icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
11/11/2014
06:04

Não há meio-termo com Fernando Silva. Quem o conhece ou o adora ou o detesta. Sua personalidade forte, a habilidade para negociar e o jeito bruto para falar em algumas ocasiões são traços marcantes de seu estilo destacados por quem o cerca ou com quem já trabalhou. O conhecimento futebolístico é exaltado por seus pares e menosprezado pelos opositores.

Depois de perder uma eleição, em 2001, e ser o homem forte do futebol do primeiro mandato de Luis Alvaro Ribeiro, ele tenta novamente concorrer ao principal cargo do executivo do Peixe. E apoiado justamente pelo ex-presidente, a quem disse ter sido traído no início de 2012, quando foi mandado embora.

Na chapa Mar Branco, Fernando Silva reúne diversos ex-gerentes do Santos com quem trabalhou entre 2010 e 2011, empresários e até o secretário de esportes do estado de São Paulo, Celso Jatene. Por pouco também não uniu o grupo do (ex) rival histórico, Marcelo Teixeira, com quem fechou aliança que durou apenas um dia.

Engenheiro químico, com especialização em Harvard e na Fundação Getúlio Vargas, ele já passou pelo mercado de eventos / ingressos (T4F e BWA), prestou consultoria a clubes menores (Santa Cruz e Monte Azul-SP) e viveu o ápice pessoal e profissional como assessor da presidência do Peixe por dois anos, com quatro taças, sendo a da Libertadores a mais importante. Agora, ele quer mais. E diz estar melhor.

Assim como os seus quatro adversários na eleição de 6 de dezembro, ele visitou a redação do LANCE! e concedeu entrevista de uma hora, a qual você confere abaixo:

Em 2010 um cargo remunerado foi criado para você fazer parte da direção do clube. A alegação era de que você não poderia trabalhar para o Santos voluntariamente por questões financeiras. Como será agora, caso você seja eleito?
Não vou me dedicar exclusivamente ao Santos. Vou me dedicar também à minha empresa e, paralelamente, com minha equipe administrar o clube. Pretendo conciliar as duas atividades, porque precios trabalhar.

Então sua ideia é não estar todo dia no clube?
A presença do presidente é importante em Santos e (na subsede) em São Paulo, mas não pode ser centralizador. Temos uma equipe bem preparada, muito capaz, que pode absorver as várias áreas do organograma.

Já está definido quem serão essas pessoas?
Sim, temos as pessoas que vão ajudar no primeiro momento e as pessoas-chaves que atuarão na administração e no planejamento estratégico. Nós temos um organograma que foge um pouco do que está no Santos, temos consultado pessoas especializadas em estatuto, que disseram que ele não precisa ser mudado. Vamos trabalhar com gerência de futebol, de esporte, administrativa-financeira, comercial, de marketing e de planejamento estratégico.

Mas as superintendencias são estatutárias...
Vamos adequar o nome à função, o importante são as atividades relacionadas ao "quadradinho" no organograma. Talvez não tenha o superintendente com esse nome.

Por que essas mudanças? O sistema atual é ruim?
Não funciona e é caro, não dá agilidade. O Santos está olhando para o pé, está terceirizando, tem uma comunicação sofrível, por exemplo... Tem que olhar para o futuro e eles estão olhando para dentro. As funções são mal desempenhadas e o clube está parado para ver o que vai acontecer.

O Santos vem atrasando salários, pagamentos a fornecedores e outros problemas financeiros. Há um plano emergencial caso você vença a eleição?
No curto prazo vai ser uma batalha dia a dia, com contas a pagar e esqueletos pulando do armário. Não é diferente da situação que encontramos em 2010. Teremos que chamar os credores, conversar com o mercado, ver um patrocínio estático e institucional o mais rápido possível. Temos que criar receitas nova, conversar com CBF, Globo e ver o que pode ser feito. Milagre não tem. Vamos ter uma equipe de credibilidade perante ao mercado, que vai passar a atrair investidores para vencer esses seis meses que serão difíceis.

