Marcio Porto
19/10/2016
18:33
São Paulo (SP)

É grande a chance de o São Paulo começar a temporada 2017 com Rogério Ceni como treinador. Desde que parou de jogar, no fim do ano passado, o ex-goleiro vem se preparando para assumir essa nova etapa na carreira e tudo indica que ela terá início no Tricolor já a partir do ano que vem. O Mito e o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva até já conversaram sobre o assunto.

Ceni e Leco se encontraram há cerca de dois meses. De acordo com uma fonte do Morumbi, o presidente deixou a conversa entusiasmado com as ideias do maior ídolo da história do clube. Obsessivo em tudo que faz, o ex-goleiro falou de seus planos de construir uma grande carreira como treinador. Do São Paulo.

É assim mesmo. A pessoas próximas, Ceni diz que não está se preparando para ser um treinador de futebol, mas para ser treinador do único clube que defendeu como profissional, durante 25 anos. Também por isso, descartou, em entrevista recente, trabalhar nos rivais, principalmente Palmeiras e Corinthians. E Ceni tem em quem se inspirar: Pep Guardiola.

A ideia de ser treinador surgiu em 2012, quando o ex-goleiro visitou o Barcelona (ESP) de Pep e ficou encantado com o que viu. O espanhol tem o modelo de carreira que Ceni pretende seguir. Parou de jogar num ano (2006) e no seguinte já começou como técnico do Barcelona B. Acabou revolucionando o clube espanhol, comandando um dos maiores times da história do futebol.


Nesta quinta-feira, o Mito viaja novamente para a Europa. Na Inglaterra, vai fazer mais uma etapa do curso da federação inglesa. Na viagem também está marcado um encontro com Jorge Sampaoli, treinador argentino que comanda o Sevilla (ESP), e outro técnico espanhol. O ex-goleiro vai acompanhar uma semana de treinos do ex-técnico do Chile, de quem é admirador.

Nas duas últimas semanas, Ceni esteve em Cotia, acompanhando os treinamentos da categoria de base. Um início como o de Guardiola, nas divisões inferiores, porém, é mais complicado. A presença do Mito no clube traria uma pressão enorme ao comandante do time principal a cada resultado negativo, na visão dos dirigentes tricolores. É por isso que a ideia de ele começar como auxiliar é improvável.

No meio do caminho tem a situação de Ricardo Gomes, de quem Rogério é profundo admirador. O ex-goleiro só aceitará definir algo com o São Paulo quando a situação do treinador estiver definida. No Morumbi, é dada como improvável a permanência de Ricardo para 2017, independentemente dos resultados até o fim deste ano. Se o time for rebaixado no Campeonato Brasileiro, a demissão será inevitável. Vale lembrar que o contrato do treinador com o clube não tem tempo estimado e pode ser rompido a qualquer momento.

A situação é complicada para o presidente Leco, que analisa. Apostar em Ceni seria uma grande cartada do ponto de vista político, já que as eleições são em abril e ele será candidato. No entanto, é preciso definir antes a situação de Ricardo, por quem o presidente mantém grande respeito. Na última segunda-feira, o dirigente admitiu que pode ter o ex-goleiro como treinador já em 2017.

- Não te diria que ele vá ser técnico do clube em um determinado momento, mas te diria que ele vai ser um dia, sim. E será muito bom. Para a instituição e para ele, um são-paulino seríssimo, obstinado e dedicado. Ele está se preparando para isso, não sei quando, mas com certeza será. E sim, é uma hipótese (para o ano que vem) - disse, à Rádio Globo.

Ceni, enquanto isso, segue seu projeto de preparação. A viagem à Europa já estava programada. Mas e os riscos de queimar a imagem como grande ídolo em caso de maus resultados no comando do time? O Mito tem falado muito disso e está disposto a correr. Ele quer ser vitorioso também como treinador. Do São Paulo. E a partir de 2017.