HOME - Leco é eleito presidente do São Paulo (Foto: Ari Ferreira/LANCE!Press)

Leco é leitor assíduo das obras do colombiano Gabriel García Márquez (Foto: Ari Ferreira/LANCE!Press)

Bruno Grossi e Marcio Porto
13/07/2016
06:50
Medellín (COL) e São Paulo (SP)

Onze anos depois do tricampeonato, diante do pelotão de fuzilamento em Medellín, o São Paulo há de se lembrar das glórias que o fizeram ser conhecido como Clube da Fé. Só assim, com um toque de realismo mágico tão caro aos colombianos, o time será capaz de superar o Atlético Nacional e chegar à final da Libertadores para tentar o sonhado tetra.

Passar da semifinal, após a derrota por 2 a 0 na ida, ganhou contornos de fantasia para o São Paulo. Daquelas que o escritor colombiano Gabriel García Marquez eternizou em seus livros. Gabo, como era chamado, não era são-paulino, mas criou histórias surreais como se fossem comuns. É o símbolo do sentimento que alimenta a esperança tricolor de escrever mais um capítulo fantástico de sua trajetória.

A missão é ainda mais improvável do que as já alcançadas nesta Libertadores. Teve vaga na altitude com zagueiro no gol, show contra os favoritos mexicanos, classificação no Horto, onde, até então, quem caiu estava morto. Por que não acreditar em uma vitória por 2 a 0, que levaria a decisão para os pênaltis, ou mesmo um 3 a 1, com vaga direta? Em Medellín, depois de Gabriel Marquez e todo o realismo mágico, não há mais quem duvide de façanhas. Um deles é o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, fã declarado do autor.

- Gosto muito de ler e gosto especificamente muito de Gabriel García Marquéz. Li muitos dos livros dele e um dos meus sonhos é voltar à Colômbia para conhecer a casa em que ele morou em Cartagena de Índias. Meu livro favorito é o Cem Anos de Solidão. Gosto muito também do Memórias de Minhas Putas Tristes, que tenho a edição em espanhol. Gosto de sentir as obras como são de verdade, em sua versão original - contou Leco, ao LANCE!.

Medellín não é Macondo, aldeia fictícia de Cem Anos de Solidão, mas inspira milhares de pessoas, seja habitantes ou turistas. Há na cidade, desde o início deste ano, um Centro Cultural para celebrar a obra de Gabo, o maior escritor colombiano. É onde o São Paulo jogará pelo sonho de 18 milhões de torcedores.

Gabriel Garcia Márquez
García Márquez morreu há dois anos (Foto: Алый Король/Wikipedia

– Nossa torcida sempre acreditou, mas parte da imprensa dizia que não tínhamos time para chegar. E hoje puderam ver que somos os únicos na semifinal. Temos futebol para vencer aqui. Só precisamos ter mais atenção do que tivemos no Morumbi – disse o sonhador Thiago Mendes, que é pescador nas horas vagas.

Transformar história de pescador ou de escritor famoso em realidade é o que o São Paulo pode fazer nesta quarta-feira, a partir das 21h45, no Atanásio Girardot. Seria uma realidade mágica.

ENTENDA MELHOR O REALISMO MÁGICO

O surgimento

A corrente literária realismo mágico ou realismo maravilhoso, na Espanha, surgiu entre as décadas de 1960 e 70, quando os países da América-Latina passavam por regimes ditatoriais. Além de García Marquez, o peruano Mário Vargas Llosa e os argentinos Júlio Cortázar e Jorge Luis Borges, entre outros, são expoentes. As obras dessas autores em tal estilo trazem componentes fantásticos, surreais, como se fossem parte do cotidiano.

‘Gabo’
Gabriel José García Marquez, o Gabo, foi um escritor colombiano morto em 2014, aos 87 anos. Considerado um dos mais influentes da história, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 e foi também jornalista. A introdução de Cem Anos de Solidão, sua obra-prima, inspirou o início do texto que abre essa reportagem.