icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
11/11/2014
11:09

A decisão inédita da Copa do Brasil deste ano entre Cruzeiro e Atlético-MG consolidou uma recente hegemonia do futebol de Minas Gerais no Brasil.

Após o título da Libertadores do Atlético em 2013 e do Campeonato Brasileiro do mesmo ano pelo Cruzeiro,  os dois  clubes mantiveram um bom desempenho em 2014 com o Cruzeiro na liderança do Campeonato Brasileiro e o Atlético-MG em uma reação impressionante, especialmente no segundo turno.

E para coroar essa fase excepcional os clubes chegam à final da Copa do Brasil, para dois jogos que prometem ser eletrizantes.

O sucesso da dupla mineira comprova que o futebol brasileiro vive uma verdadeira histeria com a tese da “espanholização” do nosso mercado, por conta dos direitos de transmissão  negociados individualmente pelos clubes.

Além disso, os que acreditam que o Brasil viverá a realidade da Espanha com Corinthians e Flamengo conquistando todos os títulos defendem que essa superioridade virá não só em virtude do dinheiro da TV, mas também de melhores contratos de patrocínios  destes clubes.

Nesse momento os clubes mineiros estão provando que é possível ser eficiente com menos recursos disponíveis. O Atlético-MG em 2013 investiu R$ 146 milhões em seu departamento de futebol  e o Cruzeiro R$ 157 milhões. O Flamengo no mesmo ano teve custos com futebol de R$ 180 milhões e o Corinthians R$ 248 milhões.

Portanto esses números comprovam que não é somente com dinheiro que se conquista títulos importantes. Um bom projeto esportivo, investimento correto nas categorias de base, o bom aproveitamento de jogadores jovens formados em casa e a busca constante por eficiência esportiva nos recursos empregados são essenciais para um desempenho superior.

Outro aspecto importante que difere o mercado brasileiro do espanhol é a característica formadora e vendedora de atletas para o mercado internacional. Assim clubes com menos receitas com TV e patrocínios, podem complementar seus ganhos com as transferências e assim equilibrar as forças no nosso mercado.

Portanto a supremacia mineira atual no nosso futebol comprova que os clubes precisam buscar uma gestão mais eficiente dos recursos e criar projetos esportivos consistentes. A escassez de recursos para os clubes nos próximos anos pode permitir que outros exemplos mais eficientes surjam em nosso mercado, dificultando a vida dos clubes que mais arrecadam no Brasil.