Bruno Cassucci
02/08/2016
14:51
Enviado especial a Brasília (DF)

Renato Augusto tem o estádio do Maracanã na memória, na pele e também nos planos. O jogador, que era vizinho do estádio carioca na infância e o frequentou muitas vezes, tem uma tatuagem com a imagem do estádio no braço direito e sonha em voltar à "casa" para conquistar o inédito ouro olímpico para a Seleção.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o camisa 5 do Brasil na Rio-2016 falou sobre a possibilidade de jogar a semifinal e a final da Olimpíada no Maraca:

- É um sonho, uma possibilidade única na carreira de disputar um título olímpico que a Seleção não tem e do lado da minha casa. É um sonho que quero realizar, estou fazendo de tudo para isso - comentou.

- Gostava tanto de ir para jogo que às vezes nem jogava o Flamengo (time dele na infância) e eu ia. O ingresso era mais barato e eu ia sempre. Tenho várias lembranças, Eu pegava ônibus para ir ao colégio, e ele passava em frente ao estádio, eu ficava olhando o Maracanã e pensava: vou conquistar títulos aqui, vou me dar bem. Conquistar a Olimpíada com a Seleção no Maracanã seria um sonho - completou o jogador.

Renato foi reserva da Seleção no amistoso diante do Japão, no último sábado, por estar desgastado e também por ter treinado só dois dias com o grupo antes da partida. O jogador do Beijing Guoan (CHI), contudo, já está bem fisicamente e pronto para atuar na estreia olímpica, diante da África do Sul, quinta-feira, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Na entrevista coletiva desta terça, ele explicou como vem atuando na China, falou sobre o trabalho do técnico Rogério Micale, as características da equipe brasileira e muitos outros assuntos. Confira abaixo os principais trechos:

POSIÇÃO NA CHINA

Lá eu já joguei de todas as formas, aberto, de centroavante, meia, mas venho jogando ao lado do Ralf, de segundo volante, podendo sair um pouco mais. Estou me sentindo bem quanto a isso.

O QUE O TIME GANHA COM VOCÊ?

Tento dar cadência, até porque nosso trio de ataque é agudo, pega a bola e vai para cima. Eu converso em campo para ficarmos mais com a bola, não quero só ajudar em campo, mas fora estar conversando, juntando o grupo. Vou fazer de tudo para que isso dê certo.

CORTE DE FERNANDO PRASS
Situação chata a do Prass, era o cara mais experiente do time, tinha responsabilidade muito grande, mas no futebol não podemos lamentar muito, é bola pra frente. Vejo uma equipe praticamente pronta, apesar da pouca idade dos jogadores, alguns têm certa experiência, uns na Europa, outros em transferência. Vejo uma equipe pronta para conquistar a medalha.

O QUE ESPERA DA ÁFRICA DO SUL?
A gente sabe que são jogadores fortes e rápidos, temos de ter o cuidado do contra-ataque, atacar marcando, como dizemos. São cuidados naturais, a gente tem que pensar muito no nosso jogo, como iremos passar da defesa adversária, pois a maioria virá para se defender, e usar o contra-ataque. Estamos muito bem preparados, com uma comissão técnica, que tem estudado nossos adversários.

SER UM DOS JOGADORES ACIMA DE 23 ANOS
Você começa a ter uma obediência tática diferente, enxergar o jogo de outra forma. Mais novo eu pensava individualmente, queria o drible e arriscar um pouco mais. Hoje jogo mais recuado, tenho outra visão do jogo. Claro que tenho minha responsabilidade de ser um dos mais velhos, procuro conversar e ajudar fora de campo porque é uma seleção com muita qualidade, jogadores acima da média.

O QUE MUDA COM RAFINHA OU FELIPE ANDERSON?
Por eu fazer muitas funções, para mim não muda. Se eu tiver oportunidade de jogar com o Rafinha, posso ir mais à frente. O Felipe é mais agudo, eu teria que ficar um pouco mais. Não tenho preferência, varia com o que o jogo pede no momento.

FUTEBOL CHINÊS
Eu investi em mim, levei um profissional para fazer um trabalho em alto nível, principalmente físico. É claro que tecnicamente o futebol chinês não é igual ao alemão, mas está evoluindo, até pelos atletas que estão indo para lá. Mas meu jogo é muito físico e espero estar bem para corresponder.