Os principais banqueiros e executivos renomados que eram seus aliados em 2010 estão com a situação, do candidato Nabil Khaznadar. Mesmo sem eles, você tem esses "nomes de peso"?
Sim, é uma equipe de peso no mercado financeiro e de relacionamento. Uma coisa que pecamos no primeiro mandato foi não ter essa interface entre Comitê de Gestão com o associado e o Conselho Deliberativo. É importante dar informação. Gosto de estatística. Você sabia que a renda per capta do torcedor do Santos é a maior entre os clubes brasileiros? E é o torcedor que está mais engajado com o clube. Temos um potencial grande de receita se acertarmos no produto. Rapidamente temos de tentar virar essa roda que hoje é desfavorável.

Acredita que no primeiro momento terá de contrair empréstimo ou vender jogadores para fazer caixa?
Tem jogadores que devem ser negociados e outros que a gente vai trazer. Temos que tirar uma fotografia do que está lá e vamos precisar de parcerias. A gente criou um modelo que os parceiros deixavam um percentual de entrada e ficávamos com a opção de compra, isso foi bem utilizado quando vieram Danilo, Alex Sandro, Zé Love, jogadores que deram retorno. Nessa gestão pagaram o João Pedro, fizeram o oposto, pagaram a vitrine, pagaram o passe (sic) e foi uma das piores negociações. O pior se chama Leandro Damião.

O Damião foi comprado numa operação financiada pelo Doyen Sports. Esse tipo de parceria não é viável?
É totalmente desinteressante, um negócio que seu parceiro não toma risco não é normal. Normal é trazer jogador e assumir o mesmo risco junto com o parceiro. A Doyen não tem risco nenhum. Até hoje o Conselho Deliberativo não sabe as garantias desse empréstimo. Possivelmente se deu garantias.

No Conselho foi dito que eram costas de TV...
O clube não justificou como cota, se fosse teria que passar pelo Conselho, já que não pode endividar mais de 30% da receita sem passar pelo Conselho. Tanto é que a atual diretoria fez reunião pedindo para antecipar receita. Ela deveria fazer o mesmo no Damião. Não se sabe que garantia foi dada.

A relação com o Doyen será rompida por você?
O Santos deve manter relação com qualquer fundo de investimento que seja legal. O modelo do Doyen nesse caso é que não é interessante. O modelo do Felipe Anderson, quando eles compraram os 50%, estávamos com dificuldade na renovação e eles pagaram uma parte do salário, foi bom para nós e para o jogador também.

Você já conversa com algum grupo de investimento?
Já conversamos com instituições financeiras, fundos, agentes, para ver como vamos equacionar o problema financeiro nos primeiros meses.

O Santos recebe menos da TV que seus rivais e tem poucos jogos transmitidos. O que você pretende fazer quanto a isso?
É uma briga que vamos comprar certamente, temos que adequar o contrato de televisão, considerando televisão e internet. Transmitir jogos pela internet está previsto no contrato e representa uma receita importante. Pretendo abordar esses dois termos rapidamente. Divido o mercado em dois tipos de clube: os que vão faturar mais de R$ 150 milhões no ano e os que vão faturar menos. Basicamente R$ 50 milhões vem de TV, outros R$ 50 mi. da área comercial e o outro terço de arena. A Vila não comporta R$ 50 milhões, por isso tem que reavaliar o conceito de Arena. Direito de TV, a mesma coisa. Precisamos readequar o contrato.

Por falar na Vila Belmiro, quais são seus projetos para o estádio?
Esse é um tema que jogaram para baixo do tapete, principalmente nesses três últimos anos. O Santos ficou inerte, perdeu o boom da Copa do Mundo. Só o Santos e o Vasco não vão ter Arena. Estamos três, quatro anos atrasados. Vamos fazer uma ampla pesquisa com o torcedor, visado descobrir onde deve ser nosso estádio e qual o tipo de modelo que devemos seguir. Pela minha experiência, o Santos tem que se readequar em três mercados: revitalizar a Vila Belmiro, ir para onde está a maior torcida, no mercado de São Paulo, e transformar a desvantagem de não ter uma arena fixa em algo competitivo. O Corinthians tem que jogar no Itaquerão, o Palmeiras no seu estádio, e o Santos vai ter a possibilidade de ir a mercados diferentes. Com isso, se recicla e aumenta a torcida. A maior parte da nossa torcida tem mais de 50 anos de idade, e o clube sofre o risco de a torcida sair da estatística. O Neymar deixou mais de 1 milhão e meio de torcedores com 7 ou 8 anos, então temos que ter ações para fidelizar esses torcedores. Precisamos de ações mercadológicas e novos mercados para aumentar sócios e a fidelização deles.

