Dunga e Gilmar Rinaldi (Foto: Mowa Press)

Dunga e Gilmar Rinaldi (Foto: Mowa Press)

Igor Siqueira
05/05/2016
06:45
Rio de Janeiro (RJ)

De um computador e um laptop colocados em uma das salas destinadas ao departamento de seleções no prédio da CBF é que Dunga, Gilmar Rinaldi e a comissão técnica da Seleção Brasileira acessam às informações colocadas no novo "pupilo" da entidade: o sistema com um banco de dados com informações dos jogadores observados.

Atualmente, todas as convocações das seleções de base - inclusive a olímpica, cuja parcela está na pré-lista para a Copa América - usam a ferramenta para referendar os nomes escolhidos pelos treinadores, desde a sub-15.

O conteúdo é feito pelos observadores da CBF, que avaliam os jogadores segundo os critérios força, velocidade, técnica, dinâmica, inteligência, potencial, atitude e 1 contra 1. A parte dos goleiros é separada. A classificação e por letras, sendo o A+ o nível mais elevado - ainda não há nenhum jogador com avaliação tão boa, nem mesmo os 11 da pré-lista da Copa América.

Esse trabalho ainda não abrange os jogadores da principal por completo, já que a CBF os conhece melhor. Mas já há dados daqueles que jogaram a Série A em 2015.

Todos os jogadores da Seleção chamados por Dunga estão em um arquivo gigante do Excel, no qual são computados os jogos e minutos em atividade pelos respectivos clubes e, claro, também pela Seleção.

Se a comissão técnica nota alguma "anomalia" com algum deles, como uma ausência frequente, o jogador é contactado para saber o que está se passando. Se o jogo de um jogador específico tiver que ser assistido, há um programa que salva em vídeo todas as partidas do futebol europeu e deixa à disposição para os assinantes.

O "pai" desse conceito de aparato tecnológico é o analista de desempenho Mauricio Dulac, que veio do Internacional para a CBF. Com desenvoltura ele é um dos que tem mais intimidade com a ferramenta, Maurício sabe exatamente onde está a planilha de cada um dos 369 jogadores brasileiros que atuam nas grandes ligas do exterior. Essa enorme lista tem separação por país e sinalização de idade e posição. É a esse leque que Dunga recorre em caso de necessidade para ocupar uma lacuna que venha a aparecer na Seleção.

- Nós estamos usando o trabalho de pessoas especializadas. Toda vez que alguém é convocado, tem um motivo bem explicado - garante o coordenador de seleções da CBF, Gilmar Rinaldi.

É com ajuda da tecnologia que também é feito o estudo dos adversários. É possível detectar, por exemplo, com auxílio de vídeo, como e por onde saem os gols das seleções que o Brasil vai enfrentar. Os relatórios são detalhados e repassados aos jogadores antes das partidas. Para a Rio-2016, por exemplo, o trabalho já está quase finalizado. Tem até relatório do Iraque. Mas falta, por exemplo, apontar com exatidão a escalação de Fiji, um adversário improvável.

Pelo menos na teoria, os olhos estão mais abertos para jogadores brasileiros que atuam por aqui ou no exterior. É munido desta informação que Dunga convoca os jogadores. E resta a ele ter a responsabilidade de montar o melhor selecionado, fazendo o Brasil render dentro de campo o modelo ideal que se desenha no papel.