Bruno Cassucci
08/08/2016
00:03
Enviado especial a Brasília (DF)

A Seleção Brasileira viveu mais uma noite histórica neste domingo. E novamente sob o aspecto negativo. Não só pela atuação diante do Iraque, que merece ser esquecida, mas por tudo que se passou no Estádio Mané Garrincha. As vaias já não serviram mais para a torcida protestar. No empate por 0 a 0, o público de Brasília chegou a aplaudir lances da equipe adversária e gritar o nome de Marta, camisa 10 do time feminino e eleita a melhor jogadora do mundo por cinco vezes.

Nem se a partida fosse em Bagdá, capital do país adversário, o Brasil enfrentaria pressão parecida. Para uma equipe que claramente pecou pela ansiedade na estreia diante da África do Sul e que apresentava sinais de abalos emocionais, nada seria pior.

Se no primeiro jogo na Olimpíada, na última quinta-feira, ainda houve a desculpa de que o time criou bastante embora a bola não tenha entrado, desta vez não há argumento que convença ou acalme o torcedor. A Seleção mandou uma bola na trave com Renato Augusto, é verdade, mas o Iraque também acertou o poste, com Ali Adnan.

O camisa 5 canarinho, aliás, viveu uma das piores noites de sua carreira. Vaiado a cada toque na bola no segundo tempo, ele teve a chance de mudar a história da partida aos 47 minutos, quando recebeu cruzamento e teve o gol escancarado para marcar. Sem goleiro nem marcação, ele chutou por cima.

No 4-1-4-1, o Iraque se fechou muito bem e ainda explorou os contra-ataques. Micale chegou a recorrer aos esquema com quatro atacantes na volta ao segundo tempo, mas abriu mão da formação nove minutos depois.

Já reparou que este texto está no sexto parágrafo e ainda não falou de Neymar? A atuação do camisa 10 e capitão da Seleção explica. Demonstrando nervosismo, ele errou muito, não conseguiu chamar o jogo e falhou até nos momentos em que tentou animar a torcida e não foi atendido. Ao final, cabisbaixo, teve de ouvir o público gritar "Iraque".

Tentando recuperar a autoestima, o carinho do torcedor e vaga para a próxima fase, o Brasil vai para Salvador, onde enfrentará na quarta-feira a Dinamarca, que assumiu a liderança do Grupo A ao derrotar a África do Sul por 1 a 0. 

FICHA TÉCNICA

BRASIL 0 X 0 IRAQUE


Local: Mané Garrincha, Brasília (DF)
Data: 7/8/16 - às 22h
Árbitro: Ovidio Hategan (ROM)
Assistentes: O. Sovren e S. Gheorghe
Público/renda: Não disponíveis
Cartões amarelos: Thiago Maia, Douglas Santos e Rodrigo Caio (Brasil); Ali, Luaibi, Kareem, Hameed e Tariq (Iraque)

BRASIL: Weverton, Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos (William - 34'/2ºT); Thiago Maia, Renato Augusto e Felipe Anderson (Luan - intervalo); Gabriel Jesus (Rafinha - 9'/1ºT), Neymar e Gabigol. Técnico: Rogério Micale.

IRAQUE: Hameed, Ali, Ibrahim, Nadhim e Ismail; Natiq, Luaibi (Faez - 34'/2ºT), Kareem (Tariq - 17'/2ºT) e Attwan; Adnan e Raheem (Ahmed - 38'/2ºT). Técnico: Abdul Hani Shahad.