Bruno Cassucci, Fellipe Lucena e Gabriel Carneiro
13/08/2016
06:30
São Paulo (SP)

Ninguém quer sofrer, mas se a partida contra a Colômbia, na Arena Corinthians, às 22h deste sábado, terminar empatada, a Seleção Brasileira confia em Weverton para avançar à semifinal da Olimpíada. O goleiro tem fama de pegador de pênalti, qualidade que foi um dos diferenciais para a convocação dele para o lugar de Fernando Prass.

No entanto, nem sempre foi assim. Há dez anos, quando ainda atuava nas categorias de base do Corinthians, o camisa 1 foi protagonista em uma decisão nas penalidades... mas por um motivo bem peculiar, não por fazer defesas. Na segunda fase da Copa São Paulo de Juniores de 2006, o Timão empatou com o Fortaleza e levou a decisão aos pênaltis. Hora de Weverton brilhar, certo? Errado! Minutos antes do fim do duelo, o técnico Jorge Saran sacou o arqueiro e promoveu a entrada do reserva Célio Gabriel.

– Foi uma surpresa para nós também. Mas tem uma coisa: eu também sempre tive bom desempenho em pênalti, e vinha me destacando nos treinos – conta o jogador, que hoje está no São Caetano.

O problema é que a alteração não surtiu muito efeito...

– Defendi uma cobrança, mas tivemos dois pênaltis chutados para fora e fomos eliminados – lembra.

Desde então muita coisa mudou na vida de Weverton, hoje com 28 anos. Sem espaço no Corinthians, ele rodou por clubes de menor expressão até chegar ao Atlético-PR. Foi no Furacão que ele consolidou a fama de “muralha” em pênaltis.

No clube paranaense desde 2012, ele já defendeu sete cobranças, sendo três no Brasileirão do ano passado. Além disso, está invicto em mata-matas decididos nas penalidades. Ele bateu Sporting Crystal na Libertadores de 2013, Remo na Copa do Brasil de 2015 e Paraná, no estadual deste ano.

Pela Seleção, Weverton também tem bom início. A equipe ainda não sofreu gols nesta Olimpíada, sendo a menos vazada da competição. Se continuar assim, o sonho dourado dele e de todos brasileiros estará próximo.

- Bate-bola com Célio Gabriel, goleiro e ex-substituto de Weverton:

Como o Weverton lidou com a saída na decisão de pênaltis?
Depois do jogo o nosso preparador confidenciou que devido ao meu retrospecto e minha atuação nos treinos já existia uma conversa da comissão técnica que fizesse aquela substituição.Eu e o Weverton tínhamos um convívio muito bom, dentro e fora de campo. Não teve nenhum mal estar porque ele me passou força no momento, ele sabia que eu tinha características de pegador de pênaltis e naquela época ele tinha essa fama.

Ele te apoiou, então?
Nós éramos unidos e no momento trocamos mais apoio para a decisão.

Vocês ainda se falam?
Hoje temos uma relação um pouco mais distante, só nas redes sociais mesmo, mas sigo acompanhando a carreira dele e torcendo muito.

A trajetória de vocês foi bem diferente, não é? O que achou da convocação dele para a Olimpíada?
Eu saí primeiro que ele do Corinthians, em 2008. O Marcos Romano, nosso preparador, foi para o Red Bull e me levou junto. O Weverton acabou ficando por mais um ano que eu, mas também saiu do clube. No meu ponto de vista, a convocação dele foi muito justa e merecida. Ele tem algumas características parecidas com as do Fernando Prass, inclusive de liderança, e foi um acerto ele na Seleção olímpica. Estou torcendo pelo ouro.