Marcio Monteiro
19/05/2016
10:22
São Paulo (SP)

Mais de 27 mil torcedores viram o São Paulo passar um de seus maiores vexames na Libertadores, ao cair jogando no Pacaembu por 1 a 0 para o The Strongest, na partida de estreia da fase de grupos da competição, após classificação sem brilho contra o fraco César Vallejo na primeira fase do torneio.

Daquele jogo, para a classificação contra o Atlético-MG, foram exatos 3 meses e 1 dia, e poucas mudanças no time titular, porém, determinantes para a evolução do time. A equipe que começou contra os bolivianos tinha Denis; Bruno, Rodrigo Caio, Lucão e Mena; Hudson, Thiago Mendes e Paulo Henrique Ganso; Centurión, Michel Bastos e Alan Kardec.

As mudanças de Patón foram determinantes. Maicon e Calleri ganharam facilmente as vagas de Lucão e Alan Kardec, além de se tornarem expoentes na zaga e ataque. O beque vem sendo determinante na defesa, e o argentino é o artilheiro da Libertadores. Quem demorou mais a sair foi Centurión.

O atacante, vindo com pinta de craque ao Tricolor, não pode reclamar que não teve chances. Bauza insistiu, até demais, em seu compatriota no time titular, até ver que não dava mais. Testou Rogério, testou mais um homem no meio, até que achou Kelvin, que chegou sem muito alarde, mas deu novo fôlego ao ataque são-paulino.

A defesa, apesar de ainda levar sustos com o contestado Denis, é segura hoje com Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena. Hudson e Thiago Mendes parecem ter encontrado seu melhor futebol e posicionamento. Ganso vem mantendo boa regularidade, o que permite que seu talento com a bola apareça cada vez mais. Michel Bastos, como ele mesmo disse, voltou a se focar totalmente dentro de campo e apagou as rusgas com a torcida. Todo o time incorporou o espírito da Libertadores.

O São Paulo é hoje um dos quatro melhores times da América, mesmo que não jogue um futebol vistoso. Porém, é extremamente competitivo, com um treinador que sabe como vencer este torneio, assim como o time que comanda. Juntos, Patón e Tricolor possuem cinco títulos da Libertadores.

Bauza talvez seja o maior nome deste São Paulo semifinalista. Contra o The Strongest, eram apenas 25 dias de trabalho e quase nada de conhecimento sobre o time. Agora, são quatro meses de comando e ele já parece ter o time na mão, sabendo tirar e explorar o melhor de cada jogador.

Tempo. É o que muitos técnicos são impedidos de ter no imperdoável futebol brasileiro. Se você é eliminado, até mesmo com boa campanha, em qualquer torneio que seja, sua cabeça já está em risco. É raro ver um treinador ficar um ou dois anos no mesmo clube no Brasil sem que ganhe algum título.

O Tricolor segue não sendo o principal favorito na Libertadores-2016. Ainda vejo Atlético Nacional, Rosário Central e Boca Jrs. com times mais ajustados. Assim como o Atlético-MG também era... O não-favoritismo vem dando certo para este competitivo time do São Paulo, que pode escapar de um desses três rivais fortes na semifinal e encarar Independiente del Valle ou Pumas, contra quem, ai sim, seria favoritíssimo.

E chegando a final, seja contra quem for, o time vai com a moral alta de um tricampeão continental e com uma força determinante que não teve na estreia contra o Strongest, o estádio do Morumbi e seus mais de 60 mil torcedores apaixonados e sedentos por mais uma Libertadores.