RADAR / LANCE!
24/08/2016
11:09
Rio de Janeiro (RJ)

As diferentes emoções de dois medalhistas do Brasil após conquistarem o ouro na reta final da Rio-2016 deram o que falar nas redes sociais. Enquanto Neymar extravasou o inédito ouro olímpico no futebol masculino com um misto de euforia e desabafo, o jogador de vôlei Serginho não poupou lágrimas para celebrar mais uma medalha da Seleção Masculina.

Especialista em Psicologia Espotiva, Gustavo Korte aponta que a diferença vai muito além da personalidade dos dois:

- Além da diferença de personalidades, tendências e características, há o entorno no qual cada um cresceu. O Serginho veio de uma família muito humilde, batalhou muito. Já o Neymar era arrimo de família, e desde os 12, 13 anos era idolatrado, tratado como centro das atenções - disse, ao LANCE!.

Aos olhos do psicólogo, a "explosão" de Neymar ao fim da partida é corriqueira para atletas de alto rendimento. Porém, o camisa 10 merece elogios por sua postura em campo:


- Quando o atleta de alto rendimento recebe críticas, você toca no ego dele, e isto vai fazer com que ele se revolte. Mas nesta Olimpíada, tem outro enfoque de Neymar que é digno de enfoque: ele soube trabalhar bem para a equipe, assumiu a responsabilidade de capitão, e isto foi essencial para a conquista.

Em relação às lágrimas de Serginho, Korte detalha que, além da origem humilde, pesa a superação da Seleção Masculina após duas perdas de ouro em Olimpíadas:

- Quando o atleta passa por situações de quase ter chegado à conquista, há durante o jogo muita angústia e muitas dúvidas. Quando vem a vitória, traz a sensação de se superar, em especial se acontece em uma atividade que não é tão valorizada no país.

Especialista em Psicologia do Esporte da Academia LANCE!, Eduardo Cillo atribui o contraste às pressões com as quais Serginho e Neymar conviveram durante a Rio-2016, e crê que o camisa 10 estava mais pressionado:

- Serginho está com carreira consolidada, fim de um ciclo, enquanto Neymar tem muito chão pela frente. Enquanto o vôlei já tem um histórico de vencedores, o futebol masculino chegou à Rio-2016 sob forte pressão de um título inédito. Notadamente, em Neymar se via o alívio, ainda mais pelo início da campanha na Seleção olímpica, que foi marcado por tropeços.

Segundo o psicólogo, a atitude do camisa 10 em relação à braçadeira de capitão comprovou a tensão pela qual ele passou:

- O fato de Neymar descartar a braçadeira de capitão mostra como pesou para ele durante a Olimpíada. Já o Serginho, que é uma das lideranças da equipe de vôlei, controlou muita tensão durante o jogo