Acha interessante participar da licitação do Pacaembu?
O Pacaembu tem a cara do Santos. O mercado de eventos está difícil em São paulo depois do estádio do Palmeiras. A parceria com o Pacaembu é interessante. A maior fonte de recursos lá é o estacionamento subterrâneo. O Santos deve liderar isso e ser procurado por parceiros que querem investir.

O secretário de esportes Celso Jatene, que está na sua chapa, pode ajudar?
Não vai ajudar em nada. Ele é um grande santista, mas uma coisa é ser secretário outra é ser santista. Ele tem se mostrado neutro, trata o Santos como cliente quando joga no Pacembu.

Mas é economicamente viável? O Santos tem tido pouco público nos seus jogos.
O Santos é um time de massa, tem que adequar o preço de ingresso também. Já vi o clube botar 40 mil pessoas no Pacaembu num sábado de Carnaval. O Santos tem se que acostumar a jogar aqui. Hoje decide de última hora. Acho que tem que equilibrar entre Vila Belmiro e Pacaembu.

Além do preço do ingresso, que você citou, o que mais pode ser feito para atrair público?
A diretoria deve promover ações. Mas se for fazer análise da mídia, só se publica coisas negativas do Santos, a torcida está desencantada, precisa chacoalhar. Só tem noticia negativa! (Venda do) Neymar, Damião, nada joga para cima. Tem que mudar esse ciclo e trazer a torcida de volta. Não sei se é segurança, preço ou conforto, mas a torcida reclama de conforto na Vila, mas acho que é mais do que isso, algo vai aparecer na pesquisa que faremos.

E seus planos para a Vila Belmiro?
É revitalizar, ter jogos importantes lá, possivelmente tirar a administração de lá e gerar receita. A Vila é sagrada, temos que vender esse produto com jogos de futebol. Uma Vila com outra roupagem.

Como assim tirar a administração?
É um projeto, porque ali na Vila temos um espaço nobre, que pode ser usado como teatro, restaurante, museu, e gerar fluxo, gente. É um projeto que se for credenciado por números, pode gerar receita. Eu tive recentemente numa apresentação do nosso plano de governo no Vasco da Gama e fiquei impressionado como o clube está organizado. Lá eles fizeram isso: cederem uma parte do terreno para a iniciativa privada, reformaram e geraram receita para o clube e benefício para o associado.

Sua ideia é tirar a sede da Vila e levar para onde? São Paulo?
A sede do clube é em Santos, a subsede é em São Paulo. Podemos usar mais a subsede, porque o mercado está na capital, tendo mais reuniões lá.

Pensa na Vila como um alçapão ou mais como um estádio-boutique?
Gosto do alçapão, não conheço todos os projetos de revitalização, mas isso vamos ver quando os números estiverem no papel, temos de analisar o que der mais lucro. A pressão na Vila era dada pelo alçapão, pelo torcedor perto da bandeira do escanteio e da lateral. Tem que se levar em consideração a pressão do adversário, sou pela revitalização de outras áreas e do alçapão também.



Você é a favor do Comitê de Gestão?
O modelo do Comitê não é incompatível. Quando se concebeu o Comitê, a ideia era um conselho de administração. O Comitê não é para estar no executivo, para decidir a cor da caneta e sim ajudar na decisão estratégica. Determinaremos alçadas nas quais o Comitê será chamado a vir para colaborar. Não vejo incompatibilidade estatutária com o que a gente pretende. O Comitê foi um grande ganho para a democracia interna, esse estatuto que permite que o Santos tenha pluralidade, discussão democrática e o Santos ganha com isso. O presidente tem que chamar o Comitê para receber conselhos, e discutir o planejamento.

Como vê a relação entre clubes e a CBF? Pretende liderar um processo de mudança?
Se vou liderar não sei, mas estarei no grupo que vai estuar imediatamente a mudança no calendário. Do jeito que está é a falência dos clubes. Ele não dá oportunidade de receitas aos clubes.

