O técnico de Andy Murray, Ivan Lendl, de boné (Foto: AFP)

O técnico de Andy Murray, Ivan Lendl, de boné (Foto: AFP)

TÊNIS NEWS
16/06/2016
10:17
LONDRES (ING)

Ivan Lendl já trabalha ao lado de Andy Murray, o número dois do ranking, com um objetivo bem claro: acabar com a dominação exercida por Novak Djokovic no circuito da ATP. O tcheco crê ser possível que Novak não vença todos os maiores torneios e chega pela segunda vez com a esperança de transformar em realidade os objetivos do maior tenista britânico de todos os tempos.

A estreia na segunda parceria foi ótima: duplo 7/6 sobre o osso duro de roer Nicolas Mahut, que na semana passada conquistara o ATP 250 de ‘s-Hertogenbosch. Lendl mostrou-se satisfeito com o desempenho de Andy e afirmou não encontrar diferenças do Murray que treinara para o atual. “Realmente não notei diferenças. (Ele) Teve uma partida dura, que era o que nós esperávamos. Mahut é um bom jogador de grama e creio que foi um duelo de alto nível”.

Vencer Queen’s seria um ótimo recomeço para a dupla, mas eles sabem que a prova de fogo virá em Wimbledon, que começa em onze dias, no All England Lawn Tennis Club. Lá, Djokovic poderá conquistar seu quinto Grand Slam seguido e dar mais um passo para vencer os quatro Majors na mesma temporada, algo que só Don Budge e Rod Laver conseguiram e, talvez, até o Golden Slam - vencer os quatro maiores na mesma temporada, além das Olimpíadas -, feito alcançado somente pela alemã Steffi Graff.

“No tênis, há o Grand Slam ao longo de uma carreira, o Grand Slam na mesma temporada e o Golden Slam. Djokovic tem a oportunidade de fazer todos neste ano”, admitiu Lendl, para em seguida declarar quais são os planos dele e de seu pupilo em relação a isso.

“Obviamente, Andy e eu queremos arruinar os planos de Djokovic, se pudermos”.

“Você pode sustentar que em 1938 e 1962 (anos em que Budge e Lavar venceram os quatro torneios na mesma temporada) nenhum profissional jogava (os Slams, que só permitiam amadores). Mas 1969 (temporada em que Laver conquistou o Grand Slam pela segunda vez) foi incrível. Esse feito pôs Rod Laver na discussão sobre quem é o maior de todos os tempos, junto com Roger Federer. Nunca chegamos a um acordo sobre o tema, mas é um maneira divertida de abordá-lo. Novak já possui os quatro grandes (ele fechou o Grand Slam ao conquistar, pela primeira, Roland Garros, nesse ano) e isso (vencer os quatro) é algo que ninguém faz há muito tempo, quase cinquenta anos. Por isso, deve-se ter o merecido respeito”, salientou.

O tcheco entende que a situação para um título do escocês é bem diferente de 2013, quando repousava sobre os ombros de seu comandado uma enorme pressão pelo fim do jejum de títulos de britânicos na grama sagrada. “Murray se encontra numa posição distinta desta vez. Até ganhar um Slam, ele não sabia de que era capaz. Agora, temos esse conhecimento, e a questão é: ele pode fazê-lo de novo (vencer um Slam)? Creio que esta pergunta é mais fácil: Ele pode fazer isso? Há uma importante diferença”.

O octacampeão de Grand Slam também falou sobre sua volta ao circuito: apesar de ficar longe de seus entes queridos, o ex-tenista, conhecido por sua personalidade fria, pela qual recebeu o apelido ‘homem de gelo’,

“Sempre me divirto vendo todos os amigos e antigos rivais. É sempre agradável. Devo dizer que meus amigos vêm me dando muito apoio (para voltar ao circuito), e os que não são amigos também, além daqueles que estão dentro do tênis”, finalizou.