Igor Siqueira
20/06/2016
18:29
Rio de Janeiro (RJ)

Apesar de ser unanimidade, favorito e única opção da CBF para ser técnico da Seleção, Tite não esperava que o convite viesse logo após o jogo do Brasil para o Peru, que marcou a eliminação da Copa América. Tanto é que ele nem sequer assistiu à derrota que sacramentou a demissão de Dunga.

- Eu estava de cabeça inchada, remoendo a derrota para o Palmeiras. Estava triste, chateado, é o meu jeito de fechar o meu quarto. Não vi o gol, vi depois - explicou, sem, no entanto, descartar todo o trabalho de Dunga:

- Aproveita-se, sim. Claro que dentro dos critérios daquilo que entenda ser o melhor, mas claro que se aproveita. Eu sou um técnico em formação, vai um tijolinho a cada dia. nós aprendemos com nossos erros. Aprender com os acertos dos outros também faz parte. Cabe a mim esse legado.

Tite não fugiu de um discurso que antes era visto como "maldição" na CBF: admitir o risco de o Brasil ficar fora da Copa do Mundo da Rússia. Afinal, a Seleção está em sexto nas Eliminatórias.

- O foco é a classificação para o Mundial. E nós não estamos numa zona de classificação. É fato real que pode sim. O trabalho vai ser desenvolvido nesse sentido. Mas corre-se o risco. Se não aceitar a possibilidade, não vai estar aceitando a realidade. O risco há. Mas há toda uma qualidade do trabalho de reajuste e crescimento. Equipes montam, se formam, se consolidam e crescem - comentou Tite.

Mas na Olimpíada Tite não quer saber de assumir o trabalho, tendo a Eliminatórias como foco.

- Era muito fácil o técnico agendar uma situação, que pudesse prever estar na Olimpíada. Vamos treinar, se ganho, louros. Se perco, a desculpa pronta: "Assumi em cima da hora". Isso eu não faço. Eu preciso me ajustar para os dois próximos jogos (pelas Eliminatórias) o mais rápido possível. Temos que dar aos profissionais que estão há um ano e meio trabalhando - completou o treinador.