Igor Siqueira
30/08/2016
07:10
Rio de Janeiro (RJ)

Avesso às entrevistas nos últimos meses e mero “mestre de cerimônia” nas convocações, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que não tem escondido a satisfação com o ouro olímpico, topou conversar com o LANCE! sobre o momento atual da Seleção. Em papo rápido na sede da entidade, o dirigente usou a palavra “dedicação” – vista por ele na campanha olímpica – como termo-chave para a continuidade do trabalho do Brasil nos próximos desafios pelas Eliminatórias, já que a situação deixada pela passagem de Dunga é um sexto lugar.

– Fiquei animado porque quando você tem uma partida contra a Alemanha, não só jogando, mas se dedicando de corpo e alma, você percebe que isso vai ocorrer nas outras partidas. É isso que eu vejo – disse Marco Polo, que acrescentou:

– Eu vi que a dedicação dos atletas foi acima do normal. E esperamos que isso rebata na Eliminatórias. Tem que jogar assim como jogou.

Se está mais aliviado por causa da campanha olímpica, Del Nero garante que o sentimento também é de tranquilidade em relação a uma possível punição no processo que corre no Comitê de Ética da Fifa.

- Quem cuida disso são os advogados. Eu não estou preocupado, nunca estive preocupado. Preocupado é quem tem alguma coisa. Eu não tenho culpa alguma.

"A dedicação dos atletas foi acima do normal", diz Marco Polo Del Nero.

Del Nero ainda falou sobre o papel de Neymar tanto na campanha olímpica quanto na principal. Se ele vai ser capitão ou não? Para o presidente da CBF, isso é indiferente.

– Não vemos a partida em cada momento. Vemos durante a competição. Ele foi um dos melhores. Houve outros protagonistas que levaram a Seleção a isso tudo. Neymar é um astro mundial. (Ele ser capitão) É um problema é dele e do técnico, não é meu. Tivemos símbolos do Brasil que não eram capitães – afirmou.

Marco Polo estava distante dos jogos da Seleção, mesmo quando eles eram no Brasil, desde que estourou o escândalo de recebimento de propina no qual é suspeito. Mas ele voltou a frequentar estádios durante a Rio-2016, tanto no masculino quanto no feminino. O presidente da CBF esteve, por exemplo, na final no Maracanã, mas não vê como fazer do estádio a casa fixa da Seleção.

– É evidente que todos gostaríamos de jogar em um palco só, mas você tem que lembrar que o Brasil é um país continental. O pessoal esquece isso. Se o país fosse o Rio, jogaríamos sempre no Maracanã. E os outros estados? Temos todos os locais encaminhados até o final do ano. Não posso raciocinar em função de um estado – emendou.

Del Nero: "Eu não estou preocupado, nunca estive preocupado. Preocupado é quem tem alguma coisa. Eu não tenho culpa alguma".

DIRIGENTE ELOGIA TÉCNICOS OLÍMPICOS

Pelo discurso de Marco Polo Del Nero, a CBF vai manter no quadro de funcionários os treinadores que estiveram à frente das Seleções olímpicas masculina e feminina.

Sobre Rogério Micale, que levou os homens ao inédito ouro, Marco Polo Del Nero não hesitou.

– Ele é bom. Eu quero ver se ele fica até dois mil e vinte e poucos. – disse o presidente, que citou o período de preparação antes dos Jogos:

– Tem um trabalho de dois anos que é algo inédito. Antigamente, pegava-se os jogadores 15 dias antes e ia para o jogo.

Em relação a Vadão, técnico da Seleção feminina, que ficou em quarto lugar e, portanto, sem medalha, Del Nero revelou que ainda vai ter uma reunião com ele.

– Com o Vadão ainda não conversei. Vou conversar essa semana. Eu quero que ele permaneça, depende mais dele. Marco Aurélio Cunha vai fazer uma apresentação, provavelmente tudo continue, porque foi tudo muito positivo. As meninas não tinham o aspecto físico, hoje elas têm. Perdemos numa penalidade, a bola não entrou, senão estaríamos disputando o ouro – afirmou o presidente da CBF.