Boris Becker

(Foto: Christian Charisius)

TÊNIS NEWS
04/12/2016
15:31
Berlim, Alemanha

Até o mês de junho, poucos diriam que a temporada 2016 terminaria com os problemas que enfrenta a equipe de Novak Djokovic. Os primeiros 6 meses impecáveis do sérvio não davam nenhuma impressão de que o ano terminaria desta forma para Djokovic.

Treinador do sérvio desde 2013, o alemão Boris Becker falou nesta semana ao Daily Mail sobre sua situação na equipe do sérvio. Becker não confirma nem desmente nada à respeito da separação, mas sua forma de falar do jogador no passado dão a impressão de que decisão já pode estar mais do que acertada.

“Estamos decidindo sobre isso, mas no momento não posso falar nada além disso. Não poderia dizer que saio, nem tão pouco poderia dizer que fico”, declara o alemão, que em seguida resume sua relação com Djokovic, curiosamente, falando de forma passada. “Realmente me diverti muito nos últimos três anos, foi como uma explosão. Eu estava no lugar que gosto e seguirei estando no futuro. Sem dúvidas foi uma viagem incrível.”

A temporada 2017 já está em processo para muitos, mas na cabeça de Becker não; nela ainda existe a questão do que aconteceu na Arena O2, o lugar onde um capítulo foi encerrado. “Creio que Novak, em sua semifinal contra Kei Nishikori, jogou da mesma forma que havia jogado nos 6 primeiros meses da temporada. Esse é o melhor que ele pode jogar quando está realmente focado. Dadas as circunstâncias, eu não consigo mensurar como ele jogou mal na final de domingo. Foi, sem dúvidas, a pior partida que ele fez desde que iniciamos nossa parceria. Já fazem algumas semanas desde a final e até agora não sou capaz de entender o que aconteceu”, recorda o alemão.

No entanto, ao mesmo tempo que ressalta os erros do sérvio, Becker não economiza elogios à Murray. “Andy deveria sentir-se como um ancião, fisicamente falando, depois de lutar por 3h30 no dia anterior, foi uma autêntica maratona. O estado físico era a chave para aquela partida, por isso pensei que estávamos em uma boa posição para vencer. Mas no final, Andy mostrou porque é o atual líder do ranking e fez, muito, por merecer o posto.

“Creio que Andy estará na crista da onda na Austrália, e também nos primeiros Masters 1000 do ano, pois foi a época em que ele jogou pior em 2016. A pressão começará para ele em maio. É muito diferente quando você joga sem a pressão de defender pontos, o que muda à partir de maio. Essas são as consequências de ser número 1, você passa a sofrer mais pressão e ter mais expectativas, tudo se torna mais intenso. Mas repito, acredito que ele estará muito cômodo até o saibro”, declara o vencedor de 6 Grand Slams.

E com Djokovic, o que aconteceu para que caísse tanto de nível? “Estou na equipe, sei tudo que aconteceu mas não posso dizer. Amo meu jogador e o protegerei sempre, nunca direi nada comprometedor, então vou invocar a Quinta Emenda”, comenta Becker, ainda que incapaz de morder a língua. “A primeira parte do ano foi incrível, colimando com seu sonho de vencer Roland Garros. Foi em Madri que eu senti que havia um novo aspirante à número 1 (Andy). É compreensível que qualquer tenista que vença praticamente tudo acabe se cansando por alguma razão. Foi o caso de Novak após vencer Paris, ele também tem o direito de ter seu próprio tempo, dedicar-se a outras áreas e estar mais tempo com sua família. Às vezes nos esquecemos que para termos sucesso nesse esporte precisamos de uma mente individualista e egoísta. Até que depois de um tempo você se vê totalmente solitário,” comenta Becker, que foi o mais jovem vencedor de Wimbledon, aos 17 anos.”

“Qualquer jogador dominante pode se dar ao luxo de tomar um ar. Existem outros exemplos, como Bjorn Borg se aposentando aos 26 anos, ou Andre Agassi e suas largas pausas ao longo da carreira. Também Tiger Woods e até mesmo Leo Messi, após o Mundial de dois anos atrás. É uma coisa natural para um atleta de alto rendimento.”

“Os meses seguintes à Paris foram diferentes devido ao trabalho adaptado pelas lesões e outros problemas. Digamos apenas que nossas mãos estavam um pouco atadas, não podíamos realizar o trabalho da mesma forma que antes. Pensamos que havíamos salvo a temporada no US Open”, aponta. “Novak jogou lesionado, mas por outro lado teve sorte no sorteio. Na segunda semana fez o que pode e chegou à final, foi um esforço incrível, dada a situação em que estávamos. Perder aquela final e logo em seguida o número um foi dolorido, mas quem sabe não foi um sinal que é a hora de tirar um pouco o pé e, na hora certa, voltar a treinar mais forte e com mais comprometimento”, conta Becker com certa melancolia, mas sem deixar claro se seguirão juntos ou não.