Ataide Gil Guerrero

Ataide Gil Guerrero passou 23 meses na vice-presidência de futebol do Tricolor (Foto: Divulgação)

Bruno Grossi
18/03/2016
18:18
São Paulo (SP)

Ataíde Gil Guerreiro não é mais o vice-presidente de futebol do São Paulo. Após passar o dia preso em reuniões, o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva decidiu mudar o cartola de cargo, para chefiar a diretoria de relações institucionais. A mudança no futebol era cobrada pela torcida desde o ano passado e foi endossada por conselheiros após gafe cometida por Ataíde no caso Michel Bastos e pela falta de resultados na temporada.

Outras alterações também foram efetuadas por Leco no departamento de futebol: o diretor da pasta, Rubens Moreno, foi mais um afastado e será substituído por Luiz Cunha - o cartola exercia o mesmo cargo nas categorias de base. Já o diretor-executivo Gustavo Oliveira, mais um que enfrenta resistência entre conselheiros, segue com a confiança da presidência, que ainda não definiu quem ocupará o posto deixado por Ataíde nesta sexta-feira.

- Luiz tem uma passagem vencedora por Cotia e ajudou a formar os garotos que, em pouco tempo, estarão rendendo enormes frutos dentro de campo atuando na equipe principal. Temos certeza de que suas qualidades serão fundamentais para formarmos pilares sólidos para o departamento - disse Leco, em nota publicada no site oficial do clube.

A pressão sobre o agora ex-vice de futebol ficou insustentável depois de entrevista em que Ataíde admitiu ter esquecido de avisar Gustavo sobre uma proposta do Internacional por Michel Bastos. O papel importante na renúncia de Carlos Miguel Aidar e nas negociações por um contrato elogiado com a Rede Globo -  com luvas de R$ 60 milhões - o garantiu em cargo menor na diretoria.

- Uma pequena amostra das qualidades do Ataíde foi na renovação dos direitos de TV, quando ele conduziu brilhantemente o processo e revolucionou o segmento com uma nova proposta que será benéfica não só ao São Paulo, mas a todos os clubes. O torcedor pode ter certeza de que terá um representante que defenderá nossas cores com a dedicação de sempre - valorizou Leco.

A gestão de Ataíde durou 23 meses. O advogado foi escolhido por Aidar para substituir, na época, João Paulo de Jesus Lopes e colecionou episódios confusos em quase dois anos - o primeiro deles foi dizer, na entrevista de posse, que não sabia nada de futebol. Em 2015, prometeu pedir demissão caso o time não ganhasse nenhum título e brigou com a torcida.

Aidar e Ataíde Gil Guerrero (Foto: Ale Cabral/LANCE!Press)
Moreno, Gustavo, Aidar e Ataíde conversam no início da temporada passada. Só Gustavo sobrou (Foto: Ale Cabral/LANCE!Press)

Outra razão para o enfraquecimento de Ataíde entre os conselheiros foi a maneira como o então vice de futebol tentava blindar o CT da Barra Funda de cartolas e "bicões". A mesma postura, no entanto, agradava a quem conseguia trabalhar com mais tranquilidade no dia a dia. Parte do elenco mantinha apreço pelo dirigente, mas novo atraso salarial prejudicou a relação.

A manutenção de Gustavo é justificada pelo planejamento traçado por ele ao lado da comissão técnica de Edgardo Bauza. A princípio, o diretor-executivo será auxiliado por Luiz Cunha, mas os cargos de diretor e vice da pasta ainda devem sofrer alterações. A contratação de um gerente também não está descartada, embora não seja a primeira opção.