icons.title signature.placeholder Leo Burlá
04/03/2014
11:00

As 12 sedes que receberiam jogos da Copa do Mundo de 2014 foram anunciadas em 31 de maio de 2009. Passados 1.738 dias e a exatos 100 do pontapé inicial da competição, quatro estádios ainda não foram entregues: Arena da Amazônia (AM), Arena da Baixada (PR), Arena Corinthians (SP) e Arena Pantanal (MT).

A entrega tardia destes quatro estádios deveu-se a problemas envolvendo o modelo de financiamento, notadamente nos casos dos estádios do Corinthians e Atlético Paranaense.Os problemas com liberação de verbas e o modelo de governança adotado deixaram a Arena da Baixada na marca do pênalti. Após ameaças, o estádio do Furacão foi confirmado no torneio em fevereiro, após relatórios apontarem progressos físicos e autoridades assegurarem que os recursos necessários seriam destinados à conclusão.

Em Cuiabá, suspeitas na licitação das cadeiras e um incêndio que danificou estruturas no subsolo retardaram o ritmo. Já em Manaus, além da demora na assinatura do contrato com a construtora Andrade Gutierrez, a Arena da Amazônia foi palco da morte de dois operários que trabalhavam na obra. O fato destes estádios não terem sido entregues gera apreensão nos corredores da Fifa.

Internamente, existe o temor de que não haja tempo para os testes e ajustes necessários. Na visão de Ricardo Trade, CEO do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo-2014 (COL), no entanto, há prazo suficiente.

O prazo de entrega exigido pela Fifa era dezembro de 2012. Apenas Castelão e Mineirão cumpriram com o acordo.

Seis mortes

Desde que as 12 novas arenas começaram a ser erguidas, o Brasil computa seis mortes em obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014.

Na Arena da Amazônia, em Manaus, três acidentes fatais vitimaram operários: Raimundo Nonato Lima da Costa, Marcleudo Ferreira e Antonio José Pita Martins perderam suas vidas enquanto trabalhavam.

Na obra da Arena Corinthians, mais tragédias. Em novembro de 2013, o operador de guindaste Fábio Luiz Pereira e o montador Ronaldo Oliveiras dos Santos morreram após o tombamento de um guindaste que levantava uma peça da cobertura do palco da abertura do Mundial de 2014.

Durante a obra no Mané Garrincha (DF), o ajudante de carpinteiro José Afonso de Oliveira Rodrigues, de 27 anos, caiu de uma laje do estádio, cuja altura estimada era de 40 metros. O funcionário morreu  minutos depois de sua queda.



Arena da Baixada
Na época do início da remodelação, o estádio do Atlético-PR era considerado o mais moderno do Brasil. O modelo de financiamento adotado, no qual os custos são repartidos integralmente entre Governo, clube e Prefeitura de Curitiba,tornaram o ritmo de contratações e repasses de verbas mais lento. O estádio, cujo orçamento final deverá girar em torno de R$ 330 milhões, esteve ameaçado de ser riscado da Copa do Mundo.

Arena da Amazônia

O contrato com a construtora Andrade Gutierrez foi assinado em 2010, mas o estádio enfrentou problemas no ritmo de sua obra, ao ponto de ser considerado por Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, como a obra mais preocupante de todas. As obras foram aceleradas, mas ficou marcada pela morte de três operários. Inauguração do estádio está marcada para o dia 9 de março, com o jogo Nacional (AM) x Remo (PA), válido pela Copa Verde.

Arena Pantanal

A obra teve início em 2010, mas diversos problemas retardaram a finalização do estádio. Em março de 2013, a construtora Santa Bárbara declarou falência e saiu das obras da Arena, até então tocadas com a Mendes Júnior. Durante o processo, a licitação das cadeiras do estádio foi cancelada. No ano passado, um incêndio afetou uma estrutura no subsolo do estádio, que tem custo de R$ 519,4 milhões. A Fifa garante que a Arena é segura.

Arena Corinthians

Inicialmente, o Morumbi seria o estádio paulista na Copa. Com o apoio do ex-presidente Lula, o Timão obteve apoio para construir sua casa e receber a partida inaugural do torneio. O contrato com a Odebrecht foi assinado em 2011, mas a obra teve problemas com a assinatura de contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para o
financiamento do estádio. A inauguração da Arena está marcada para abril.


Com a palavra

Ricardo Trade, CEO DO COL, EM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO LANCE!Net

‘Tenho 290% de certeza que estarão prontos’

O fato de as equipes do Comitê Organizador Local estarem trabalhando dentro dos estádios nos dão um maior controle e a segurança de que todos serão entregues em tempo.

Fizemos um cronograma para a entrega do que é necessário, nos aproximamos mais das pessoas responsáveis pelas obras e temos nos falando diariamente.

Então, pelo estágio em que estão as obras, essa nossa aproximação com os responsáveis pelos estádios e o fato de ter gente do Comitê morando lá dentro faz com que tenhamos segurança e um acompanhamento real de tudo o que acontece.

Mas os estádios vão ficar prontos. Tenho 290% de certeza.

Agora, precisamos entender também que alguns problemas ocorreram, como o lamentável acidente com o estádio do São Paulo.

As dúvidas sobre o término das obras são comuns e não só no Brasil. Por exemplo, todos diziam que os africanos  não entregariam a Copa, mas eles entregaram.

Estou tranquilo, temos uma equipe boa e as cidades estão com vontade de fazer um belo espetáculo. Faremos  melhor do que fizemos  na Copa das Confederações.