Fellipe Lucena e Marcio Porto
09/10/2017
19:07
São Paulo (SP)

O técnico Tite é ferrenho em defender o grupo de seus jogadores na Seleção Brasileira. Nesta segunda-feira, véspera da partida contra o Chile pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, não foi diferente. Foi além. Conhecido pelo uso polido das palavras, o comandante soltou um palavrão na hora de explicar o rodízio de capitães e tentar tirar o peso sobre as individualidades, protegendo a equipe. Marquinhos será o 13º capitão da Seleção com Tite.

- Eu já vi muito, quando o jogo é ruim, botarem no rabo do capitão. Mas são 11 em campo, pô - disparou Tite, completando raciocínio sobre o rodízio da faixa.


- Marquinhos (capitão contra o Chile) tem liderança comportamental de concentração. Casemiro, capacidade de competir em altíssimo nível e leal. Marcelo, qualidade técnica, um jogador de dez anos com estofo de Real Madrid. Miranda, nível de concentração alto, competitivo, sério, com ele não tem sorriso. Renato, capacidade de entender o jogo na sua dimensão geral, onde tu pode até trocar uma ideia tática, juntamente com Dani. Thiago, essa percepção tática sobra. Coutinho, talento, mágico. Neymar, diferente, liderança técnica extraordinária. Eu não sabia que era tão ruim assim enfrentar o Neymar. Se o conjunto não estiver harmonioso, não adianta colocar a responsabilidade para um decidir. Não é Neymar, daqui a pouco vai aparecer Coutinho, daqui a pouco vai aparecer Casemiro - analisou Tite.

Tite voltou ao mesmo assunto depois e seguiu linha semelhante. Ressaltou a importância de dividir as lideranças e citou o exemplo de Neymar, que a princípio não queria a faixa e depois acabou aceitando.

- Em termos anímicos, procuro cada vez mais fomentar o senso de equipe. Aprendi sendo ex-atleta. Quando a direção deixava o técnico instável, a gente falava: 'se não ganharmos o homem vai cair'. Aí o homem caía e a gente ficava isento. Aí não há co-responsabilidade, consolidação de trabalho. Às vezes me peguei indo no técnico e dizendo que a culpa não era dele, mas de todos nós. É fácil botar no Neymar, no Coutinho, no técnico... Cada um tem valências importantes, mas vamos dividir o pão, trabalhar com senso de equipe. Eles estão compreendendo isso. A capitania do Neymar mostrou isso, ele não queria no início, consegui convencê-lo de que era importante ter liderança. Temos que fomentar isso a cada momento - avaliou.

Tite vai para o 12º jogo nas Eliminatórias. Até o momento, foram nove vitórias e dois empates.