Marcio Porto
18/08/2017
05:15
São Paulo (SP)

A decisão de Dorival Júnior de promover o retorno de Sidão ao gol do São Paulo balançou uma relação iniciada em 2010, quando o técnico, no Atlético-MG, lançou um jovem goleiro. Esse goleiro era Renan Ribeiro, então com 20 anos, que agora perde a vaga no time justamente pelas mãos de quem o alçou ao profissional.

Como o próprio Dorival disse à ESPN, Renan ficou muito sentido ao saber que sairia do time. Ele foi informado antes da atividade desta quinta-feira, quando pela primeira vez com o técnico ficou fora do treino coletivo. O camisa 30 é o único atleta do São Paulo a disputar integralmente todos os 20 jogos do Campeonato Brasileiro até o momento. Foram oito com Dorival.


O abatimento de Renan foi relatado também pelos companheiros que conversaram com ele após a decisão. Alguns tentaram ser solidários, mas ficaram com a impressão de que o goleiro não concordou com os argumentos apresentados por Dorival para justificar sua decisão. O comandante disse que a escolha foi apenas baseada na questão técnica.

- O Renan é um profissional que eu tenho um carinho muito especial por ele, mas eu vinha amadurecendo uma situação, era uma ideia nessas últimas semanas, por questões técnidas que eu vinha observando- afirmou Dorival, à ESPN.

Relatos de quem acompanha o dia a dia no CT da Barra Funda ajudam a entender a decisão de Dorival e a reação negativa de Renan. Primeiro que o treinador não tinha total confiança no desempenho do goleiro. Tanto que assim que chegou participou do processo de avalização de Walter, reserva do Corinthians que foi analisado a partir da iniciativa de seu empresário. Por algumas razões, pode ser que Walter não venha, mas há no São Paulo a certeza de que um novo goleiro será contratado. Pela falta de confiança em Renan, e até em Sidão, e porque Denis, a terceira opção, não terá seu contratado renovado - vence em dezembro próximo.

Para Renan, a saída do time não poderia chegar em um pior momento. Em sua análise, compartilhada com os colegas, vive seu melhor momento desde que chegou ao São Paulo em 2013. Este ano, pela primeira vez se fixou como titular, ainda sob o comando de Rogério Ceni, demitido em julho para a chegada de Dorival. Ao mesmo tempo, está em meio a negociação para renovação de seu contrato que vence em maio de 2018. As conversas com a diretoria não têm sido simples.

Renan recusou a primeira oferta salarial, considerada por ele abaixo do que os outros dois goleiros do grupo recebem. O São Paulo nega isso. O goleiro fez uma contraproposta, ainda não teve resposta, mas a diretoria não está inclinada a elevar os valores. As partes ainda divergem sobre o acréscimo salarial que Renan receberia e sobre a quantia de luvas e a forma de pagamento. O arqueiro, sem ter um novo contrato desde 2013, gostaria que fosse feito à vista, enquanto o clube quer diluir ao longo dos cinco anos de contrato. Noas conversas ainda estão previstas para acontecer.

No entanto, sem entrar em campo Renan perde um de seus trunfos para convencer os dirigentes da valorização. Ele vinha tendo seu nome cantado pelos torcedores nos jogos no Morumbi. Agora, vê um de seus concorrentes ganhar sobrevida. Contratado no início do ano por indicação de Ceni, Sidão disputou nove jogos em 2017. Ele sofreu com uma lesão nas costas. Há quem diga que seria titular de Dorival caso estivesse 100% quando o técnico chegou. Para Dorival, chegou a hora, mesmo que isso tenha afetado a relação que se iniciou em 2010.