Olga Bagatini
16/07/2016
07:00
São Paulo (SP)

Há dois anos, a busca por espaço e chances para mostrar seu futebol levou o jovem Henrique Miranda a aceitar um empréstimo para o Lechia Gdansk, da Polônia. Apesar de não falar a língua e estar sozinho em um país desconhecido, o lateral formado nas categorias de base do São Paulo, então com 21 anos, achou que a experiência serviria como "vitrine" para os grandes times da Europa. O que ele não esperava, contudo, era sofrer uma séria lesão logo no início da passagem. E que o clube, além de submetê-lo a uma cirurgia malsucedida, não prestasse o suporte necessário a alguém em suas condições. 

- Na minha estreia como titular, em setembro de 2014, sofri uma contusão no joelho. Fiz exames e o médico do clube falou que eu precisava de cirurgia. Eu avisei o São Paulo, pedi para fazer o tratamento aqui, e eles autorizaram, mas a operação teria que ser feita na Polônia. Perdi um pedaço da cartilagem e o médico colocou material sintético para substituir - disse o atleta ao LANCE!

- No dia seguinte ao procedimento, um rapaz do clube me buscou no hospital, levou para casa e simplesmente deu a receita para eu comprar os remédios. Me deixou lá, recém-operado e sem ajuda alguma. Eu estava sozinho, não falava polonês nem inglês e passei quatro dias usando muletas para ir à farmácia e ao mercado - acrescentou Henrique, que precisou recorrer à internet para aprender a aplicar injeções anticoagulantes em si mesmo. 

Seguindo o que havia acertado com o Tricolor, o jogador voltou ao Brasil para a recuperação. Ficou quatro meses em tratamento e voltou para a Polônia no início de 2015, a fim de cumprir o restante do contrato. Foi quando surgiram as primeiras mostras de que algo estava errado. 

- Voltei a treinar, mas meu joelho inchava e eu não conseguia participar das atividades. Entrei em um processo de treinar, sentir dores, ir para a fisioterapia, voltar a treinar e sentir dores novamente. Ficava nesse impasse - lembra. 

No meio daquele ano, o vínculo acabou e Henrique voltou ao Brasil. Passou mais dois meses sob os cuidados do departamento médico tricolor, melhorou e foi então emprestado ao Oeste para a disputa da Série B. Pouco depois, no entanto, o incômodo reapareceu. Foi quando solicitou ao departamento médico uma ressonância magnética - na qual foi constatada a falha na cirurgia. No fim das contas, o material sintético colocado pelo médico polonês no procedimento havia se soltado dentro do joelho. Era necessário refazer a operação. 

O médico Rene Abdalla, que atende atletas do São Paulo em casos cirúrgicos, operou Henrique em novembro de 2015. Em fevereiro, o garoto já estava completamente recuperado. Desde então, vem treinando separadamente em Cotia, na sede das categorias de base, pois já foi informado de que está fora dos planos. O contrato se encerra no dia 20 de julho e Henrique ainda ainda não recebeu propostas. Por ora, aguarda uma oportunidade de retomar a carreira.

Os médicos do time paulista assistiram ao vídeo da primeira cirurgia, avaliaram que os cirurgiões poloneses seguiram o protocolo e não identificaram as razões da falha. A reportagem tentou entrar em contato com o departamento médico do clube, mas o São Paulo limitou-se a informar que "prestou toda assistência e tratamento necessário ao atleta desde o retorno da Polônia". 

Agora, aos 23 anos, o atleta admite que esperava mais apoio do Lechia Gdansk à época, mas nega mágoas. Só ficou incomodado por ter que passar de novo pelo doloroso pós-operatório, além de adiar a volta aos gramados. 

- Fiquei bem triste quando soube que teria que refazer a cirurgia. Na hora foi delicado, achei que tinha sido negligência. Também fiquei chateado porque acho que deveria ter recebido mais assistência no começo, mas já foi. Tudo o que eu queria era parar de sentir dor e voltar a treinar logo. Agora estou tranquilo, curado e pronto para jogar - concluiu Henrique.