icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
25/06/2014
14:33

A Copa do Mundo nesses primeiros dez dias de competição deu provas dentro de campo, de alguns conceitos de gestão muito interessantes que merecem análise. O modelo empregado por cada Liga, de cada país, apresenta resultados em uma Copa do Mundo.

A empresa Deloitte acaba de publicar os dados de 2013 nas receitas das Ligas Europeias e comparando com o mercado brasileiro e dos EUA é possível tirar várias conclusões iniciais. Mesmo com a Copa ainda com muitos jogos pela frente.

A Inglaterra figura no topo do futebol global com receitas de R$ 9,4 bilhões em 2013, seguida da Alemanha com R$ 6,5 bilhões, Espanha R$ 6,1 bilhões, Itália R$ 5,5 bilhões e França R$ 4,2 bilhões. Entre os emergentes apareceram na sequência a Rússia com receitas de R$ 2,9 bilhões, Brasil R$ 2,4 bilhões e Turquia R$ 1,8 bilhão.

No cálculo das receitas são consideradas somente os direitos de TV, marketing, sócios e estádios (sem transferências de jogadores) Como no Brasil não há uma Liga formal, como no futebol europeu, considerei o faturamento dos 20 clubes brasileiros em receitas em 2013.

A Inglaterra é sem dúvida o exemplo mais interessante para análise. Seus clubes contam com muitos estrangeiros, o que transformou a Liga, na mais rica e comercialmente atrativa do mundo do futebol. Mas isso não resultou em uma seleção forte, preparada para vencer um mundial.

A Alemanha, a segunda liga que mais fatura, apresenta outro modelo. O futebol sofreu uma grande reestruturação a partir da década de 90, buscou a qualificação dos profissionais e a implementação de um plano estratégico para alavancar o futebol de base e profissional, e o consequente sucesso de sua competição nacional.

Assistindo aos jogos da seleção alemã, o estilo de jogo é similar ao do Bayern de Munique, ou Borussia Dortmund. Um êxito para a Federação e para o futebol alemão, já que grande parte dos jogadores da seleção atuam em times da Bundesliga. A seleção atual, é a imagem perfeita do futebol praticado no país.

O mercado brasileiro caiu do sexto para o sétimo mercado mundial, em virtude do baixo crescimento das receitas em 2013 e da variação cambial do Real frente ao Euro. Perdemos espaço para a Liga Russa, mercado muito influenciado pela presença de magnatas no controle dos clubes, fazendo com o crescimento esteja muito influenciado pela injeção de capital nas equipes.

O Brasil também tem características bem particulares. É uma potência em Copa do Mundo, mas sua seleção não representa o estilo de jogo praticado em seu campeonato nacional. Os clubes brasileiros não têm os melhores atletas atuando no Brasil e por isso o nível técnico do nosso jogo está baixo.

Temos que aplicar um novo modelo de gestão,que incremente as receitas e capitalize os clubes para explorar seus melhores jogadores, não mais entregando seus diamantes brutos, para times estrangeiros explorarem. E potencial para atrair grandes craques estrangeiros ainda no auge.

Um desafio muito maior que a conquista do Hexa.