Alejandro Resnicoff na quadra central do Brasil Open em 2014

FOTO: ATP

Tênis News
24/02/2016
15:37
São Paulo (SP)

Eles têm três minutos para transformar dores em motivação para que tenistas mostrem sua arte. Entretanto, pouco fãs do esporte conhecem sobre o real trabalho da equipe de fisioterapia da ATP.

E para conhecer melhor este trabalho, conversamos com o argentino Alejandro Resnicoff, um dos 15 terapeutas que trabalham no circuito viajando por todo o mundo para prevenir, cuidar e tratar de todos os atletas do circuito profissional.

Há seis anos trabalhando para a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e há 19 no tênis, Resnicoff foi tenista quando jovem , mas conta que optou pelos estudos da fisioterapia por outras razões não ligadas a qualquer esporte. "Para ser sincero, nunca pensei em trabalhar com tênis, esporte, com jogadores em individual como já fiz, mas as coisas foram acontecendo", contou.

Fluente em português, português mesmo nada de portunhol, italiano, e obviamente em espanhol, Resnicoff é poliglota como a maioria dos profissionais do circuito para tornar ainda mais fácil a vida dos jogadores em todo o mundo.

"Somos fisioterapeutas. Antigamente não era assim na ATP, eram todos trainers. Inclusive na TV falam isso sempre quando estamos em quadra, mas não existem mais traines. Temos uma formação diferentes", iniciou Resnicoff falando sobre sua função no circuito mundial.

"Cuidamos dos jogadores durante os torneios, ou seja: antes, durante e depois dos jogos. Tanto as lesões que venham a ter como em nível preventivo em função do jogo ou da carga do jogo. Também das viagens", prosseguiu o argentino que contou que o fato de conhecerem a todos os jogadores a muito tempo isso facilita na resolução de um "problema que possa surgir" ou na prevenção de um pré-existente.

Resnicoff revela que a equipe de fisioterapeutas da ATP trabalha basicamente com a prevenção, seja ela dada no aquecimento para uma partida a até, inclusive, preparar planos de curto, médio e longo prazo em "função de alguma deficiencia que o jogador possa apresentar. "A gente avalia, faz um plano e dá a ele ou mesmo plano de recuperação de lesão 'aguda' ou que ocorra em função de alguma carga excessiva", comentou.

O trabalho de Alejandro Resnicoff e seus colegas realmente aparece quando são chamados à quadra em virtude de algum problema com os tenistas e em 'milagrosos' três minutos solucionam praticamente todos os tipos de problemas. O argentino falou sobre a pressão do momento em quadra: "De fato a gente trabalha com pressão Pois quando se está na quadra sempre se trabalha com pressão.
Lidamos com isso o tempo todo. Quando um jogador te chama na quadra a gente tem que seguir um regulamento que temos, que consiste basicamente em fazer uma avaliação o mais rápido possível. Porque há outro jogador na quadra e o jogo precisa ficar parado menos tempo possível, para evitar prejuízo para o outro jogador. E nesse período, decidir se vai tratar ou não, essa lesão, também com base no regulamento. Existem lesões que podem ser tratadas e outras que não podem ser tratadas", esclarece.

Resnicoff ainda pontua: "A gente lida com a pressão o tempo todo. E também tem uma coisa que sempre está ali é até você chegar e ver, você não sabe se é uma lesão legítima ou não. Por isso, a avaliação tem que ser muito precisa".

O argentino conta que havendo possibilidade de tratamento da lesão, os três minutos são suficientes. Alejandro também destacou que as lesões que são tratadas em quadra são as que realmente melhorarão neste pequeno período de tempo. A ideia, segundo o fisioterapeuta é que o jogador volte melhor para um bom jogo.

Alejandro contra que eles, enquanto profissionais, podem sugerir aos atletas que se preservem, até mesmo para sair de um jogo, mas pontua que "a decisão final é sempre do jogador. Tanto a de se retirar como a de continuar. O que podemos a gente pode orientá-lo é que de acordo com o problema que ele pode vir a ter em razão da lesão ou se pode se agravar no jogo. Sempre alertamos os prós e contras", revelou.
Ainda de acordo com o profissional argentino, em casos de inconsciência ou mesmo um problema em que o tenista não "teria a claridade mental para compreender a própria situação", são outros profissionais do staff da ATP que decidem, sob orientações dos fisioterapeutas.
O fisioterapeuta contou ainda que uma das maiores queixas dos jogadores no pós jogo são dores e desgastes causados pela carga física do jogo em si. Entretanto pontuou que as condições do torneio tornam as reclamações comuns àquela semana e deu exemplos.

"Você tem um torneio que se joguem lugar quente, ou em um dia de muito calor, no saibro, e tem dois jogadores que jogam rallies longos e fazem três horas de jogo. Aí no mesmo torneio um jogo com dois sacadores, que definem na segunda bola. No primeiro caso será uma série de demandas causadas pelo desgaste físico. No outro, pode gerar necessidade de trabalho com uma patologia (lesão) específica", exemplificou.

O argentino contou como é a vida no circuito viajando mais de 30 semanas por ano ao redor do mundo: "É bom, mas cansativo. Todos nós da ATP, não só fisios, temos as mesmas dificuldades viajando, a maioria de nós tem família, então é muito duro. Mas temos um entrosamento muito bom entre nós. Trabalhamos com um time muito bom e isso nos ajuda para que tudo flua melhor. Em qualquer escritório ou ambiente de trabalho tendo o clima positivo, as coisas são sempre melhores. A gente diz que temos o privilégio de trabalhar com o que a gente gosta e no que sempre desejamos. No que é o melhor do tênis. Assim como os jogadores pagamos um custo alto".