Bruno Cassucci
19/07/2016
14:02
Teresópolis (RJ)

Destaque do Palmeiras, líder do Brasileirão, o jovem Gabriel Jesus chega com moral também na Seleção. O atacante de apenas 19 anos recebeu diversos elogios do técnico Rogério Micale, em entrevista coletiva nesta terça-feira.

O comandante canarinho, no entanto, pediu paciência com o garoto. O assédio ao prodígio tem sido enorme, não só de clubes, como da imprensa internacional. Tanto é que a pergunta sobre Gabriel Jesus a Micale foi feita por um jornalista espanhol que está na Granja Comary, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.

- Sou suspeito para falar do Gabriel, pois levei ele para o Mundial Sub-20 quando ele era até mais novo que os demais. Acho o Gabriel formidável, ele já é uma realidade. Mas precisamos entender o processo formativo. Ele ainda precisa agregar fatores a sua carreira que são naturais para um jovem. Não podemos jogar uma responsabilidade nas costas dele que não é nem do Neymar. Ele (Neymar) se tornou o que é hoje pelo que fez no passado, e o Gabriel está construindo isso - declarou Micale.

- Acredito que o Gabriel será um grande expoente do nosso futebol. Ele tem prazer, alma, ele gosta de jogar futebol, algo que admiro muito, uma virtude que alguns jogadores até grandes perdem, essa alma, essa paixão por jogar. No Gabriel a gente vê isso muito latente, um amor pelo que faz. Ele tem muito a nos ajudar. O setor ofensivo da Seleção é muito promissor e será uma realidade num futuro próximo - completou o treinador.

Embora já tenha uma ideia da equipe que começará a Olimpíada, dia 4 de agosto, contra a África do Sul, em Brasília, Micale não quis antecipar a escalação. O treinador também evitou falar sobre o capitão brasileiro.

- A equipe titular vai se desenhar ao longo dos treinamentos, tenho 18 jogadores com condições. Existe um esboço, tenho em mente o que pretendo, mas o treino serve para vermos momento de cada um, a forma de cada um atuar... Em relação ao capitão, já existe uma conversa internamente, vocês vão ficar sabendo brevemente, é uma coisa que já temos conversado com cada um dos jogadores. Há uma ideia pré-concebida - declarou.

Indagado sobre por que não antecipar o dono da braçadeira, ele se justificou:

- Não há constrangimento (em revelar), há ideias concebidas, mas precisa ser conversado, visto, olhado no olho... Quem convive com os atletas sou eu e a comissão técnica. Não pode colocar uma coisa na frente da outra. Sei da ansiedade de vocês, mas é preciso passar por um processo interno, que já existe. No momento certo vocês vão ficar sabendo - explicou.