icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
26/02/2015
10:46

As cenas de um grave incidente de racismo no metrô de Paris antes da partida entre PSG e Chelsea pela Liga dos Campeões chocou todos, interessados ou não por futebol.

Uma pessoa negra foi impedida de entrar no vagão do metrô com torcedores do Chelsea, e ouviu todos os insultos racistas possíveis e imagináveis. A cena correu o mundo pelas redes sociais e mídia tradicional. O fato é inaceitável em pleno século XXI.

Esses torcedores do Chelsea visitavam um país vizinho e cometeram um ato racista como esse, distante do estádio e as cenas correram o mundo, manchando mesmo que sem querer a imagem do clube.

Pela lógica dos clubes brasileiros e fazendo uma analogia com os graves problemas de violência que enfrentamos no nosso futebol, esses torcedores não tem qualquer relação com o seu clube de coração, e o crime ocorreu longe do estádio, portanto um problema para a segurança pública resolver. Infelizmente nossos clubes sempre se posicionaram dessa maneira.

Mas pela lógica do Chelsea, clube empresa, com uma marca valiosíssima, grandes contratos e uma legião de fãs em todos os cantos do planeta foi bem diferente do que estamos acostumados. Para o clube de Londres, é de sua responsabilidade os atos racistas destes torcedores, mesmo em um país distante, dentro de um vagão de metrô.

O clube criou uma comissão de investigação em parceria com a polícia de Paris e com o apoio da Scotland Yard para identificar e punir os agressores. Até o momento foram identificados três torcedores que serão punidos pelo clube.

Enquanto durarem as investigações, os torcedores identificados estão proibidos de entrar no Stamford Bridge, estádio do clube. Caso haja evidências suficientes, os torcedores racistas podem ser proibidos com a exclusão por toda a vida do Chelsea.

A mensagem passada pelo clube é clara e mostra como se deve agir em casos como esse. O técnico do time José Mourinho foi veemente nas críticas duras a esses torcedores e falou que os valores dos Blues não admitem atos como esse. Inclusive o clube convidou Souleymane, o homem agredido, para visitar o Chelsea.

Esse ato do clube londrino comprova que é de responsabilidade do clube tudo que esteja associado a sua marca, direta ou indiretamente, independente do local ou distância do crime ocorrido.

Uma realidade bem diferente da praticada pelos clubes brasileiros na relação com as torcidas organizadas, que cometem atos gravíssimos há décadas, usam indevidamente e destroem as marcas dos clubes, geram um clima de terror por onde passam e são presenteadas com lugares marcados, ingressos mais baratos, ajuda para o transporte e outras benesses.

Se os clubes brasileiros quisessem, mudaríamos esse jogo. A Europa já mostrou o caminho há muito tempo.