Bruno Grossi
05/04/2016
23:38
São Paulo (SP)

O São Paulo andava sem crédito no mercado. O nome, sempre uma referência, ainda sujo por papelões políticos e futebolísticos. Era preciso pagar logo uma parte da dívida, pois a pressão dos cobradores era imensa na Copa Libertadores da América. A tarefa tinha de começar na noite desta terça-feira, sem erro. E não houve erro, houve correção monetária, em trocadilho leigo, para golear o Trujillanos (VEN) por 6 a 0 graças à atuação história de Calleri e conquistar a primeira vitória no torneio internacional. Veja a repercussão no vestiário do Morumbi.

Tudo bem que a situação financeira dos venezuelanos é muito pior, bem como a técnica dos visitantes no Morumbi. O estádio, como um banco fiel, deu crédito fácil aos devedores são-paulinos. A torcida não lotava as arquibancadas, mas prometia um clima melhor do que nos outros jogos deste ano. O time não é o melhor de todos os tempos, mas prometia uma forma de pagamento mais agradável, mais suave. Veja como foi lance a lance.

Não foram suaves, entretanto, as prestações que construíram uma das maiores goleadas da história. Aos 13 minutos, o primeiro cheque foi assinado por Calleri, de cabeça, com Michel Bastos como fiador-assistente. Aos 18, o cheque de Kelvin foi devolvido depois de grande jogada de Mena pela esquerda, mas a arbitragem admitiu o equívoco e validou o pagamento. Para que não restassem dúvidas sobre o compromisso tricolor, João Schmidt desencantou e fez o primeiro dele como profissional são-paulino em 27 partidas.

Libertadores - São Paulo x Trujillanos (foto:Mauro Horita/LANCE!Press)
Torcida recebeu time com festa (foto:Mauro Horita/LANCE!Press)

No segundo tempo, o Morumbi poderia ser um templo de paz, mas ainda era possível ouvir lamúrias ranzinzas de quem sempre desconfia de quem um dia foi devedor. Pênalti logo aos cinco minutos, e mais desconfiança. Menos para o dono da noite, o investidor tricolor, Jony Calleri. Sem estresse, goleiro deslocado e mais um cheque depositado. E outro aos 35, desta vez com a emoção de mais um pênalti perdido - Deus salve o rebote!. E mais um aos 41, em linda arrancada e tapa certeiro para limpar o nome do São Paulo e encerrar a conta venezuelana.

Um pouco mais aliviado, o Tricolor analisará de longe o embate entre River Plate (ARG) e The Strongest (BOL). O melhor seria um empate em Buenos Aires, mas por uma noite haverá tempo e razão para não criar tantas preocupações com o banco de pontos. Aliás, os brasileiros agora têm cinco, o mesmo número do River e dois a menos do que os bolivianos. Já o Trujillanos faliu, com um ponto.

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 6 X 0 TRUJILLANOS

Local: estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Data-Hora: 5/4/2016 - 21h45 (horário de Brasília)
Árbitro: Ulises Mereles (PAR)
Auxiliares: Milciades Saldivar (PAR) e Dario Gaona (PAR)
Público/Renda: 18.561 pagantes / R$ 747.042,00
Cartões amarelos: Mena e Maicon (SAO), José Páez e Héctor Pérez (TRU)
Gols: Calleri 12' 1ºT (1-0); Kelvin 17' 1ºT (2-0); João Schmidt 24' 1ºT (3-0); Calleri (pênalti) 4' 2ºT (4-0); Calleri (pênalti) 34' 2ºT (5-0); Calleri 41' 2ºT (6-0)

SÃO PAULO: Denis, Bruno, Maicon, Rodrigo Caio (Lucão 14' 2ºT) e Mena; Hudson (Thiago Mendes 22' 2ºT), João Schmidt, Ganso, Michel Bastos e Kelvin (Lucas Fernandes 22' 2ºT); Calleri. Técnico: Edgardo Bauza

TRUJILLANOS: Héctor Pérez, Granados, Del Castillo, Luiryi Erazo e José Páez; Geraldo Mendoza (Johan Osorio - intervalo), Maurice Cova, Franklin González (Álgel Nieves - intervalo) e Carlos Sosa (Sebastián Contreras 24' 2ºT); James Cabezas e Rubén Rojas. Técnico: Horacio Matuszyczk