icons.title signature.placeholder Murilo Dias
21/06/2014
14:40

O corpo de um dos maiores ídolos da história do Palmeiras foi velado neste sábado na sede social do clube alviverde. Coberto com bandeiras do Verdão e do Brasil, Oberdan Cattani recebeu homenagens de torcedores, amigos e familiares. José Carlos Brunoro, diretor-executivo do clube, e o ex-goleiro Emerson Leão também se despediram da Muralha, que faleceu na noite desta sexta-feira.

A presença de torcedores de todas as idades comprova que Oberdan Cattani, assim como Marcos, Leão e outros, não foi ídolo de uma só geração. Aos 95 anos de idade, ele era o único atleta vivo a ter jogando tanto com a camisa do Palestra Itália quanto com a do Palmeiras. Brunoro exaltou a importância do ídolo para a história do Verdão:

 - O Oberdan representa duas fases do Palmeiras. Duas fases vitoriosas, como Palestra e como Palmeiras. Então pra nós é uma imagem vitoriosa, uma imagem representativa. Uma imagem que marcou dois times, do Palmeiras e do Palestra. Acho que Oberdan foi o grande exemplo de goleiro do Palmeiras. A partir dele é que começa uma história de goleiros do Palmeiras. Ele foi fundamental. Pela representatividade, por tudo que ele jogou no Palmeiras, eu acho que ele foi um dos maiores.

Outro nome da Academia de Goleiros alviverde, Emerson Leão prestou suas últimas homenagens a Oberdan. Assim como muitos que estavam no velório, Leão demonstrou ser mais um fã da Muralha:

- Eu conheci o Oberdan em uma fase onde o Palmeiras era uma tradição de grandes goleiros e ele foi o precipitor de tudo. Pelo menos para o meu pai, palestrino, eu cresci ouvindo falar do Oberdan que era tão bom. Por coincidência, eu acabei ficando goleiro do Palmeiras também. Eu acho que essas dinastias foram ótimas para o Palmeiras porque teve Oberdan, depois passou por Valdir, por mim, por Marcos, então isso caracterizou o Palmeiras. Está na hora de chegar um quinto, para ter uma nova dinastia.

Oberdan era figura carimbada nas alamedas do clube do Palmeiras. Como sócio, transitava da mesma forma que outro palmeirense qualquer, mas a quantidade de abraços, pedidos de fotos e apertos de mão mostrava que ele não era apenas mais um, muito menos alguém comum. Era diferenciado e sua história comprova isto. Ele jogou no Palmeiras entre os anos de 1941 e 1954, e possui 351 partidas em seu currículo. De títulos marcantes, a Muralha estava no elenco campeão da Copa Rio em 1951, além de ser tetracampeão paulista e vencedor do Rio-São Paulo de 1951.

Um dos inúmeros torcedores que estavam presentes, Gilvan Santos Souza, 42 anos, declarou que não conhece muito da história de Oberdan. Porém, sabe que ele é grande e já o cumprimentou algumas vezes em caminhadas pelo clube. O torcedor ainda se lembrou do busto que o Palmeiras irá inagurar em homenagem ao ídolo.

- Eu sou sócio aqui do Palmeiras, então acompanhava ele pelas alamedas. Conheço um pouco da história dele. A homenagem do busto é justíssimas, deveria ter sido feito antes. Ele sabia, mas deveria ter sido feito antes. Obrigado, Oberdan, por tudo que você fez pelo Palmeiras - afirmou Gilvan.

Ao sair do velório, Leão ainda completou sua frase, revelando que Oberdan era duro com os novos goleiros, porque cobrava a mais da posição em que se consagrou.

- O Oberdan sempre se relacionava de uma forma dura conosco, porque ele sempre exigia mais do goleiro. Ele sempre queria que aquele fosse tão bom quanto ele. Eu não o vi jogar, só ouvi. Acho que cada um dentro da sua época fez o seu apogeu. Ninguém foi melhor do que ninguém, todos foram muito bons - finalizou.

O corpo de Oberdan Cattani seguirá no ginásio do Palestra Itália até às 16h deste sábado, e a partir disto seguirá para o cemitério São Paulo, para ser enterrado.