-2-3-1 em busca de ofensividade. Edgardo Bauza também afirma que “sua equipe cresce nas dificuldades”. O lado positivo é a pouca distância que percorrerão nesta fase.

(Foto: Arte LANCE!)