Maicon do São Paulo

Maicon foi comprado pelo São Paulo na noite da última terça-feira (Foto: Marcello Zambrana/AGIF)

Bruno Grossi
29/06/2016
14:22
São Paulo (SP)

Seu Murilo não estava quando seu filho mais velho tentou telefonar e enviar mensagens já no fim da noite da última quarta-feira. O mineiro passeava para tentar relaxar, mas só quando voltou para casa é que o alívio foi pleno. Afinal, a indefinição que angustiava a família nas últimas semanas havia terminado. Ficar no Brasil era uma realidade.

Murilo, na verdade, é o apelido de Maurides Roque Neto. Seu filho é Maicon Pereira Roque, zagueiro e capitão do São Paulo. E todo esse alívio só foi permitido porque o Tricolor decidiu pagar cerca de R$ 22 milhões e ainda ceder dois jogadores para o Porto (POR). Para os Dragões, ninguém da Família Roque queria voltar. No Morumbi, agora todos querem estar.

- Quase não dormi nas últimas noites esperando uma resposta. Graças a Deus, tudo deu certo. Fiquei assustado que ele estava mandando mensagem tão tarde. Estava ansioso, esperando que desse certo, quando ele me ligou de novo para contar que havia conseguido ficar no São Paulo por quatro anos. Todos queriam isso - contou Murilo, ainda agitado, ao LANCE!.

Nos últimos dias, o pai de Maicon se dedicou a tentar acalmar o filho. Era preciso controlar a insatisfação com a chance de voltar ao Porto, de onde saiu chateado com dirigentes. Ao mesmo tempo, era preciso controlar a ansiedade pela chance de permanecer em um clube que deu ao zagueiro a oportunidade de recomeçar ao lado da família, dos amigos e de uma nova torcida.

- Ninguém aqui queria que ele voltasse. Por isso quero agradecer, de coração, a toda a torcida do São Paulo. Jamais esperaria tudo isso que está acontecendo com meu filho. Essa campanha "Fica, Maicon" foi muito bonita. Agradeço demais. Vocês estão de parabéns pela forma como brigaram até com o presidente para segurar meu filho - reconheceu, com dose de emoção.

O sotaque mineiro, arrastado e agora despreocupado, faz os sonhos de Seu Murilo parecerem simples. Talvez seja a alegria do momento, talvez seja a confiança no trabalho do filho. O fato é que os Roque e todos os são-paulinos torcem juntos para que Maicon siga crescendo e que as profecias do pai do zagueiro estejam completamente certas.

- Meu primeiro sonho é vê-lo erguer o caneco da Libertadores. É assim que ele vai começar a ir para a Seleção Brasileira. Tenho que sonhar com isso, com Copa do Mundo. Sonhar não custa nada e na fase em que ele está, acho que posso fazer isso. Agora que está mais calmo é que vocês verão o Maicon jogar bem de verdade. Confio no trabalho dele, que terá ainda mais determinação e vontade. Ele vai brigar muito mais - avisou.