icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
17/07/2014
13:46

A derrota para a Alemanha na semana passada teve um impacto muito forte na sociedade brasileira. O vergonhoso 7x1 manchou a história do futebol brasileiro e causou certo clima de questionamento e indignação sobre o futebol atual em todo o Brasil. Piorado ainda mais depois dos 3X0 com a Holanda.

A derrota amarga deve servir de marco zero para o início de uma nova perspectiva estrutural para o futebol brasileiro. Nosso mercado vive hoje infelizmente em um modelo exportador esgotado, com a prática de um futebol de nível técnico abaixo dos grandes centros mundiais.

A excessiva transferência dos nossos melhores jogadores trouxe recursos para os clubes, mas enfraqueceu o nosso produto futebol. A presença dos ídolos nos clubes foi essencial para o desenvolvimento do futebol brasileiro até a década de 70 e início dos anos 80. A Alemanha atual é o exemplo dessa realidade, já que boa parte de sua seleção atua na Bundesliga e não nos principais times europeus.

Na última década os clubes brasileiros faturaram R$ 4,6 bilhões com transferências de jogadores, o que foi essencial para sua manutenção nesse período. Mas as receitas de marketing, estádios e direitos de TV ficaram muito aquém de seu potencial. A falta de ídolos no mercado brasileiro foi muito prejudicial para o desenvolvimento dos negócios, para clubes e patrocinadores.

Segundo meus cálculos, somente em receitas inexploradas com os estádios nos últimos dez anos o futebol brasileiro deixou de gerar R$ 3,2 bilhões e muito mais do que isso em novos ganhos com marketing, em projetos que engatinham ainda no futebol brasileiro.

A diferença fundamental é que a pura transferência não gera tanto valor agregado para a cadeia produtiva do futebol. Já a presença dos ídolos aqui pode impactar em novas receitas, geração de empregos, renda e arrecadação de impostos.

Durante muito tempo repetimos o mantra que esse modelo exportador, ainda que prejudique no longo prazo nossos clubes, fortalece a seleção nas Copas, já que somos pentacampeões. Parece que depois do chocolate alemão e do baixo nível técnico da seleção, a teoria caiu por terra.

Assim, o momento atual é para repensarmos o futebol brasileiro de forma estratégica, estabelecendo prioridades de investimento e inteligência no desenvolvimento das ações. Estratégias eficientes nas categorias de base, projetos sociais por meio do futebol, são apenas alguns dos caminhos que temos que percorrer, assim como fez a Alemanha.

Nesse projeto estratégico tem que ser considerado a reciclagem dos treinadores brasileiros, modernização dos sistemas de jogo e utilização de métodos científicos de preparação dos futuros craques do futebol nacional. Tudo isso com clubes equilibrados financeiramente, competições bem organizadas e presença global.

E com o mais importante de tudo, seriedade e eficiência do uso dos recursos. Exatamente o que sobra no mais novo tetracampeão mundial.