HOME - Etapa de Pipeline - Havaí - Adriano de Souza Mineirinho (Foto: Reprodução/WSL)

Visado, Mineirinho acredita que será difícil conquistar o bicampeonato mundial nesse ano (Foto: Reprodução/WSL)

Felipe Domingues
09/03/2016
14:10
São Paulo (SP)

Conquistar um título é difícil, mas repetí-lo é ainda mais complicado. Essa é uma máxima que acompanha os competidores de diversas modalidades e, no surfe, isso não seria diferente. Adriano de Souza, o Mineirinho, é o atual detentor do troféu do Circuito Mundial (WCT) e, nesta quarta-feira, começa sua caminhada para defender o posto.

Após dez temporadas na caça pelo lugar mais alto do pódio na elite do surfe, Mineirinho finalmente atingiu seu objetivo. No ano passado, foi campeão de duas etapas e vice em outras duas, superando o australiano Mick Fanning por 3.050 pontos. E agora, consegue o bicampeonato?

- É difícil repetir a dose. Afinal, depois que você é campeão, você passa a ser a "vidraça", passa a ser visado, estudado e sua posição desejada. Até o ano passado eu estava na posição de caçador e sei como é isso - comentou o paulista, ao LANCE!.

Confira abaixo a entrevista completa com o atual campeão mundial de surfe:

'Eu não imaginava tamanha intensidade da conquista no Brasil e confesso que me assustei um pouco no começo' - Mineirinho

LANCE! - No ano passado você disse que a conquista do Gabriel Medina mostrou que dava para um brasileiro ser campeão. E agora, com seu título? Dá para ser bi?
Adriano de Souza -
Tudo é possível e vou dar o meu melhor para conseguir repetir este feito, que não é muito comum (dois títulos seguidos) no mundo do surfe. No ano passado encontrei esse caminho e espero refazê-lo em 2016.

L! - O que mudou na sua vida depois do título mundial? Passou a ser mais reconhecido?
AS -
O aumento do reconhecimento é natural com tamanha visibilidade. É gostoso receber e retribuir o carinho dos fãs. Agora, cada vez mais, e em todo lugar que eu vou, as pessoas me param para elogiar e pedir fotos.

L! - Você sempre disse que tinha uma obsessão pelo título mundial. Agora que conquistou, como vê esse troféu? Era mais que esperava, menos...?
AS -
Eu não imaginava tamanha intensidade da conquista no Brasil e confesso que me assustei um pouco no começo, pois era novidade.

L! - Você se vê como favorito nesse ano?
AS -
Como favorito é difícil dizer por conta dos surfistas que temos atualmente, mas certamente sou a pessoa mais visada por todos eles.

'Temos grande chance (do tri), mas não gosto muito de falar em favoritismo, pois todos têm muita qualidade' - Mineirinho

L! - Você comentou que queria ter feito como o Kelly Slater no fim da temporada e ter seguido treinando. Como foi sua preparação?
AS -
Foi bastante intensa, pois passei um longo período me concentrando no rescaldo do título e em meu casamento, mas eu me preparei para isso e trouxe toda a minha equipe para a Austrália com o objetivo de otimizar cada vez mais essa preparação.

L! - Como você viu sua indicação ao Prêmio Laureus (o Oscar do esporte) desse ano?
AS -
Acho uma honra, assim como foi minha indicação como um dos "30 brasileiros mais promissores com menos de 30 anos", da revista Forbes. São reconhecimentos muito legais para o surfe brasileiro. Coisas que servem para ressaltar ainda mais a fase do nosso esporte.

L! - O Medina disse no ano passado que melhorou depois que começou a namorar. Casado, agora, você já vê alguma mudança?
AS -
A Patricia está comigo desde 2012 e passamos muitas coisas juntos, boas e ruins. Então, já estamos acostumados com a rotina. Agora que estamos casados ficamos mais juntos, mas não deve mudar muito, pois ela também tem a vida e os negócios dela, e, às vezes, é inevitável a gente ficar separado.

L! - Depois de dois anos com disputas intensas pelo título, como está a relação dos brasileiros no circuito?
AS -
Está boa, todos são unidos e se respeitam dentro e fora da água. Sem contar que todos se apoiam.

'É difícil competir com o futebol, mas estamos conquistando o nosso espacinho no coração dos brasileiros' - Mineirinho

L! - Acha que o Brasil vai passar a Austrália no número de surfistas na elite?
AS -
Esta é uma boa pergunta! Espero que tenhamos tantos surfistas quanto e com a mesma qualidade ou melhor!

L! - O Brasil é favorito para levar o terceiro título seguido?
AS -
Temos grandes candidatos, isso é inegável. Temos grandes chances, mas não gosto muito de falar em favoritismo, pois todos têm muita qualidade.

L! - Hoje, na sua opinião, o Brasil é o país do surfe?
AS -
É difícil competir com o futebol, ainda mais com o meu Timão ganhando tudo (risos), mas estamos conquistando o nosso espacinho no coração dos brasileiros.