Tite e Edu Gaspar

Edu Gaspar ao lado de Tite durante treino da Seleção Brasileira em Sochi, na Rússia (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

LANCE!
18/06/2018
13:23
Sochi (RUS)

A CBF enviou uma carta à Comissão de Arbitragem da Fifa para tentar entender por que o árbitro de vídeo não foi usado em lances polêmicos no empate por 1 a 1 com a Suíça. Causou estranheza na entidade brasileira a não utilização do VAR no gol marcado por Zuber. A reclamação é de que o zagueiro Miranda foi empurrado pelo suíço no lance.  O chefe da delegação, Rogério Caboclo, é quem assina o documento divulgado na íntegra no site oficial da entidade. Além do posicionamento da Fifa, a entidade brasileira solicita também áudio e vídeo usados pelo VAR e questiona suposto pênalti não marcado em Gabriel Jesus. 

- A CBF gostaria de dividir com a Fifa sua crença firme numa implementação apropriada e efetiva da tecnologia do VAR. Com isso em mente, a CBF respeitosamente pede que sejam fornecidos o vídeo e o áudio do VAR, de maneira a verificar o que realmente aconteceu. (...) Erros claros do árbitro que, portanto, deveriam ter sido analisados pelo VAR, de acordo com o protocolo do VAR (...) - diz trechos do documento.

A intenção da CBF é manifestar o descontentamento quanto à atuação do árbitro mexicano César Ramos, que se negou a olhar o telão após o lance, e entender quais são os critérios para o uso do VAR durante os jogos. A tecnologia está presente pela primeira vez em uma Copa do Mundo e já foi usada em outros jogos do torneio. 

- O lance do Miranda é muito claro. E não estou justificando o resultado. Muito claro. O lance do pênalti é passivo de interpretação. Mas o primeiro não. Não dá para conceber alto nível dessa forma - ponderou Tite, no último domingo, logo após a partida em Rostov. 

Além do lance de Miranda, causou estranheza no Brasil o não uso do VAR em lance envolvendo o atacante Gabriel Jesus, que teria sido abraçado na área pelo zagueiro Akanji. Mesmo quando o árbitro não assinala o contato faltoso, o árbitro de vídeo pode alertá-lo quanto à irregularidade da jogada e solicitar que o mesmo veja o vídeo na beira do gramado. Isso não aconteceu na partida em Sochi. 

O Brasil volta a campo na próxima sexta-feira, às 9h (horário de Brasília), para enfrentar a Costa Rica, no segundo jogo do Grupo E, em São Petersburgo. 

Confira o comunicado oficial da CBF: 
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) encaminhou, nesta segunda-feira, 18, um ofício à FIFA questionando os procedimentos adotados pelo Video Assistant Referee (VAR) na partida entre Brasil e Suíça, válida pela primeira rodada do Grupo E da Copa do Mundo Rússia 2018.

No documento, a CBF solicita esclarecimentos em relação ao cumprimento do Protocolo VAR - Versão 8, que prevê, em seu item 2, quatro decisões revisáveis: gols, decisões em penais, cartão vermelho direto e identidade equivocada.

A CBF requer da FIFA a razão pela qual a tecnologia não foi utilizada em lances capitais da partida.

Confira na íntegra o documento enviado pela CBF à Fifa: 

"Caro Mr. Infantino,

Nós fazemos referência ao jogo 9 da Copa do Mundo, disputado entre Brasil e Suíça, disputado no dia 17 de junho de 2018, na Arena Rostov, na Rússia

Após análise da CBF, gostaríamos de chamar sua atenção para certos episódios-chave da partida, que notamos após revisão feita por nosso departamento técnico, em particular, a respeito da conduta do árbitro Cesar Ramos e do assistente de vídeo, Paolo Valeri.

Os episódios são os seguintes:

a) Minuto 50: na ação, que levou ao gol suíço, é evidente que o jogador brasileiro Miranda foi claramente empurrado e deslocado pelo autor do gol, Zuber. Zuber puxa Miranda deliberadamente em duas diferentes ocasiões com as duas mãos. A segunda ocasião é mais clara, porque os corpos dos dois jogadores estão mais distantes. A ação caracteriza uma falta clara, que resultou numa vantagem para Zuber, pois Miranda foi incapaz de alcançar a bola. O árbitro não marcou falta, e Zuber fez o gol decisivo.

b) Minuto 74: falta cometida pelo zagueiro da Suíça Manuel Akanji sobre o atacante brasileiro Gabriel Jesus, a qual, tendo sido cometida na área, teria causado um pênalti a favor do Brasil, mas não foi assinalada.

Gabriel Jesus, que controlava a bola na área da Suíça numa clara oportunidade de fazer o gol, foi agarrado, também com as duas mãos, por Akanji, que o derrubou e portanto cometeu um pênalti claro. O árbitro, no entanto, não interveio e deixou o lance seguir.

Essas duas ações consitutem, na opinião da CBF, erros claros do árbitro que, portanto, deveriam ter sido analisados pelo VAR, de acordo com o protocolo do VAR.

Por outro lado a CBF sabe que, de acordo com o protocolo estabelecido pelo IFAB (International Board) e pela FIFA, é do árbitro de campo a decisão final se uma jogada deve ser revista ou não e se recomendação do VAR deve ser seguida ou não.

Igualmente, a CBF sabe que o VAR tem que informar o árbitro de campo sobre as ações passíveis de revisão, municiando-o com todos os fatos e recomendando a decisão a ser tomada.

Considerando o que foi falado acima e sob a luz do fato de que o VAR foi recentemente introduzido ao nível internacional, e é normal que certos esclarecimentos sejam fornecidos nos primeiros estágios da implementação nesta nova tecnologia, a CBF respeitosamente gostaria de ser informada sobre:

I - Mr. Valeri, ou alguma outra pessoa do VAR, sugeriu ao árbitro rever algum dos lances e como?
II - O árbitro, ou alguém com poder para tal, pediu ao VAR para analisar os lances?
III - Em qualquer um desses casos, como foi a comunicação entre as duas partes?
A CBF gostaria de dividir com a Fifa sua crença firme numa implementação apropriada e efetiva da tecnologia do VAR. Com isso em mente, a CBF respeitosamente pede que sejam fornecidos o vídeo e o áudio do VAR, de maneira a verificar o que realmente aconteceu.

Por fim, a CBF soube por notícias na imprensa que o Comitê de Arbitragem da Fifa teria dito que as decisões da arbitragem nas jogadas previamente citadas foram corretas e não haveria a necessidade de revê-las com o uso do VAR.

A esse respeito, CBF gostaria de receber uma posição oficial sobre esse assunto e, uma vez fornecida essa posição, reserva todos os seus direitos de comentar, também na luz de que possíveis jogadas possam ser revistas ao longo desta competição.

Obrigado pela atenção acima e ficamos no aguardo por uma resposta.

Sinceramente,

Confederação Brasileira de Futebol
Mr. Rogério Caboclo
Chefe de Delegação"