Bruno Cassucci
10/08/2016
07:05
Enviado especial a Salvador (BA)

Axé, Seleção! Para quem precisa desencantar, vencer e voltar a ser abraçado pela torcida, não há melhor lugar para Neymar e companhia estarem do que em Salvador. Na capital baiana, o Brasil enfrenta a Dinamarca nesta quarta-feira, às 22h, tentando não só classificar para as quartas de final da Olimpíada como também evitar um novo vexame em casa.

A Terra da Alegria sempre trouxe bons ares à equipe canarinho. Prova disso é que na Fonte Nova, local do duelo contra os europeus, a Seleção nunca foi derrotada. Foram cinco empates e oito vitórias, a última no fim do ano passado, por 3 a 0 sobre o Peru, nas Eliminatórias da Copa.

O duelo ficou marcado, entre outras coisas, por um gesto que simboliza o que a torcida tanto vem cobrando do time nos últimos tempos. Ao anotar o seu primeiro gol com a Amarelinha, o meia Renato Augusto vibrou muito e chorou, em demonstração de amor pela camisa.

– Salvador é um lugar que nos traz sorte, aqui foi meu primeiro gol com a Seleção e temos uma torcida que nos apoia muito. Em um momento difícil que estamos vivendo, será importante a torcida do nosso lado. Com o apoio deles seremos mais fortes – destacou o camisa 5.

Depois de dois empates em 0 a 0, com África do Sul e Iraque, o Brasil estará em estádio perfeito para reencontrar as redes. “Casa dos gols” na Copa do Mundo de 2014, a Fonte Nova é também o estádio em que mais tentos foram marcados no futebol masculino na Olimpíada. Já foram 24 em quatro partidas, contra 18 da Arena da Amazônia, 13 do Engenhão e só um no Mané Garrincha, em Brasília, onde a equipe canarinho estava atuando.

O clima entre os jogadores não é bom após dois tropeços, muitas vaias e a possibilidade de eliminação precoce, mas o astral da torcida deve ser outro nesta noite, pelo menos até a bola rolar. Mais de 45 mil ingressos foram vendidos, dezenas de pessoas foram ao treino de ontem em Pituaçu, e tradicionalmente os baianos costumam incentivar a Seleção.

Soteropolitano, o técnico Rogério Micale conta com a energia de seus conterrâneos e os santos da Bahia para dar a volta por cima:

– Vou fazer o jogo mais importante da minha carreira até aqui, gostaria que meu povo abraçasse a Seleção e demonstrasse a felicidade que tem. Tenho orgulho de ser baiano, apesar do pouco tempo que vivi aqui. Gostaria que o povo nos abraçasse e iniciássemos aqui a busca por um sonho que não é meu, mas sim de todo o povo brasileiro!