LANCE!
09/06/2017
11:35
Rio de Janeiro

Explosivo, temperamental, irritadiço, uma bomba-relógio. Heleno de Freitas é considerado o primeiro craque-problema do futebol brasileiro. Era capaz de lances geniais, mas perdia a cabeça e era expulso com facilidade. Foi um dos maiores artilheiros da história do Botafogo, onde atuou de 1940 a 1948, marcou 204 gols e disputou 233 partidas, o que o credencia como um dos homenageados pela TIM, patrocinadora dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, como craque TIM 4G do passado.

Bonito, charmoso, bem educado - era advogado -, Heleno foi o símbolo de um Botafogo guerreiro, que não se entregava. De boa família, estudou no tradicional Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, e se formou em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. A habilidade e o faro do gol, no entanto, o levaram para os gramados.

Os adversários sabiam que ele era pavio-curto. Uma forma de provocá-lo era o chamando de “Gilda”, nome de uma personagem da atriz norte-americana Rita Hayworth, em filme do mesmo nome, uma das “musas” de Hollywood na década de 1940. Como esperado, a brincadeira deixava Heleno muito irritado, o que o levava a ser expulso com frequência. Numa partida contra o Madureira, em 1942, por exemplo, ele e Lelé se pegaram e criaram a maior confusão. A polícia teve de ser chamada para separar os dois. Foi apenas uma das inúmeras brigas do atacante em campo.
Fora das quatro linhas, no entanto, Heleno era um galã e um gentleman. Figurava por cassinos e clubes da alta sociedade, tinha ternos costurados pelo alfaiate de Getúlio Vargas e um cadillac na garagem. Fazia sucesso com as mulheres. Saía para curtir a noite durante a semana, sem se importar se tinha treino ou não no dia seguinte e frequentava as melhores boates do Rio de Janeiro.

Heleno chegou ao Botafogo com a responsabilidade de substituir o ídolo Carvalho Leite e logo conquistou a torcida. Embora não tenha conquistado nenhum título com a camisa alvinegra, é o quarto maior artilheiro da história do clube. Em 1948, foi vendido ao Boca Juniors (ARG), depois voltou ao Brasil e foi campeão estadual no Vasco, em 1949.

Fez 18 partidas com a camisa da Seleção Brasileira, marcando 15 gols. Chegou a ser artilheiro do Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1945 - que corresponde à atual Copa América -, com seis gols.

Atuou pelo Atlético de Barranquilla, da Colômbia, onde chegou a atrair fãs como Gabriel García Marques. Mas a vida de boêmio começou a precipitar o fim da carreira dele. Com sífilis cerebral, contraída por ter se envolvido com várias mulheres na vida boêmia, e viciado em éter e lança-perfume, ele voltou ao Brasil, fez alguns treinos pelo Santos e pendurou as chuteiras aos 31 anos, no América, já doente, jogando apenas 20 minutos no Maracanã. Chegou a negociar com o Flamengo, mas se desentendeu com os futuros companheiros em um jogo-treino e foi vetado. Morreu aos 39 anos, no dia 8 de novembro de 1959, desfigurado, em um hospício - o sanatório de Barbacena (MG), onde passou os últimos seis anos de vida.

A história de Heleno de Freitas foi contada no livro "Nunca houve um homem como Heleno", do jornalista Marcos Eduardo Neves. A obra foi retratada também no cinema, com o filme "Heleno", protagonizado por Rodrigo Santoro.

Patrocinadora de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, a TIM homenageará até o fim de 2017 jogadores do passado dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, que, de forma geral, apresentaram os atributos “G” (Garra, Gênio, Gigante, Grandeza) quando atuavam. Periodicamente, contaremos um pouco da história destes craques e o motivo deles terem sido escolhidos. Afinal, os quatro maiores times cariocas merecem a maior cobertura 4G do Rio e as melhores histórias para serem compartilhadas.