Denis

Denis recebeu a camisa 1, que não era utilizada desde o início de 2007 (Foto: Érico Leonan/SPFC.net)

Marcelo Laguna
20/04/2016
17:42
São Paulo (SP)

Desde que foi anunciada a aposentadoria de Rogério Ceni dos gramados, que ocorreu em dezembro de 2015, já se sabia que a vida de Denis não seria fácil. Afinal, aos 29 anos, ele teria a espinhosa missão de substituir simplesmente o maior ídolo da história do São Paulo. E se hoje o novo dono da camisa 1 tricolor desperta desconfiança em boa parte da torcida, graças a falhas em jogos importantes, uma parte da responsabilidade precisa ser repartida também com a diretoria do clube, que não preparou adequadamente a sucessão de Ceni.

Na década de 1970, o São Paulo chegou a promover rodízio entre os goleiros do elenco: Waldir Peres e Toinho

Tradicionalmente, o São Paulo sempre contou com um goleiro reserva “rodado”, para o caso de precisar substituir o titular. Isso já ocorrera nos anos 1970, quando Waldir Peres, herói do título brasileiro de 77, tinha a sombra de Toinho, com quem chegou a fazer um inusitado rodízio, criado pelo técnico Rubens Minelli.

No final dos anos 80, Gilmar Rinaldi chegou a brigar pela posição com Roberto Rojas, até que chileno fosse banido do futebol, por causa da farsa do sinalizador em um jogo das eliminatórias entre Brasil x Chile.

Irônico é lembrar que Rogério Ceni foi preparado com cuidado para substituir outro gigante do gol são-paulino. Nos anos 90, Zetti era titular absoluto, mas sempre que se ausentava, por conta de convocações da Seleção Brasileira ou lesões, Ceni entrava e dava conta do recado.

O mesmo script não foi seguido por Denis, que desde sua chegada ao clube, sete anos atrás, contratado da Ponte Preta, foi mais visto no banco de reservas do que em campo. Ao não se preocupar com os efeitos que a falta de quilometragem de seu goleiro traria para a equipe em 2016, a diretoria do São Paulo mostrou-se no mínimo descuidada.