Shaylon - São Paulo

Shaylon recebeu a notícia da promoção nesta segunda-feira (Foto: Afonso Pastore/saopaulofc.net)

Bruno Grossi
02/01/2017
15:17
São Paulo (SP)

No fim de 2014, logo após a chegada do então gerente-executivo da base, Júnior Chávare, o São Paulo acertou o empréstimo do meia Shaylon, uma desconhecida promessa da Chapecoense. No CT da Barra Funda, ao comentar a contratação, um dos assessores replicou o que ouvira internamente: o garoto parece Paulo Henrique Ganso.

"Taison ou Messi" e "novos fulanos" insistem em nos ensinar que comparações precoces são arriscadas e, muitas vezes, desnecessárias. Então, a reação natural naquele dia foi franzir a testa e duvidar das semelhanças com Ganso. Até que, meses depois, em treino da base contra os profissionais, lá estava Shaylon. E foi preciso admitir: o garoto parece Paulo Henrique Ganso.

Primeiro, fisicamente. Esguio, alto, canhoto. Até o corte de cabelo e o jeito de andar remetiam ao Maestro. "Deve ser isso, a aparência". E Shaylon retornou à Cotia, quase sempre à sombra de Lucas Fernandes e David Neres. Até a dupla ser promovida e o caminho ficar aberto para a camisa 10 do time de André Jardine. E, bem: o garoto parece Paulo Henrique Ganso.

Agora, tecnicamente. A comparação resistia calada a cada jogo no sub-20... E Shaylon tratava a bola cada vez mais com gentileza. Com maestria. Na final da Copa do Brasil contra o Bahia, no Morumbi, o jogo era assistido por alguns na redação deste LANCE!. Um giro com a bola, uma enfiada surpreendente, um gol, dois gols... Sim: o garoto parece Paulo Henrique Ganso.

Falei, baixo, a um colega. No Twitter, pensei em repetir. Os "prints" do futuro evitaram - embora o tal colega tenha resolvido expor o pensamento com o argumento: "Não tenha medo de comparar, eles se parecem". Até que, no dia seguinte, a comparação foi proposta ao vice-presidente de futebol José Alexandre Médicis, que comandava a base na contratação de Shaylon. O cartola nem sequer esperou: o garoto parece Paulo Henrique Ganso.

"O jeito de correr, a forma como inverte o jogo de uma forma que ninguém espera. Não é absurdo comparar, não. É natural", foi o restou na memória do que disse Médicis. A categoria do meia na base foi incontestável. A leitura de jogo rápida e ofensiva encantou Rogério Ceni, que fez justiça ao tirá-lo da Copa São Paulo e inscrevê-lo na Florida Cup. Será a primeira chance para a maior parte da torcida reparar: o garoto parece Paulo Henrique Ganso.