Bruno Grossi
31/05/2016
09:05
São Paulo (SP)

Carlos Augusto de Barros e Silva tinha como maior sonho da vida presidir o São Paulo. Havia quem o apontasse como passional demais para o cargo, assumido há sete meses e quatro dias após eleições inesperadas. A terra arrasada pela gestão Carlos Miguel Aidar, que renunciara 14 dias antes, em outubro de 2015, não deixava boas perspectivas, mas Leco fez do clube seu filho. Cuida com alguns excessos, algumas falhas, mas tenta fazer o máximo para que o melhor caminho seja trilhado. Restam agora 11 meses para o fim da gestão, mas a trajetória pode ser consolidada em bem menos tempo. Depois de resolver problemas crônicos do clube nos últimos anos, a missão mais decisiva é conquistar um título, que pode nascer depois de nove meses na presidência.

SALÁRIOS EM DIA
O São Paulo sempre se orgulhou da capacidade de manter as finanças em ordem no Morumbi. Atraso salarial, então, era algo completamente impensável nas passagens de Marcelo Portugal Gouvêa e Juvenal Juvêncio. Durante a gestão de Carlos Miguel Aidar, porém, isso tornou-se rotina. Os atletas passaram a ficar desconfortáveis com o atraso no pagamento de direitos de imagem, que chegou a ficar acumulado em quatro meses. Já com Leco na presidência tricolor, houve apenas um atraso, quitado uma semana depois, ainda no início de fevereiro deste ano.

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Patrocínio passou a ser fixo no último domingo (Foto: Mauro Horita)

PATROCÍNIO MASTER

Desde que a parceria com a LG foi encerrada no fim de 2009, o São Paulo sofreu para encontrar um patrocinador master que fosse duradouro e vantajoso. De lá para cá, passaram o Banco BMG e a Semp Toshiba, que deixou o posto em julho de 2014 em decisão da antiga gestão de antecipar o fim do contrato. O tempo passou e o Tricolor viveu de acordos pontuais e em em redes sociais. No início do ano, o clube já havia fechado as barras da camisa com Joli e Fiap, até acertar o master com a Prevent Senior por até 18 meses. Uma coletiva com a parceira será feita nesta terça-feira, às 12h. Os valores das negociações ainda não foram confirmados.

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Luiz Cunha protege o elenco (Foto: Marcello Zambrana/ AGIF)

CT BLINDADO
Não foram poucas as vezes em que a exposição do CT da Barra Funda trouxe problemas e foi criticada nos últimos anos. A procura por um escudo para elenco e comissão técnica se estendia desde a saída de Marco Aurélio Cunha em 2011 e só foi concluída em março. Leco afastou Ataíde Gil Guerreiro, que sofria pela falta de tato para lidar os jogadores, da vice-presidência de futebol e dividiu o cargo com o diretor-executivo Gustavo Oliveira e com o diretor de futebol Luiz Cunha, que cumpria o papel na base com elogios e ganhou a confiança do elenco ao recuperar Michel Bastos.

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Rodrigo Caio treina nos Estados Unidos (Foto: Rafael Ribeiro)

SELECIONADOS
A Copa América pode até ter desfalcado o time de Edgardo Bauza de dois titulares, mas ajudou e muito o São Paulo a recuperar seu prestígio depois de um ano conturbado em 2015. No caso de Mena, que defenderá o título com o Chile, a valorização pode atrapalhar em uma eventual renovação do vínculo após o fim do empréstimo do Cruzeiro em dezembro. Já com Rodrigo Caio, que ainda deve disputar a Olimpíada, o caso é diferente: a diretoria crê que finalmente poderá sanar parte das dívidas com uma venda de altas cifras para a Europa, um sonho do zagueiro de 22 anos.

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Bruno decidiu o Choque-Rei com assistência para Paulo Henrique Ganso marcar de cabeça (Foto: Mauro Horita/Lancepress!)

LATERAIS
“Juvenal, contrata um lateral!” foi grito constante nos últimos anos de poder do ex-presidente. A quantidade de apostas do São Paulo para arrumar as laterais depois das saídas de Ilsinho e Jorge Wagner tornou-se piada entre os rivais e nenhum jogador se firmou. A regularidade de Mena tem conquistado a torcida e o levou à Copa América, enquanto Bruno superou a sombra do desejo de Bauza por Buffarini e igualou Ganso com cinco assistências no ano.

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Ganso comanda festa após classificação diante do Atlético-MG nas quartas de final da Libertadores (Foto: Thomas Santos/AGIF)

SEM TABUS
A temporada tem servido para o São Paulo quebrar alguns tabus que castigavam a torcida há algum tempo. Na Libertadores, o Tricolor encerrou série de sete eliminações para brasileiros ao bater o Atlético-MG e chegar à semifinal depois de seis anos. Em clássicos, a vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras no domingo encerrou jejum de um ano sem triunfos sobre os rivais e ampliou para 23 partidas a invencibilidade contra o Verdão no Morumbi.

Em 2012, Rogério Ceni ergue sua última taça pelo São Paulo, de campeão da Copa Sul-Americana de 2012
Rogério Ceni e Lucas erguem a taça da Sul-Americana de 2012, o último título do São Paulo (Foto: AFP / NELSON ALMEIDA)

E O TÍTULO?
Ainda nem tudo são flores para a gestão Leco no São Paulo. Afinal, o clube esperava muito que o jejum de títulos no Campeonato Paulista fosse encerrado com uma década de fracassos, mas uma goleada para o Osasco Audax por 4 a 1 atrasou o plano em mais um ano. Agora, o clube terá 36 dias para se preparar para o duelo com o Atlético Nacional (COL) na semifinal da Copa Libertadores da América e voltar a uma final depois de dez anos. E, claro, encerrar jejum de quatro anos sem taças.