O futebol do Santos hoje é gerido por um tripé que tem o André Zanotta (superintendente de esportes), o Sandro Orlandelli (scout) e o Zinho (gerente de futebol). Como avalia o trabalho deles? Pretende mantê-los caso eleito?
Primeiro a gente vai analisar o que eles estão fazendo lá. De fora o custo é muito alto. Temos que reavaliar, mas tenho boas referências dos três, apesar de não terem grandes trabalhos em grandes clubes. O Zinho tem experiência, o Zanotta, não. Já o Orlandelli não teve passagem feliz no Atlético-PR, mas trabalhou no Arsenal (ING). Vamos reavaliar isso e dentro do organograma adequá-los ou não.

O cargo de scout seguirá existindo?
Acho que quanto mais informação se tem, mais chance de ter sucesso. O futebol está diferente. Quanto mais preparo e informação, suporte se der ao atleta e a comissão, mais chance se tem de ter de sucesso.

Você, quando assessor da presidência, fez algumas contratações sem sucesso. Um scout naquela época teria evitado isso?
Eu gosto de discutir custo-benefício. O Ibson, por exemplo, foi um jogador que participei pouco da negociação, mas cada técnico que chegava listava três jogadores e um deles era ele. Talvez tenha faltado um pouco de informação sobre como ele estava na Rússia. Já o Rodriguinho foi dentro do nosso perfil: salário pequeno. Ele se pagou substituindo Arouca na final da Copa do Brasil. Outro jogador: o Marquinhos. Se ele não tivesse feito aquele gol de falta (na final da Copa do Brasil de 2010) talvez o Neymar demorasse mais para decolar, porque bateu um pênalti de cavadinha quando estava 1 a 0. Sempre vai ter erros, mas não pode custar caro financeiramente.

Acha que terá que fazer muitas mudanças no elenco e na comissão técnica?
O futebol tem boa base, com garotos para subir. Com uma, duas ou três contratações deixaremos o time mais competitivo. Falta mais pegada, mais alegria, encaixar mesmo, mas a base é boa.

Como vê a relação com a Teisa?
É um fundo de investimento importante para o Santos. Vamos ver com outros credores, quais situações reais se encontram. São mais de 30 investidores no grupo e devo conhecer quase todos, não teria dificuldade em readequar a participação do fundo.

Recentemente o Santos contraiu um empréstimo com a Teisa. Acha que ela tem de ser usada assim também?
A Teisa tem que ser utilizada ao que se propôs: comprar jovens e ter lucro com isso. Não é para suprir rombo de caixa por má administração.

E a venda de parte de atletas do elenco, como foi feito com o Rafael, por exemplo?
É uma alternativa, desde que se faça uma avaliação correta do ativo e do dinheiro que estão colocando. Pode trazer jogador de fora ou ele já estar no Santos. Tem que ser justo para ambos os lados.

Você gosta do Enderson?
Acho que foi uma boa contratação, o perfil dele me agrada, assim como outros nomes que me agradam. Se derem condições a ele, acho que é um bom potencial para ser um técnico de ponta.

O Santos teve um rápido crescimento no quadro associativo, mas estagnou. A que atribuiu isso?
O programa de sócio está abandonado. Precisa ser revitalizado, criar bonificação ao torcedor, dar o poder de voto a distância, não só preferência na compra ingresso.

Mas você foi contra o voto a distância.
Vamos colocar a apreciação do voto à distância desde que se reconstrua o banco de dados. Votei contra por causa do banco de dados. Se a eleição fosse hoje, estaria 6 mil a zero para a situação por causa do banco de dados da CSU. Um conselheiro provou que tinha erro. Aliás, o serviço da CSU deixa a desejar, temos que reavaliar o contrato.

Como viu a terceirização de alguns departamentos pelo clube, como a comunicação e parte do jurídico?
Quando se terceiriza algumas coisas voltam para trás, como a Santos TV. Se você botar salário por salário e tiver uma pequena redução, pode se deixar uma conta descomunal de clientes e sócios e sair perdendo. Pretendo reverter.

A que atribui a falta de patrocínio master há quase dois anos?
Total inabilidade e desconhecimento de mercado. Nesse período o clube teve pelo menos três propostas e negou todas achando que teria melhores. No fim, ficou sem nada. A gente já conversou com duas ou três empresas interessadas em investir no Santos. O mercado vai estar mais receptivo se vencermos, porque o Santos criou em si uma figura de não entregar o que combina.

