Bruno Cassucci
19/08/2016
06:30
Rio de Janeiro (SP)

Renato Augusto não seria o jogador que é se não fosse o futebol alemão. Talvez, nem jogador seria se não fosse o Maracanã. Por isso, a final olímpica é ainda mais especial para o meia da Seleção. Neste sábado, ele volta ao bairro onde cresceu para realizar sonhos – dele e dos brasileiros que esperam vingar a Copa do Mundo 2014 e ganhar o inédito ouro no futebol.

No caminho ao estádio certamente algumas lembranças virão à mente de Renato. Da janela do ônibus da linha 456, que pegava diariamente para ir à escola, ele observava o Maracanã e se imaginava jogando lá. A ilusão virou não só realidade como tatuagem: o Maior do Mundo está estampado no braço direito do camisa 5.

Para entender melhor essa história real, mas que parece até ter traços de ficção, tamanha a perfeição do enredo, a reportagem do LANCE! foi à rua Ibituruna, a menos de 1km do Maraca, onde Renato morou em três diferentes apartamentos e passou a maior parte da vida. No conjunto de prédios de classe média, ouviu elogios à humildade do meia, relatos de que “ele não era tudo isso” na pelada dos amigos do prédio e lembranças do garoto filho de pai botafoguense, mas que pendeu para o Flamengo da mãe Salete...

– O Renato era bom, mas tinham outros garotos do mesmo nível aqui. Só que ele era aplicado demais e cresceu muito no futsal do Tio Sam, projeto que tinha aqui no passado. Foi no salão que ele se desenvolveu – contou Reinaldo Dutra, que há 26 anos trabalha no Condomínio Tijuca.

Se nas quadras do bairro da vizinhança o meia se formou, foi na Alemanha que ele foi lapidado. Contratado pelo Bayer Leverkusen, em 2008, ele passou quase quatro anos no país europeu e aprendeu conceitos táticos e técnicos que hoje são decisivos para o Brasil e rendem diversos elogios do técnico Rogério Micale.

"Foi um lugar onde fui muito feliz, de grande aprendizado para mim. O que sou hoje devo muito à Alemanha. Será muito interessante este reencontro"

– Foi um lugar onde fui muito feliz, de grande aprendizado para mim. O que sou hoje devo muito à Alemanha. Será muito interessante este reencontro – disse o meia após a classificação à final sobre Honduras.

Após a experiência na Europa, o jogador já voltou ao Brasil e atualmente atua na China, pelo Beijing Guoan. No Condomínio Tijuca, porém, ele não é visto há alguns anos. Quem sabe a próxima visita não seja para mostrar a medalha dourada aos antigos vizinhos...