Copa America - Brasil x Peru (foto:Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Dunga amarga segunda eliminação em uma Copa América na nova passagem (foto:Lucas Figueiredo / MoWA Press)

RADAR / LANCE!
13/06/2016
11:53
Rio de Janeiro (RJ)

O novo vexame da Seleção Brasileira em uma competição internacional ligou o sinal de alerta quanto ao trabalho de Dunga. No dia seguinte ao Brasil cair na primeira fase da Copa América Centenário, com um revés por 1 a 0 para o Peru, especialistas do LANCE! apontam com pessimismo o atual trabalho da comissão técnica e questionam a possibilidade de uma sequência trazer bons resultados.

Em sua segunda passagem, Dunga amargou sua segunda eliminação na Copa América, e ainda vê o Brasil em sexto lugar nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Confira as opiniões abaixo!


João Carlos Assumpção, colunista do LANCE!

O trabalho de Dunga é péssimo. Ele e Gilmar Rinaldi não deveriam jamais ter sido chamados para reformular o futebol brasileiro, porque são sinônimos do atraso. De 2010 para cá Dunga não se reciclou e Rinaldi tinha qual credencial? Ser empresário de jogador, agente, o que diz muito sobre o que pensa a CBF do nosso futebol.

Dunga comandou a Seleção em alguns amistosos, usados por emissoras de TV interessadas em reconectar a equipe canarinho com o torcedor brasileiro como se fossem um grande feito, mas não conseguiu formar um time, montar um esquema de jogo, nada, nada, nada.

Deu vexame na Copa América do ano passado, eliminado vergonhosamente nas quartas de final. Dá um vexame após o outro nas eliminatórias da Copa da Rússia e do jeito que está ficaremos fora do Mundial. E nos Estados Unidos mostrou mais uma vez que não sabe trabalhar.

Não marcamos um gol diante do Equador e do Peru. E pior. Não tem humildade para reconhecer as falhas. Culpou a arbitragem contra o Peru, mas se "esqueceu" que ela nos ajudou diante do Equador, quando era para termos perdido o jogo de estreia.

Dunga não consegue ler o jogo, não percebeu a mudança tática dos adversários no segundo tempo, não escalou Ganso, não fez duas substituições a que tinha direito e foi com empáfia para a coletiva de imprensa, que mais uma vez foi vexatória. Não tem a menor condição de continuar. Aliás não tinha condições de ter voltado ao cargo. Deveria sair já e com ele toda a cúpula da CBF. Que de futebol não entende nada. Nem de gestão. Chega!

Marcelo Bechler, blogueiro do LANCE!

Por mais que seja comum repetir que não temos uma grande geração, que os craques não são os mesmos e que não se identificam com o time, isso só deveria valer (se é que vale) para derrotas contra grandes seleções, reconhecidamente melhores.

O Brasil não é individualmente pior que Peru e Equador. Ele se mostrou coletivamente igual. Tanto que empatou um jogo e talvez empatasse outro. Um erro de arbitragem evitou uma possível derrota no primeiro jogo e outro um possível empate no terceiro.

A culpa é do Dunga? Sim. Por apostar em um tipo de jogo que coloca o Brasil em condições de igualdade com adversários mais fracos. E Dunga não sabe um time bom jogar de forma que não seja reativa. E ou não sabe também ver isso ou está preocupado demais defendendo seu emprego.

O torcedor não é bobo. Ainda que houvesse se classificado, é fácil ver um futebol pobre. Basta ver outros times e seleções em campo. A dois anos da Copa a impressão é que perdemos dois anos de trabalho. E olha que o novo ciclo já convidava a uma profunda reflexão. Estou pessimista.


Rafael Pereira, editor do site do LANCE!

Vergonha! Seleção Brasileira passou mais uma vez por um vexame, manchando ainda mais sua história no futebol.

A eliminação para o Peru na Copa América é o retrato que os problemas expostos após o 7x1 não foram solucionados. A equipe precisa de um comando técnico experiente, que possa passar a tranquilidade em momentos de crise e tenha coragem para perceber que precisamos reinventar o nosso futebol.

