Bruno Cassucci
29/07/2016
06:35
Enviado especial a Goiânia (GO)

Quem acompanha o lateral Zeca desde o começo da carreira no Santos nota facilmente as mudanças físicas pelas quais ele passou. Aos 22 anos, o versátil jogador, que atua pelo lado esquerdo no Santos e direito da Seleção olímpica, está mais forte, fruto de uma rotina regrada de treinos não só dentro dos campos, como também na academia. O jogador é o que se pode chamar de “marombeiro”, um viciado em fazer exercícios e obcecado pelo ganho de músculos.

O gosto por “puxar ferro” é encarado com bom humor pelo próprio jogador e chegou a ser motivo de piada pelos lados da Vila Belmiro. Porém, também já causou preocupação. Há alguns meses ele se matriculou em aulas de crossfit, programa de treinamento de força e condicionamento que está em alta no Brasil e no mundo, mas foi proibido de continuar pelo clube.

– O pessoal da comissão técnica falou para deixar isso de lado pois era perigoso. O crossfit exige muita força, era perigoso eu me machucar, principalmente o ombro. Hoje uso a academia do Santos mesmo, chego uma hora antes e faço um trabalho depois também – contou, ao LANCE, o lateral que treina até mesmo nas folgas, nem que seja nas praias da Baixada Santista.

– Até pegam no meu pé, falam para eu descansar, mas não consigo. Dou uma corridinha na areia, faço fortalecimento... E isso não é so pela estética, não, ganha jogo! Faz diferença na hora de um pique final ou numa dividida – opina Zeca, que escolheu o levantamento de peso como outro esporte olímpico a praticar.

Toda essa rotina de treinos exige energia, que Zeca trata de suprir com uma alimentação digna de um ogro. O lateral, de 1,69m e 66kg, conta que no café da manhã, por exemplo, ingere dois pães com presunto e queijo, omelete, suco de beterraba com laranja e até batata doce.

Se tem algo que não vai faltar na busca pelo ouro olímpico é força...

- Confira entrevista exclusiva com o lateral do Santos e da Seleção:

Como veio esse gosto por fazer musculação e treinar bastante?
Comecei faz tempo, pois me machucava muito na base. O Ricardo Oliveira e o Renato passam muito a importância disso para nós, do Santos, também. Ajuda na hora de dividir uma bola, cobrar um lateral, ter fôlego... Desde que comecei a treinar, não tenho me machucado.

Acha que é um diferencial seu?
Acho que sim. Dizem no futebol que o cara fica forte e perde velocidade, mas não acredito. Veja o Bolt ou outros corredores! Um dia vão começar a dar mais valor a isso, misturar o atletismo com o futebol. Não posso falar muito disso porque não sou professor, mas comento muito com o pessoal lá do Santos. No Brasil o tempo é curto para treinar, mas já vejo que no exterior dão cada vez mais atenção a isso.

Como se tornou lateral-esquerdo mesmo sendo destro?
Foi com o Claudinei de Oliveira, no Santos. Ele já tinha feito três substituições, e o lateral machucou. Eu jogava de meia e volante. Aí fui bem neste jogo e depois não saí mais.

Acha que sentirá dificuldades na direita, na Seleção?
Eu estou tranquilo, joguei nas duas sempre, faço isso nos treinos... Essa era uma oportunidade que eu queria, batalhei por isso e apareceu na hora certa, quando eu estava preparado mesmo. Tenho certeza que o que for bom para o professor e o grupo vou fazer.

O que o Micale pede a você?
Ele manda ir pra cima mesmo, gosta de atacar, estimula o jogador a ir para cima, fala que a gente é brasileiro, tem futebol e não precisa sair lá para o exterior tão cedo. Se a gente traz a filosofia que os caras tem lá, o Brasil se torna uma potência. Antigamente o Brasil estava em primeiro, só que mudou tudo, hoje é mais inteligente a parte tática, de intensidade e muito jogo coletivo, quem ganha é o grupo. No Brasil se valoriza muito o aspecto individual. O grupo prevalece em campeonatos e aí os craques se sobressaem.

Vê semelhanças no Micale com o Dorival Júnior, seu técnico no Santos?
Quando fui convocado até comentei com o Lucas Silvestre, que é o auxiliar e filho do Dorival Júnior, que o Micale passa tática igual ao Dorival, falei da movimentação, que é o lateral por dentro e o atacante aberto ou o inverso. Ele é um cara que estudou muito, assim como o Dorival.

É verdade que você deixou de ir para a Europa para apostar na carreira?
Sim, minha mãe morou dez anos na Inglaterra e um em Portugal também. Ela tinha dupla cidadania, portuguesa, tirou das minhas irmãs... Teve uma época que eu tive oportunidade de ir, mas era criado pelos meus avós, não quis ir, continuei fazendo a base aqui.

Você é muito apegado a seus avós. Eles estarão na Olimpíada?
Sim, sou muito apegado a eles. Acho que vamos ganhar ingressos, assim que receber mando para eles. Eles vão ficar muito felizes, sempre me acompanharam, não vai ser agora que não vão estar longe.

Se considera mimado por eles?

Eles pegam muito no meu pé, a gente é do interior, então meu vô é daquele estilo antigão, tô até ajudando ele (risos). Ele sempre pega no meu pé, chega junto comigo, não é de ficar puxando saco, é um cara consciente, sabe que a vida é difícil.... A vó nem tanto (risos).

Diga o nome deles, até como forma de reconhecimento.

José Carlos Craco e Genuza Craco.

Quem são seus ídolos? 
Eu conversei muito com o Léo no começo, peguei experiência com ele, conselhos, é um ídolo para mim e do Santos, quero seguir o caminho dele. Meu avô também é meu ídolo, um cara que até hoje lutou por mim e por minhas irmãs. Tiro o chapéu para ele, é um cara simples, ajuda a todo mundo, me ajudou sempre, desde pequeno, me deu tudo.

Torcedores rivais do Santos não gostam muito de você, te chamam de mala. A que atribui isso?
No campo eu me transformo, sou tranquilo fora. Faço de tudo para ganhar. E é assim: quando me perguntam ou falam coisas que jogam o Santos em segundo lugar fico bravo e respondo como merece ser respondido, não admito isso. Tem que colocar o Santos sempre em primeiro lugar, não só porque me proporcionou tudo, mas porque é o time do Pelé, do rei do futebol, campeão brasileiro, bi mundial, tem que ter respeito. Quem me conhece sabe que sou tranquilo, não sou mala. Mas tem que respeitar o Santos, porque a historia é muito grande.