O que o clube combinou e não ofereceu?
Diversas coisas que o patrocinador exige que você vai colocando dificuldade e vê o patrocinador como inimigo. Patrocínio é mais do que camisa, é uma relação ganha-ganha, o patrocinador quer ver o resultado da inserção da marca rapidamente.

Você tem outras propostas para o marketing além de buscar patrocínio master?
Vamos dividir essa área em grandes negócios, parcerias, coisas grandes, e o marketing do dia a dia. Criação dentro da caixinha de planejamento estratégico ele amadurece lá e depois vira produtos. Vamos pela área de novos negócios.

Essa diretoria cortou diversos cargos e você parece caminhar em outro sentido, de aumentar o quadro de funcionários. Como fazer isso com os atuais problemas financeiros?
Essa é a diferença de quem já esteve no futebol. Ousadia para crescer é o nosso lema. Acertar mais do que errar, não ficar na mesmice. Tem que ter capacidade para modernizar e ousadia para ir além. Algumas empresas que sofrem problemas cortam o setor de vendas, quando na verdade se tem que duplicar as vendas. Tem que ir ao mercado, não olhar para o pé.

Mas você vê onde reduzir gastos também?
Tem que adequar os salários, estão fora do padrão. Tem que adequar isso com contratações e dispensas, até a folha admnistrativa.

Já no início do mandato?
Logo que a gente assumiu, em 2010, chamamos Léo, Rodrigo Souto, Fábio Costa... Vamos ter que ter uma nova conversar e readequar os ganhos.

Ter o empresário Flávio Pires, que intermediou o contrato entre Santos e Nike, como um aliado não pode criar um conflito de interesses no momento de negociar o próximo fornecedor de material esportivo do clube?
Acho que o Flávio tem outras atividades, ele ajudou o Santos, mas tem que olhar o mercado e ver o que for melhor. Vão vir propostas e vamos avaliar o que é bom para o Santos. A Nike é líder mundial e valoriza a camisa do Santos, mas sempre o resultado econômico fala mais alto.

A base do Santos é muito badalada, mas ainda há o que melhorar. Como viu a mudança de metodologia recente e a dispensa de diversos atletas?
É o modelo da pirâmide, começa com muita gente e vai afunilando. Desconheço a metodologia atual, mas acho que é por ai, dar continuidade no sub-11, 12 e afunila para acompanhar. A captação piorou muito. A parada do Projeto Nave paralisou a captação de novos jogadores. Hoje está na mão de empresários, precisamos avaliar os níveis de direitos econômicos também, trabalhar 80% ao clube no início, migrar para 70% e ter no mínimo 60% quando o jogador despontar. Em 2010 pegamos o clube com média de direitos econômicos de 44% e deixamos com 73%.

Você pretende recontratar o Luis Fernando de Morais, ex-gerente da base que é ligado ao seu grupo?
Ele é um gerente que só posso falar bem. Se ele aceitar poderá voltar a trabalhar com a gente será ótimo. Ele estará como conselheiro, é uma decisão dele.

Se você teve tantos bons resultados no futebol, por que não seguiu no mercado, em algum clube de Série A?
Fui entrevistado pelo Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, que não sabia da minha ligação com o Santos. Quando falaram a ele, o Paulo me agradeceu e dispensou. A questão clubística é muito forte, estar atrelado a essa origem me inviabilizou de trabalhar em grandes times. Acho que isso ainda vai mudar, mas ainda não é o momento

Você mostrou chateação com o Luis Alvaro quando ele te demitiu em 2012. O que mudou para hoje estar ao lado dele?
A gente estava orgulhoso com as conquistas obtidas, tudo encaminhava para assumir a superintendencia quando surgiu um golpe pelo poder. Eu era no momento um empecilho, eles (membros do Comitê de Gestão) envolveram o Luis Alvaro e conseguiram a minha saída. O Luis Alvaro viu que tinha tomado a decisão errada, teve problemas, sofreu e todos sabem o que aconteceu. Quando ele soube da minha candidatura, me ofereceu o apoio e a gente chegou à conclusão que esse apoio dele ajudaria. As pessoas nas quais ele acreditou o traíram, mas o tempo passa e a gente segue em frente.

Ele estará na sua gestão?
Não, é um apoio pontual, ele não me pediu nada e eu não ofereci nada a ele. Sei que a hora que eu quiser ligar ele vai me atender com boa vontade. Até ter uma interferência na gestão é uma diferença grande...