Aniversario - Sao Paulo

Roberto Nateal (à direita) ao lado do tio Laudo Natel e do presidente Leco (Foto: Igor Amorim/saopaulofc.net)

Marcio Porto
03/10/2016
06:50
São Paulo (SP)

O sobrenome Natel é sagrado no São Paulo. Deve-se à atuação de Laudo Natel, ex-presidente do clube e ex-governador do Estado. O famoso dirigente está aposentado e com 96 anos. Por razões óbvias, hoje em dia é raro vê-lo no Morumbi. Mas um de seus sobrinhos trabalha para manter o nome da família no comando. Na semana passada, Roberto Natel, 54 anos, entregou o cargo de vice-presidente geral para correr em busca de um sonho: repetir o tio e ser presidente do São Paulo.

O novo Natel rebate quem diz que sua única força política está no sobrenome. Figurinha carimbada nas últimas gestões, tendo sido um dos homens de confiança do ex-presidente Juvenal Juvêncio, Roberto diz que o argumento parte de invejosos.

– Estou há 12 anos na administração do São Paulo e em nenhum momento pedi algo ao governador Laudo Natel, em nenhum momento usei meu nome. Lógico que carrego um nome muito forte. Isso é uma responsabilidade muito grande para mim, ao contrário do que dizem. Meu tio construiu o Morumbi, fez o São Paulo de glória, e eu tenho essa responsabilidade de manter o nome intacto – afirmou Natel, ao LANCE!.

Natel sustenta que sai da gestão do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, mas continua como situação. Descarta se aliar à oposição. A ideia dele é que os grupos políticos que apoiam a atual diretoria façam um plebiscito para decidirem o candidato que vão tentar eleger no pleito de abril de 2017. Assim, ele faria uma prévia com Leco, que também já se declarou candidato.

O dirigente discorda que o momento para sua saída era inoportuno, devido à má fase vivida pelo time no Campeonato Brasileiro, em que luta contra o rebaixamento.

– Não estou saindo do cargo e deixando minha responsabilidade para trás Eu faço parte. Em nenhum momento estou saindo para a oposição. É um desejo legítimo meu e estou fazendo por lealdade ao Leco – disse.

Para ser presidente do São Paulo, Natel precisará montar um chapa com assinatura de conselheiros. O sobrenome da família está em jogo.

Entrevista com Roberto Natel, ex-vice do São Paulo

Por que tomou a decisão de sair da diretoria neste momento?
Eu já estava há algum tempo para pedir demissão. Esse cargo é de alto confiança, tem de estar totalmente alinhado com o presidente, e de um tempo para cá, tenho um objetivo, que é contrário ao do Leco. Tenho o objetivo de ser presidente, ele também.. Seria incompatível. Estou saindo por lealdade, não faria sentido continuar em um cargo de confiança tendo objetivos diferentes.

O processo eleitoral não começou muito cedo? Não dava para esperar a temporada acabar, ainda mais porque o time está mal?
Ninguém está falando de eleição. A oposição fiscaliza desde a entrada da gestão. Agora você não tem o nome do candidato da oposição, da situação, então não se começou nada. Vai começar mesmo lá para dezembro, nomes concretos. Aí começa a luta para conquistar o conselheiro.

Vê Marco Aurélio Cunha como possível adversário?
Eu não acredito, não. O Marco é uma pessoa muito competente na área dele, hoje ele está gerenciando futebol, tem meu apoio nesse sentido, ele já sabia que eu sairia. Mas não acredito que ele seja candidato.

O mesmo grupo político, do qual o senhor faz parte, comanda o clube há 14 anos. Uma mudança não é saudável para a evolução?
Várias pessoas da oposição estão trabalhando com o leco. Acho que estamos passado por uma fase muito difícil, em que temos que rever muitos quesitos para recolocar o São Paulo nos trilhos. Não ser melhor, mas diferente. Hoje o São Paulo está focado na crise e isso está certo.

Há quem diga que sua única força política é o sobrenome. Por que acha que tem de ser presidente?
Porque eu faço as coisas acontecerem. Eu fiz mais de 55 milhões com shows no Morumbi. Passei de R$ 300 mil para R$ 1,2 milhão por show. A empresa de bilheteria que pagou mais de 2 milhões para o São Paulo. Não foi o Laudo Natel que fez isso, foi o Roberto. As pessoas têm inveja e eu tenho convicção de que fiz um grande trabalho onde coloquei a mão. O São Paulo teve resultados, e nunca entrei na sala do governador nada, pelo contrário. Sempre conversei muito com ele, ouvindo a história dele. Eu teria, sim, um orgulho muito grande de fazer as coisas. 

Qual o principal problema do São Paulo hoje?
O São Paulo  vendeu muitos jogadores e acabou perdendo aqueles que decidiam. Antes da Libertadores estava indo bem, acabaram por vender, como o Ganso, e deu a reestruturada. Tem de planejar melhor para sair dessa.

O que o São Paulo precisa mudar que o impede de ser profissional?
Precisa ter profissionais da área com metas para atingir. Hoje você não tem isso. É um grande começo. Várias coisas. tudo tem que esperar um estatuto.

Está se referindo ao fato de o diretor de marketing (Vinicius Pinotti) ser empresário e o vice-presidente de comunicação e marketing (José Francisco Manssur) ser advogado?
Não, com isso eu concordo, não quer dizer nada. O Vinícius e o Manssur estão fazendo um ótimo trabalho. Quando eles entraram na diretoria, o São Paulo não tinha um contrato de marketing assinado, e hoje tem mais de R$ 30 milhões. O Vinicius tem contato muito grande, o Manssur também.