Hoje a Seleção Brasileira é apenas mais uma equipe, que já mostrou que nem sempre a tradição pode viver para sempre. Não podemos ser dependentes de apenas um jogador, precisamos montar um corpo na Seleção Brasileira, com atletas realmente identificados com a Amarelinha e que tenham a consciência do que realmente estão representando.

Vinícius Perazzini, editor do site do LANCE!

Chegou a hora de mudar. Mudar de verdade, não apenas trocar algumas peças e maquiar o cenário de caos no futebol brasileiro. Da presidência da CBF até a comissão técnica, depois de ontem não deveria restar mais ninguém. O 7 a 1 já está uns 11 a 1 e a pancada só aumenta.

Como a reforma geral é uma utopia, a Seleção deverá apenas trocar de técnico, isso se trocar. Sem dúvidas, Tite é o nome mais preparado para assumir a equipe. O técnico sabe como poucos em sua profissão dar padrões táticos para suas equipes. Hoje, a Seleção é uma bagunça em campo. E sem Neymar, a situação beira o desespero.

Dunga está com seu "filme queimado" perante a torcida. Diante deste cenário, não seria loucura entrar com Tite já nos Jogos Olímpicos. A Seleção precisa, com urgência, de uma chacoalhada.

Eduardo Mansell, editor do site do LANCE!

A eliminação do Brasil é mais um capítulo triste na história da Seleção Brasileira desde os 7 a 1. A responsabilidade, porém, não deve recair somente nas costas do Dunga. Não seria nada justo. O futebol brasileiro vive um triste momento em sua administração. Marin, Del Nero, enfim, conseguimos piorar algo que já parecia ser o fundo do poço. Precisamos de uma administração profissional no futebol, de uma gestão séria, que dê respaldo aos profissionais da comissão técnica e aos jogadores. Os dirigentes têm que assumir sua culpa.

A crise não atinge só a Seleção Brasileira. Os clubes brasileiros estão dando vexame nos torneios continentais. Sequer um deles chegou à final nas duas últimas edições de Libertadores. A safra não é rica em virtudes. Quem no atual elenco é protagonista em seus clubes na Europa? Quem é considerado fundamental na Seleção? Se qualquer um dos titulares contra o Peru fosse barrado no jogo seguinte não geraria nenhuma comoção. Os jogadores também precisam assumir a sua responsabilidade.

Dunga também precisa assumir sua responsabilidade. No meu entender seu maior erro porém não é tático e sim não aproveitar seu histórico na Seleção para ajudar neste processo de mudança. Deve se apegar menos ao emprego e mais ao que pode fazer pela camisa canarinho. Deve criticar mais a administração, cobrar mudanças, mostrar que não se pode apenas culpar a comissão técnica ou os jogadores. Pedir um dirigente de peso nas competições. Reclamar das decisões políticas que tiram Neymar do torneio por conta de um sonho dourado que questiono a legitimidade.

Todos precisam fazer uma mea-culpa, inclusive quem critica o trabalho deve se distanciar de gostos pessoais ou de revanchismo. Nesse caso me refiro a Dunga, que com seu histórico na Seleção Brasileira seria respeitado em qualquer país do mundo, mas aqui é tratado como um imbecil, despreparado. Acredito que muitos nunca aceitaram que Dunga deu a volta por cima em 1994, após ser condenado a pagar o preço do fracasso de 90. Não aceitou o rótulo de Barbosa da geração 90. Teve papel importante na conquista do tetra e na campanha que levou ao vice em 1998. Como técnico, ganhou Copa América em 2007 dando baile na Argentina na final, a Copa das Confederações no ano seguinte, foi responsável por uma das melhores campanhas do Brasil em Eliminatórias (para 2010) e caiu nas quartas de final para a Holanda no Mundial, em um jogo que o Brasil poderia ter resolvido no primeiro tempo, que foi prejudicado pela arbitragem e que contou com uma falha do goleiro. Ou se tirarmos o Dunga e colocarmos o Tite vamos brilhar daqui para frente? Quem critica também deve assumir essa responsabilidade.

Enfim, a crise é maior do que se pensa, o fantasma dos 7 a 1 é capaz de gerar pânico e a discussão de hoje é a mesma de dois anos atrás. Todos apontam o dedo para o outro e esquecem de pagar a sua própria parte nesta conta. Isso explica estarmos assim.