icons.title signature.placeholder Felippe Rocha
03/04/2014
09:30

Se o Vasco pretende evitar o jogo da volta na Copa do Brasil e sair na frente na decisão do Carioca, o exemplo deste necessário esforço é dado pelo próprio técnico Adilson Batista. Após comandar o treino dos titulares em São Januário, nesta quarta-feira, ele embarcou no fim da tarde e chegou de noite em Manaus, juntando-se aos atletas que enfrentam o Resende, às 20h30. Estará à beira do gramado e volta ainda de madrugada para o Rio para dar treino aos titulares amanhã pela manhã, visando o clássico com o Fla. Ufa!

Este é Adilson. O treinador, que chegou no ano passado para tentar, em sete rodadas, evitar o já encaminhado rebaixamento do Cruz-Maltino, conseguiu dar apenas uma sobrevida. Mas, sob seu comando, o mérito de uma equipe ao menos regular. Se não operou o milagre, o treinador fez por onde para ter seu contrato prolongado. E, nesta temporada, vem liderando a equipe que se destaca pela organização, principalmente na parte defensiva.

O exemplar Adilson “joga junto” à beira do gramado e, nos treinos, conquista os jogadores com atenção a todos os detalhes e até algumas frases de efeito (veja abaixo), que representam a cobrança firme, mas de um jeito bem humorado. O atacante Re-ginaldo é um que tinha pouco espaço, vem aproveitando as chances e enaltece o trabalho do seu superior:

– Vejo um treinador muito preparado, que dá o máximo para nos passar as informações. Espero que isso se mantenha não somente para o Carioca, mas depois também. Espero que ele mantenha esse embalo.

E a manutenção desse ritmo e do exemplo de Adilson são essenciais para que o Vasco alcance os objetivos nesta importante temporada.

Estilo agrada jogadores

A relação entre Adilson Batista e os jogadores – como o próprio treinador costuma dizer – é de muito respeito e profissionalismo, mas vai além. Presente em muitos treinos recreativos, que costumam ocorrer na véspera dos jogos, ele lembra os tempos de zagueiro e, por vezes, até lança brincadeiras com seus comandados.

Nos treinos, orienta em relação a todos os detalhes. Mas é nos jogos que seu estilo agitado aflora de vez. Gritando, gesticulando e sem sentar no banco de reservas durante um segundo sequer, não são poucos os jogos que termina sem voz. o jeito do treinador é elogiado pelos jogadores, como Edmilson:

– Isso é bem legal. O Adilson vivencia o jogo a todo momento. Se deixar, ele quer até jogar. Mas ele está de parabéns pelo trabalho que vem fazendo com o grupo.

Fama de ‘Pardal’ ficou para trás

Ao que tudo indica, a fama de “Professor Pardal” que Adilson adquiriu nos tempos de Cruzeiro está ficando para trás. No comando do Vasco, raríssimas vezes ele “inventa” substituições incomuns e até mesmo esquemas mirabolantes. O time tem apresentado padrão e o treinador modifica, no máximo, uma peça no sistema tático: joga com três volantes ou com três atacantes.


Adilson Batista, 
o frasista da Colina

“O Jordi está ‘fora da casinha’. Depois nós vamos dar um remedinho para ele” - Se liga! Chamando a atenção do jovem goleiro, que fazia as vezes de jogador de linha  em um treinamento. “Isso mesmo. Está marcando bem, Dakson...” Ironia: O meia não acompanhou o lateral-esquerdo Henrique, que se deslocava após cobrança de escanteio. - “Bota a bunda lá atrás que vocês são o Resende!” - Atenção! Na segunda-feira, ao orientar o posicionamento dos juniores em cobranças de falta.

“Está pedindo para sair, hein, Montoya...” - Acorda, rapaz! -Cobrando a melhora do desempenho do meia colombiano durante trabalho tático.

“Vocês querem cortar cabelo e esquecem de pensar” - Cabeludo: Ao reiterar instrução para o lateral Eron, de cabelo irreverente, na atividade tática de segunda-feira.

“Para que isso, rapaz? Para que isso?” - Faz o básico! Cobrando o volante Danilo por tentar uma jogada de efeito, ao invés de simplificar o lance.

"Não... sem lançar, sem lançar. Simplifica..." - Orientando o zagueiro Rafael Vaz, que insistia nos lançamentos, mas errava quase todos.