Ricardo Gomes - Santos x Botafogo

Ricardo Gomes tem 51 anos de idade e estava no Bota desde 2015 (Foto: Daniel Vorley/AGIF./Lancepress!)

Bruno Grossi
13/08/2016
09:35
São Paulo (SP)

Quando a definição da volta de Ricardo Gomes estava prestes a acontecer, uma avalanche de reclamações são-paulinas invadiu as redes sociais. Da revolta gratuita às críticas embasadas, o nome do técnico parecia ter rejeição enorme, o que pode ser um indício de uma passagem cheia de desconfiança.

A mais comum das lamentações era sobre o fato de Ricardo estar à frente de um time na zona de rebaixamento. Uma visão rasa e imediatista para um trabalho que merece análises muito mais cautelosas no Botafogo. O técnico tira demais de um elenco limitadíssimo, apresenta organização rara no futebol brasileiro e não tem medo de arriscar com garotos formados na base.

É compreensível pensar que são atributos simples para um clube de história riquíssima, mas que não vence um título há quatro temporadas. Mas e contexto atual? São Paulo e Botafogo não estão distantes como pode parecer. Faltam dinheiro e opções, há necessidade em usar jovens promessas e em readequar uma equipe pragmática deixada pelo antecessor Edgardo Bauza.

Com Patón, inclusive, o Tricolor sofria para criar. O Botafogo cria até demais pelo que oferece, mas, assim como os paulistas, sua sangue para concluir devido às limitações do elenco. E não há nada melhor no mercado. Tanto é que foi preciso buscar um técnico empregado. Ricardo conhece o funcionamento da máquina são-paulina e, bom, já encarou a morte.

Tem a coragem e a inteligência para enfrentar um desafio bem mais leve, como é o oferecido pelo São Paulo. A diretoria de hoje é muito mais parecida com a que respaldava Muricy e até Ricardo na década passada. As turbulências estão cada vez mais raras e o comprometimento tem contagiado a todos para que o clube cresça. E Ricardo pode ajudar, demais.