RADAR / LANCE!
11/08/2016
13:12
Rio de Janeiro (RJ)

A Seleção olímpica se redimiu de seu início oscilante na Rio-2016 em grande estilo. Após o início oscilante, com empates sem gols com África do Sul e Iraque, os canarinhos calibraram a pontaria e se classificou para as quartas de final com uma goleada por 4 a 0 sobre a Dinamarca, graças aos gols de Gabigol (2), Gabriel Jesus e Luan.

Campeão da Copa do Mundo de 1970, Jairzinho atribui a ascensão à maneira ao fato da equipe de Rogério Micale ter finalmente ser entrosado: 

- A Seleção teve pouco tempo para conviver antes da Olimpíada. Com isto, além de o treinador não conseguir botar rapidamente em prática sua capacidade técnica, os colegas demoraram a ter um contato em campo para desenvolver o entrosamento. Isto atrapalhou especialmente na criação ofensiva dos primeiros jogos - afirmou, ao LANCE!.

O ex-atacante, que viveu a mesma situação no início do Mundial de 1974 (quando o Brasil empatou sem gols os jogos contra Iugoslávia e Escócia e se classificou com uma goleada sobre o Zaire para a fase seguinte), crê em uma evolução brasileira na Rio-2016:

- Agora que, finalmente, o Brasil mostrou um futebol convincente e melhor entrosamento, a tendência é de a equipe crescer. Este um grupo, que veio para a Olimpíada tão cobrado, tem todas as condições de contar com a personalidade para conquistar o tão cobiçado ouro olímpico que nós não temos. 

Medalha de prata na Olimpíada de 1984, Mauro Galvão também vê uma evolução do entrosamento como crucial dentro e fora de campo:

-  Esta Seleção foi montada às pressas. Neymar nunca tinha jogado com esta equipe, o Marquinhos e Renato Augusto chegaram em cima da hora e o Weverton, que substituiu Fernando Prass, sequer teve chances anteriormente.  Isto gera dificuldade tanto no entrosamento quanto atrapalha a união em campo - afirmou, ao LANCE!.

O ex-zagueiro viu evoluções táticas na equipe formada por Rogério Micale;

- O Brasil teve mais movimentação, com o Neymar atuando mais centralizado e abrindo espaço para jogadas pelas laterais. Zeca e, especialmente Douglas Santos avançaram com frequência, com iniciativas ofensivas. Além disto, a entrada do Luan como "falso atacante", nos moldes do que ele faz no Grêmio. 

Colunista do LANCE!, João Carlos Assumpção viu um Brasil "mordido" pelo fraco início na Olimpíada e mais objetivo:

- Claramente, as críticas mexeram com o grupo, que entrou "mordido" na Fonte Nova. Mas a diferença do Brasil em relação aos jogos anteriores foi o futebol mais coletivo e objetivo. 

Assumpção crê que o Brasil, mesmo nos tropeços, comprovou que era superior tecnicamente:

- O Brasil é infinitamente superior às outras equipes, tanto que jogou sempre no campo adversário. A diferença é que tinha objetividade. E Rogério Micale, antes tratado como gênio e moderno, passou a ser considerado fraco e incapaz, mas tem nova chance de ganhar o ouro e ser gênio aos olhos da mídia. Futebol é assim.